Meteorologia

  • 20 JULHO 2018
Tempo
21º
MIN 20º MÁX 23º

Edição

Vozes ao Minuto

Vozes ao Minuto

Vozes com opinião. Todos os dias.

"Não houve herança, mas daí à miséria ainda tenho pais que me dão comida"

Dois anos após a morte de Camilo de Oliveira, Paula Marcelo continua sem receber a pensão a que acredita ter direito. A atriz garante que nunca esteve na miséria, mas não esconde que o dinheiro lhe faz falta. Numa entrevista emotiva, Paula contou-nos como foram os 10 anos em que se dedicou a cuidar do companheiro, 42 anos mais velho, revelou o motivo dos tratamentos estéticos a que se submeteu e explicou as suas recentes declarações relacionadas com o assédio sexual.

"Não houve herança, mas daí à miséria ainda tenho pais que me dão comida"
Notícias ao Minuto

28/03/18 por Catarina Carvalho Ferreira

Fama Paula Marcelo

Ainda muito jovem, Paula Marcelo apaixonou-se pelo teatro, onde começou a sua carreira e atingiu reconhecimento profissional, e pelo homem com quem passou mais de 35 anos da sua vida.

Ao lado de Camilo de Oliveira, a atriz viveu uma história de amor que viria a transformar-se numa amizade profunda, que a levou a abdicar da sua vida para cuidar do companheiro nos seus últimos 10 anos de vida.

Numa entrevista exclusiva ao Notícias ao Minuto, Paula Marcelo recordou o início da sua carreira, relembrou os anos que viveu ao lado de um dos maiores ícones da comédia em Portugal, explicou o que a levou a tomar a decisão de não ter filhos e desmistificou todas as polémicas que envolvem o seu nome.

Como é que começa a sua carreira de atriz?

Comecei no teatro amador, na Ajuda. Depois um amigo meu foi fazer um casting ao Parque Mayer e eu fui acompanhá-lo, perguntou-me se eu queria entrar para fazer o casting e acabei por ficar. Isto com 16 anos.

Foi um acaso ou já era um sonho antigo tornar-se atriz profissional?

Eu gostava muito de teatro, mas nunca disse: ‘eu quero ser isto’, proporcionou-se. O meu sonho de criança era ser veterinária. Depois, como gostava muito de fazer teatro, fiz esta opção.

Se tivesse de optar, escolhia trabalhar no teatro ou na televisão?

Teatro! No teatro nós temos a reação instantânea do público, sabemos o que podemos melhorar, na televisão nós não temos esse retorno logo. Financeiramente escolhia a televisão, claro.

 Acho que o nosso país põe rótulos nas pessoas Não a vemos na televisão com assiduidade, apesar de fazer algumas participações. Sente, tal como outras atrizes já referiram, que não há espaço nas produções nacionais para o elevado número de artistas que existe no nosso país?

Não acredito nisso. Pode é haver falta de produções, mas há espaço para todos.

Mesmo para as atrizes acima dos 50, tal como a Paula que tem 51 anos, acha que continua a ser fácil fazer televisão?

Estou um pouco afastada disso, não sei se há falta de espaço ou se há falta de vontade. Acho que o nosso país põe rótulos nas pessoas. Quando eu digo rótulos não é depreciativo, é que se uma atriz faz determinado papel depois metem-na a fazer sempre aquele determinado papel. Ou seja, não roda. Possivelmente, por isso é que depois ficam catalogadas assim: "agora não há espaço para esta porque só faz determinado papel", e ficam na prateleira por isso mesmo.

Também sentiu isso pelo facto de fazer maioritariamente papeis de comédia?

Não sei, não sei mesmo. Não estou a fugir à pergunta, é porque não sei mesmo. Eu também não ando sempre a aparecer, não ando sempre a pedir, não consigo gerir muito bem a minha carreira nesse aspeto.

Nunca se sentiu esquecida enquanto atriz?

Não, os contactos para teatro continuam a surgir. Talvez se um dia os contactos deixarem de surgir eu me sinta esquecida, mas a prova é que onde quer que eu esteja as pessoas conhecem-me. Enquanto nos conhecerem não estamos esquecidos, de certeza absoluta.

Acho que nunca é fácil trabalhar com os maridos, seja eu ou outra pessoa qualquer Ainda muito nova, a Paula conhece o Camilo de Oliveira e juntos iniciam uma história de amor. Esta relação teve influência na forma como a sua carreira foi conduzida daí para a frente e, em particular, no facto de a Paula trabalhar muito em comédia?

