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"Não se é grande autarca por mandar pintar estradas ou pôr alcatrão"

O líder da candidatura Sintrenses com Marco Almeida é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"Não se é grande autarca por mandar pintar estradas ou pôr alcatrão"
Notícias ao Minuto

02/08/17 por Pedro Filipe Pina

Política Marco Almeida

Há quatro anos, Marco Almeida, antigo 'número dois' de Fernando Seara em Sintra, decidiu concorrer à Câmara Municipal de Sintra. O PSD, porém, tinha outros planos.

A candidatura independente de Marco Almeida ficou em segundo lugar, perdendo a eleição para o socialista Basílio Horta, mas teve quase o dobro dos votos da candidatura do PSD.

O partido não gostou, a rutura foi pública, e após 20 anos de ligação ao partido Marco Almeida e o PSD seguiram caminhos distintos.

Dois anos depois, em 2015, o PSD voltou atrás e deu início a conversas que se prolongaram e trouxeram um curioso volte-face à corrida por Sintra.

Marco Almeida volta agora a defrontar Basílio Horta. Concorre novamente como independente mas numa coligação que conta com o apoio de vários partidos, nomeadamente o CDS, o MPT, o PPM… e o PSD.

O Notícias ao Minuto encontrou-se com o vereador e professor de História no seu gabinete nos Paços do Concelho de Sintra para saber como se deu esta reaproximação, se há mágoas que ficam, e o que espera das eleições do próximo dia 1 de outubro.

Como é que avalia a governação da chamada 'geringonça'?

Sou funcionário público e sinto o que a maior parte das pessoas sente: um ambiente de maior confiança, fruto também da devolução de uma parte dos rendimentos. É positivo que os portugueses sintam que há confiança no presente e que olhem para o futuro com esperança. Mas temo que este ciclo possa ser apenas momentâneo. O país já teve situações idênticas no passado e as consequências foram o resgate que tivemos em 2011.

O que conta verdadeiramente são as pessoas e os projetos que têm para apresentar e não tanto os partidosO momento político do PS pode ter influência nos resultados do partido nas autárquicas?

Em Sintra, uma grande parte da população urbana trabalha fora do concelho e portanto não sente tanto o concelho no seu dia a dia. Acredito que um ciclo positivo do PS possa ter efeitos nas comunidades que vivem no eixo urbano. Na outra dimensão do concelho, na zona mais rural e do litoral, julgo que esse efeito é menor. As pessoas votam no candidato à câmara ou à junta sem ter grandes preocupações com aquilo que é a sua relação com a administração central e com o governo em particular. Nesta altura, o nosso esforço é demonstrar às comunidades urbanas que vão votar nas autárquicas que o conta verdadeiramente são as pessoas e os projetos que têm para apresentar aos sintrenses e não tanto os partidos.

E para o PSD, um mau resultado nas autárquicas poderia complicar a liderança Passos Coelho?

É uma dinâmica própria do partido. Fui militante do PSD durante 20 anos, não sou desde 2013, portanto não tenho nenhuma relação especial com o PSD que seja diferente da que tenho com CDS, MPT ou PPM, que fazem parte desta candidatura. Terão de ser os militantes do PSD a avaliar essa circunstância.

Há quatro anos fez parte do fenómeno das candidaturas independentes. Foi algo específico do contexto de então, com a troika por Portugal, ou é tendência que se irá manter?

Estamos a ver autárquicas após autárquicas o crescimento do número de candidaturas independentes. Em 2013 representaram cerca de 400 mil votos no seu conjunto, é uma expressão já muito grande, com resultados fantásticos em grandes municípios: no Porto, com a vitória do Rui Moreira, aqui em Sintra ficámos a cerca de 1.700 votos de conquistar a câmara. É um fenómeno, fruto do descrédito que por vezes se sente com os partidos, que é para continuar a crescer, não tenho dúvida nenhuma.

Depois de 12 anos na Câmara, em 2013 acabou por ficar em segundo lugar nas eleições. O que tem andado a fazer nos últimos anos?

Tem sido um desafio imenso. Regressei à minha vida profissional, sou professor do ensino secundário numa escola pública e durante estes quatro anos exerci a minha profissão. Isso é algo que gosto de verbalizar porque essa é a minha liberdade também. A minha independência profissional e económica permitiu-me em 2013 tomar a decisão de ser candidato independente e permitiu-me estar na oposição durante estes quatro anos.

Desde então procurámos dar corpo ao movimento. Constituímos uma associação cívica, inaugurámos uma sede, tivemos iniciativas de solidariedade, conferências com pessoas de todo o espectro político, não deixámos de apresentar propostas, opusemo-nos à aprovação dos orçamentos e do plano de atividades mas sempre com alternativa, fomos uns ferozes defensores dos habitantes de Sintra. Quando foi preciso lutar pela redução da carga fiscal estivemos na linha da frente, fizemos um abaixo assinado, recolhemos cerca de seis mil assinaturas. Fomos às eleições em 2013 e depois não fomos para casa, continuámos a defender os sintrenses e isso é a prova de vitalidade do movimento. As pessoas não se esqueceram de nós e nós não nos esquecemos delas. 

