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Especialistas defendem que museus têm de se reiventar para atrair público

Especialistas reunidos nas jornadas da comissão nacional do Conselho Internacional dos Museus (ICOM-Portugal) defenderam hoje que os museus devem criar novas histórias sobre as suas coleções para reconquistar públicos num contexto de "crise grave" provocada pela pandemia.

Especialistas defendem que museus têm de se reiventar para atrair público
Notícias ao Minuto

14:34 - 28/06/21 por Lusa

Cultura Museus

No encontro, que decorreu ´online´ devido às restrições para combate da pandemia de Covid-19, especialistas portugueses e estrangeiros falaram na necessidade de estes espaços culturais se reinventarem e repensarem, para ultrapassar um contexto "extremamente desafiante", apontou a presidente do ICOM-Portugal, Maria de Jesus Monge, na abertura das jornadas.

"O Futuro dos Museus: Recuperar e reimaginar" foi o tema escolhido para este encontro, o mesmo que o ICOM-Internacional - organização criada em 1946 que reúne comissões nacionais dos cinco continentes, dedicada à preservação e divulgação do património cultural mundial - escolheu para a celebração do Dia Internacional dos Museus, a 18 de maio deste ano.

A capacidade para inventar novas histórias sobre as coleções que albergam, a abertura ao diálogo interno e com as comunidades, o repensar do passado colonial e das formas de liderança e dos modelos de negócio, aumentando a flexibilidade na cooperação com as diversas formas de arte, foram as principais propostas apresentadas nas intervenções, em resposta à questão lançada pela presidente do ICOM-Portugal sobre o futuro.

"Os museus estavam habituados ao turismo de massas, e, agora, com os efeitos da pandemia, os turistas desapareceram", apontou a porta-voz do ICOM-Quénia, Muthoni Thang´wa, defendendo que, para inverter a grave situação atual de esvaziamento destes espaços, "é necessário voltar o foco para as pessoas, e menos para as peças das coleções, como até agora".

A especialista africana disse que o atual contexto "exige uma mudança estratégica", para atrair o público, e está convicta que passa por "falar ao coração humano, contanto novas histórias para além do contexto colonial de muitos dos museus de todo o mundo".

Na mesma linha, Hartmut Dorgerloh, investigador e professor em universidades de Berlim e Berna, propôs um "repensar total da forma como se devem preservar, estudar e apresentar as coleções ao público", porque "não há uma fórmula única de o fazer".

"Podemos também começar a deitar abaixo as ´paredes´ que separam os museus das artes performativas e visuais, criando mais projetos com o teatro, a literatura e o cinema, por exemplo", sugeriu, defendendo que os profissionais do setor "podem e devem falar sobre os seus sonhos e erros".

O comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, outro dos três convidados para as jornadas que decorreram durante a manhã, defendeu que a comunidade museológica deve "colocar-se primeiro numa posição de vazio e de silêncio, escutando alternativas, antes de se sentir munida de muitas certezas".

"O museu não é um espaço neutro, como nenhuma instituição pode ser, e pode sempre repensar-se", sublinhou o filósofo, professor e curador, propondo a aprendizagem das lições da História para refletir sobre o presente e o futuro.

Face à crise, a maioria dos museus de todo o mundo voltou-se para o mundo digital para não perder o contacto com os seus públicos, e continuar a divulgar atividades.

"Focar-se no turismo de massas já não é viável. Os museus devem recorrer às plataformas digitais para democratizar o acesso à cultura e, por outro lado, atrair público local, com programas especiais", propôs a especialista dos museus nacionais do Quénia.

Museus em todo o mundo perderam entre 70 e 80% dos visitantes devido às restrições e quarentenas impostas pela pandemia, o que aconteceu também em Portugal, segundo os números do ICOM-Internacional, do Observatório Português de Atividades Culturais e da Direção-Geral do Património Cultural divulgados este ano.

Um diagnóstico do impacto da crise pandémica no setor, baseado nos últimos dados recolhidos pela organização não governamental, indicam, a nível global, que 6% dos museus poderão encerrar e 30% serão forçados a reduzir os seus funcionários devido às dificuldades económicas provocadas pela perda de visitantes e de receitas.

Leia Também: Alabaça sem condições para resolver "problemas complicadíssimos" do setor

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