É capaz de ter tido alguma pelo facto de ele só trabalhar nesse género e eu acabar sempre por trabalhar com ele, mas não creio que tivesse tido uma influência assim tão grande.

A Paula e o Camilo acabaram por colaborar juntos em muitas produções. Trabalhar com ao lado do seu marido era tarefa fácil?

Não [risos]. Não, não é fácil. Acho que nunca é fácil trabalhar com os maridos, seja eu ou outra pessoa qualquer. Porque além de sermos empregados, acabamos sempre por ter de dar o exemplo, não podemos responder ou fazer determinadas coisas.

As críticas negativas às vezes são muito positivas e dão-nos força para andar para a frente A exigência para consigo era maior nessas situações?

Sim, sim, acaba por ser maior. É uma exigência maior, que também acaba por nos trazer algumas inseguranças e nos leva a pensar: "só estou aqui porque é o meu marido e precisa do meu apoio", ou "será que estou aqui pelo meu valor ou porque estou com o meu marido?"

Ouviu muitas vezes essa frase, que só estava ali porque era a mulher do Camilo de Oliveira?

Ouvi, mas o tempo responde a essas coisas todas. Felizmente, não fui daquelas de desistir e de achar que estava derrotada. Aliás, acho que as críticas negativas às vezes são muito positivas e dão-nos força para andar para a frente.

Não é porque a pessoa já não tem capacidades que nós deixamos de gostar

Tal como referi há pouco, a Paula iniciou a sua relação com o Camilo ainda muito jovem. Nessa época,  os 42 anos de diferença de idades que tinham entre vocês não a assustaram?

Quando se está apaixonado não se pensa nisso. Com o tempo vamos criando receios, mas depois a maturidade e a experiência ajudam-nos. Na altura não pensei, não era uma preocupação minha.

E ao longo dos anos, essas preocupações começam a surgir?

Sim, ao longo dos anos vai-se pensando. Quando as doenças batem à porta, quando começamos a constatar que eu tenho força para fazer uma série de coisas e a pessoa em questão já não tem, isso faz-nos pensar. Mas depois há o compromisso, se eu assumi um compromisso vou ter de o cumprir. Não é porque a pessoa já não tem capacidades que nós deixamos de gostar ou que eu vou ser egoísta e dizer: agora, vou seguir a minha vida e tu já estás posto de parte. 

Não vivo num mundo em que gostasse de criar um filhoA Paula nunca foi mãe, a decisão de não ter filhos foi escolha sua?

Sim e não. Foi uma opção fruto de circunstâncias, o Camilo já não podia ter filhos e o facto de eu não ter uma estabilidade financeira e profissional para criar um filho ajudou-me a tomar essa decisão. Nesta profissão não temos horários certos, não há um pouso seguro para estar 10 ou 20 anos num teatro a receber e, às vezes, as digressões são muito complicadas. Não queria andar com uma criança pequenina atrás de mim a fazer quilómetros e quilómetros, não achava que fosse justo ter de privar o meu filho do conforto e fiz essa opção.

Ao olhar para trás, não se arrepende dessa escolha?

Hoje em dia muito menos me arrependo dessa escolha, não vivo num mundo em que gostasse de criar um filho. Tenho um sobrinho maravilhoso e agora vou se tia-avó, assusta-me um bocado esta mudança e esta falta de contacto entre as pessoas. Hoje, as pessoas conversam mais por telemóvel do que cara a cara. Estou feliz por não ter tido um filho.

Não acho que um papel tenha mais força do que uma relação. Eu assumi um compromisso com ele sem ter assinado um papel e cumpri-o até ao fimNunca chegou a casar com o Camilo, foi uma opção dos dois?

Não, não foi uma opção. O Camilo tentou várias vezes o divórcio que não lhe foi dado. No último ano da sua vida ainda contratámos uma advogada que não conseguiu o divórcio, não sei porquê. Acho que tivemos pouca sorte nesse aspeto, quando ele decidiu que, quaisquer que fossem as circunstâncias, iria mesmo divorciar-se, não fomos a tempo…

165 ou 163 euros, que é quanto a senhora está a receber, hoje em dia não é nada, mas se calhar num mês em que eu não trabalhe podia ajudar-me em alguma coisa

Era um desejo seu ter casado?

Não. Não acho que um papel tenha mais força do que uma relação. Eu assumi um compromisso com ele sem ter assinado um papel e cumpri-o até ao fim. Mas sei que era um desejo dele, era um desejo dele assegurar o meu futuro. Claro que não era com a reforma com que ele ficou que me ia assegurar um futuro.

Eu reclamei a reforma dele porque acho que ele iria ficar tranquilo assim. Onde quer que ele esteja, não está tranquilo. Legalmente eu posso não ter direito, é verdade, mas também acho que o Estado devia rever essa lei. Se eu não tenho direito porque tive uma união de facto que não foi união de facto, porque ele era casado, essa senhora também não devia ter porque durante não sei quantos anos nunca teve contacto com ele. Acho que o Estado não salvaguarda nem a minha parte e nem a deles, está a pagar uma pensão a uma pessoa que nunca se interessou e simplesmente tem um papel assinado.

Essa pensão, ainda que seja um valor muito baixo, fazia-lhe realmente farta a nível financeiro ou para si é apenas de uma questão de justiça?

É uma questão de justiça! 165 ou 163 euros, que é quanto a senhora está a receber, hoje em dia não é nada, mas se calhar num mês em que eu não trabalhe podia ajudar-me em alguma coisa. Não dependo desse dinheiro para comer, felizmente tenho uma família bem estruturada. Tenho uma família que me pode ajudar, mas se não tivesse se calhar fazia-me falta.

E como é que está a situação neste momento?

Está em tribunal. Inicialmente o pedido foi enviado para um tribunal que não era o correto, agora está no local certo e corre o risco de prescrever. A nossa lei é assim… entretanto, o Estado paga à senhora. Acho que sim, continue a pagar! A lei é cega, há coisas que são muito simples de resolver e isto já vai em dois anos. A lei é cega, é só o que tenho a dizer. Mas acredito na justiça divina, portanto, as coisas boas hão-de vir para mim.

Hoje ainda não estou livre dos medos que eu criei naquela alturaDurante os 10 anos em que a saúde do Camilo se debilitou e a Paula assumiu o papel de cuidadora, conseguia trabalhar e dedicar-se à sua vida profissional?

Sim, ainda consegui. Tive trabalhos pontuais e muito perto de casa. Ainda fiz algumas digressões, sempre como apoio do filho mais velho do Camilo. Quando as coisas estavam mais complicadas havia ali uma manobra, hoje ficas tu e amanhã fico eu. E ainda tive uma senhora em minha casa a ajudar-me durante um ano.

O trabalho de cuidadora é muito exigente, acabando muitas vezes por provocar um grande desgaste a nível físico e também psicológico. Sentiu que isso aconteceu consigo?

Senti e é uma coisa que não se esquece e que acaba por nos causar muitos traumas. Hoje ainda não estou livre dos medos que eu criei naquela altura. Medos de quedas, por exemplo, eu não posso ver ninguém virado de costas para uma escada. Ao olhar para uma pessoa de mais idade, eu sei a dificuldade por que aquela pessoa está a passar e fico muito stressada, tenho mesmo de virar as costas porque é uma coisa que mexe comigo. Às vezes digo para mim mesma: “Já passou, já tiveste a tua dose, não continues por aí".  Mexe com o meu sistema nervoso, é uma coisa que fica para toda a vida.

Eu não tenho muita noção porque estava dopada, mas sei que os amigos dele estiveram lá e isso é que é importanteAo longo desses 10 anos, a Paula e o Camilo sentiram que foram perdendo alguns amigos?

Não! Os amigos dele, os amigos verdadeiros, estiveram até ao fim. Pelo contrario, até se ganhou alguns.

Sendo o Camilo de Oliveira um ator icónico do panorama artístico português, o facto de terem sido poucas as figuras públicas que estiveram presentes no seu funeral acabou por dar muito que falar.

Pois, falou-se, falou-se… Mas também há que ter em conta uma coisa, estava a decorrer o Campeonato Europeu de Futebol e foi um processo demorado desde a morte até ao funeral. Ele teve bastante gente, pelo menos na noite do velório teve. Eu não tenho muita noção porque estava dopada, mas sei que os amigos dele estiveram lá e isso é que é importante.

Sabendo que o Camilo estava doente há muito tempo, a Paula sentia-se preparada receber a notícia da sua morte?

Estando preparados, não queremos esse dia. Esse dia nem é um pesadelo, nem é um sonho. É um não acredito, é um misto de coisas que não se consegue definir em sentimento. Eu não sei se fui medicada porque estava muito em baixo, não sei se fui medicada porque estava muito em cima, não sei… sei que fui medicada para estar bem, tranquila.

A verdade é que houve sempre sentimento, quanto mais não seja uma amizade profunda a ponto de abdicar da minha vida para cuidar dele A Paula referiu numa entrevista que o amor ao longo dos anos se foi desmoronando. O que é que queria dizer com isto exatamente?

Não é bem o amor que se vai desmoronando. Quando nós nos apaixonamos a paixão é momentânea, ninguém vive a paixão uma vida inteira, depois passa para amor, depois passa para amizade, depois passa para uma cumplicidade e estas coisas vão descendo de patamar.

É claro que eu a partir de uma certa altura fui-me desencantando, como é obvio, porque já não era uma pessoa que me acompanhasse. Era uma pessoa que eu tinha ali para tomar conta, era da minha responsabilidade. Não sei explicar muito bem em palavras o sentimento que é, mas é uma preocupação constante e alguma revolta, às vezes, por pensar que as coisas poderiam não ter sido assim. O desmoronar no fundo não é desmoronar, é um diluir. Nunca se perde um amor, quando se perde há uma separação. A verdade é que houve sempre sentimento, quanto mais não seja uma amizade profunda a ponto de abdicar da minha vida para cuidar dele.

Isso chegou mesmo a acontecer, teve de deixar algum trabalho, por exemplo, para cuidar do seu companheiro?

Sim, tive de deixar praticamente a minha vida. O último ano foi passado no hospital, ainda hoje me conhecem lá. Eu passava ali os dias, de manhã à noite, enquanto houvesse visitas eu estava ali.

O Camilo teve noção de que a Paula esteve sempre ao seu lado?

Tinha! Tanto que quanto eu fui maltratada pela comunicação social, quando mentiram a meu respeito e disseram que eu tinha abandonado o Camilo no hospital, a primeira coisa que ele fez foi dar uma entrevista ao Cláudio Ramos. Apesar de ele não querer mostrar o quão frágil estava, quando soube o que me tinham feito, ele fez questão de dar essa entrevista para me defender.

Não houve herança, mas daí à miséria ainda tenho pais que me podem dar comidaEsses rumores de que era alvo deixaram de acontecer após a morte do Camilo? Sente que as coisas mudaram?

Mudaram relativamente. Hoje em dia acho que olham para mim de outra maneira, mas mesmo assim após a morte do Camilo ainda se fizeram alguns títulos um pouco sensacionalistas e que não correspondem à verdade. Lembro-me de ter lido algo do género: “Filipe La Féria tira Paula Marcelo da miséria”, ainda fiquei um pouco magoada.

Essa miséria que foi muitas vezes noticiada, chegou de facto a existir?

Não. Não houve herança e as pessoas quando falam em herança acham que é milhares de contos. O Camilo foi sempre muito contido nas suas despesas e guardou sempre o seu dinheirinho, que serviu para os gastos da doença e para facilitar algumas coisas que eram complicadas. Não houve herança, mas daí à miséria ainda tenho pais que me podem dar comida. Fiquei com uma casa por pagar, é verdade, mas estou a tentar pagá-la e tive a minha irmã que foi para ao pé de mim para me ajudar.

O Camilo é de uma geração que, para se valorizar, sempre gostou muito de dizer que ganhava mais do que aquilo que recebia na realidadeA questão da herança deu muito que falar pelo facto de algumas pessoas defenderem que o Camilo recebia cachets muito elevados.

Mas também esteve muitos anos parado. De qualquer das formas, o Camilo é de uma geração que, para se valorizar, sempre gostou muito de dizer que ganhava mais do que aquilo que recebia na realidade.  Hoje em dia toda a gente expõe o seu ordenado, naquele tempo ao dizer-se que se tinha muito ganhava-se mais valor: se se dissesse que nada se tinha, nada se valia. Ele era dessa geração e, por isso, fazia questão de dizer que tinha mundos e fundos, era a sua maneira, foi assim que ele aprendeu, eu tive bastantes discussões com ele por causa disso.

Não fiz uma operação plástica, não tenho nenhuma cicatrizRecentemente, a Paula fez alguns tratamentos  estéticos para melhorar a sua imagem.

Tive a oportunidade de me rejuvenescer um bocadinho, porque realmente fui-me muito abaixo. Ganhei uns papos debaixo dos olhos, que vim a descobrir que eram gorduras e o propôs-me fazer a cirurgia para rejuvenescer um pouco. Não fiz uma operação plástica, não tenho nenhuma cicatriz, tirei apenas os papos debaixo dos olhos.

Ainda estou inchada, demora um pouco a recuperar. Acredito que se calhar a apresentação desse tratamento ao público aconteceu cedo demais, quando eu fui à SIC estava muito inchada e as pessoas acharam que eu tinha mexido muito, mas a verdade é que estou a ir ao lugar.

Sentiu que precisava de fazer este rejuvenescimento?

Não, não senti. Convivo bem comigo e com o meu envelhecimento, Mas foi-me oferecida uma oportunidade. Houve imensa gente que veio dizer que eu estava a gastar o dinheiro, não paguei. O Dr. Bsicaia Fraga [cirurgião plástico] sabe que eu não tinha dinheiro para pagar, surgiu a oportunidade e eu agarrei porque poderia não voltar a tê-la.

Nos últimos anos deixou de cuidar de si?

Deixei, claro. Já sou preguiçosa de mim, não sou nada de ginásios e continuo a não ir, o que eu cuidei de mim foi devido à minha profissão. Se tivesse um trabalho tinha de ir ao cabeleireiro e arranjar-me, mas eram cuidados pontuais. Tinha de me cuidar, mas houve muita coisa que deixei de fazer.

Falei no assunto porque me perguntaram, eu não telefonei para nenhuma revista a dizer que fui assediadaReferiu há pouco que convive bem com o seu envelhecimento, não há nada que a assuste nesse processo?

Não tenho medo das rugas, acho que as rugas ficam bem e dão charme. Tenho medo de envelhecer e de perder as minhas capacidades, desse envelhecimento acho que toda a gente tem medo.

Recentemente, surgiram na imprensa declarações suas dando conta de que, em determinado momento da sua carreira, foi vítima de assedio sexual.

Falei no assunto porque me perguntaram, não telefonei para nenhuma revista a dizer que fui assediada. Perguntaram-me se tinha acontecido e eu disse que sim, referi que não queria denunciar o caso porque foi há muitos anos. Se tivesse de denunciar, tinha-o feito naquela altura. Não o fiz porque o Camilo, se soubesse,  ia desgraçar a vida dele. Decidi ficar calada na altura, omitir, resolver o meu problema e fugir. Pronto, assunto encerrado.

Não vou ficar enclausurada na minha dor, no meu sofrimento e a pensar em tudo por que passei Acha que o assédio sexual continua a acontecer no panorama artístico português?

Acho que acontece em qualquer meio, não é só no mundo artístico. Neste meio durante muitos anos não foi denunciado porque é mais difícil, é uma indústria que está toda ligada.

Dois anos depois de ter ficado viúva, existe espaço na sua vida para reconstruir a sua vida amorosa?

Não ando à procura de namorado, mas se surgir eu não vou dizer que não. Não vou ficar enclausurada na minha dor, no meu sofrimento e a pensar em tudo por que passei. Passei porque tinha de passar, a vida é assim, eu até podia ter sido casada com um homem mais novo e ele ter tido um acidente. A vida segue e eu tenho 51 anos.

Quais os projetos profissionais a que se dedica, neste momento?

Estou a terminar a digressão da comédia ‘Quem é o Jeremias’ e, em breve, vou começar a ensaiar uma comédia com o Celso Cleto.

Para já, o teatro é o seu grande foco?

Sim, mas sempre foi. Adoro conciliar teatro com televisão, mas o teatro é onde eu me sinto em casa e foi sempre quem me deu de comer.

Há alguma coisa que ainda não tenha feito na sua carreira e que tivesse muita vontade de fazer?

Não tenho o objetivo de fazer este ou aquele papel, quero fazer bom teatro e boa televisão. Quero fazer boas personagens, podem ser pequeninas desde que eu vá para casa a dizer: dei tudo de mim e fiz o meu melhor.

Campo obrigatório

Os cookies ajudam-nos a melhorar a sua experiência como utilizador.

Ao utilizar o nosso website, está a aceitar o uso de cookies e a concordar com a nossa política de utilização.