Há quatro anos perdeu por cerca de 1.700 votos, mas acabou por ter quase o dobro dos do candidato do PSD. Foi pública a rutura. Agora volta a candidatar-se e o PSD é um dos partidos que o vai apoiar. Como se deu esta reaproximação?

É o reconhecimento de um erro. Acredito que o que aconteceu em 2013 tenha sido muito por falta de diálogo entre as estruturas do partido, e também da minha parte. Foi um processo de rutura em que perderam apenas os sintrenses. A reaproximação foi simples. Em 2015, dois dias antes das eleições [legislativas], tive o contacto de um dirigente distrital que me perguntou se estaria disponível para falar sobre as autárquicas de 2017. Eu disse que estava disponível para falar com todos, nunca afastei ninguém, e após as legislativas fomos construindo um relacionamento de aproximação que hoje se traduz num projeto comum.

Acho que as pessoas me reconhecem como um homem de coragem que esteve sempre na linha da frente na defesa dos interesses dos sintrensesEsta reaproximação pode 'beliscar' a independência da candidatura ou é o fator que faltou para vencer em 2013?

Acho que as pessoas me reconhecem como um homem de coragem que esteve sempre na linha da frente na defesa dos interesses dos sintrenses. Não mudei. Os apoios são diferentes mas eu mantenho-me o mesmo, um homem da nossa comunidade, que cresceu aqui e sempre foi autarca aqui.

A militância no PSD volta a estar no horizonte?

Não, esse assunto está arrumado na minha cabeça. Fui militante durante 20 anos, fui dirigente, estive na comissão política nacional. Mas em 2013 a minha inscrição no PSD cessou e, a partir daí, fechou-se também o ciclo da militância, quer no PSD quer em qualquer outro partido.

Ficou a mágoa de não ter sido o indicado do PSD, mas essa parte está resolvida e acredito mais no futuro do que no passadoFicou alguma mágoa em relação a uma parte do PSD?

Fica sempre uma mágoa. Eu acreditava que era o candidato natural depois de 12 anos ao serviço da autarquia no âmbito de uma coligação, indicado pelo PSD. Ficou a mágoa de não ter sido o indicado, mas essa parte está resolvida e acredito mais no futuro do que no passado. O passado está lá para trás onde nada se resolve. Fiquei magoado na altura mas hoje não guardo mágoas de ninguém.

Que avaliação faz do mandato de Basílio Horta?

Podemos dividir o mandato em duas partes, uma de 44 meses e outra de quatro meses. Durante 44 meses esta câmara esteve bloqueada, a perspetiva do presidente foi concentrar receitas provenientes de impostos nas contas bancárias. A quem é que serviu esta ação? Apenas aos banqueiros. Em 2013, a câmara partiu com 22 milhões de euros e três anos e meio depois tinha 100 milhões de euros.

Os sintrenses não precisam de um gestor de contas bancárias, precisam de um autarca que esteja próximo das populaçõesMas na perspetiva de um eleitor isso não é algo positivo?

Ter dinheiro no banco é bom, qualquer um de nós ambicionava ter muito dinheiro no banco, o problema é quando se amealha à custa dos sintrenses. Há um dado que acho que revela tudo: no final de 2016, o município de Sintra era, no conjunto dos 18 na área metropolitana de Lisboa, o penúltimo em matéria de investimento. Por aqui se vê que a opção de Basílio Horta foi cortar no investimento e colocar esse dinheiro ao serviço da banca e não das preocupações dos sintrenses. Mas não só. Quando uma câmara não tem projeto nem ambiciona fazer mais pelos sintrenses, então pelo menos deve fazer uma coisa: devolver o dinheiro que cobrou a mais. Estes milhões, quem os pagou foram as famílias e as empresas sintrenses. A minha preocupação é que, a este ritmo, se vai continuar a amealhar dinheiro e isso não sirva o concelho. Os sintrenses não precisam de um gestor de contas bancárias, precisam de um autarca que esteja próximo das populações, que prefira estar em Sintra em vez de estar em Bruxelas.

Fazer um jardim ou requalificar uma estrada são obrigações naturais da câmara. Não é preciso ser um grande autarca para mandar pintar estradas ou pôr alcatrãoMas as obras em ano de autárquicas é apenas uma questão de Sintra ou é algo que os portugueses costumam ver habitualmente um pouco por todo o país?

Em Sintra nem foi no último ano, foram só mesmo nestes quatro meses. E eu digo-lhe porque é que foi só nesta fase: é que o presidente de câmara só decidiu ser candidato há cerca de quatro meses. E percebeu que, ao ser candidato, precisava de começar a fazer obra. Obra estratégica? Não. Construir uma escola? Não, porque já não tem tempo. Está à pressa a fazer o que não foi capaz de fazer, ou não quis fazer, nos 44 meses anteriores. Está a despejar dinheiro a fazer alcatrão, a pintar estradas de branco e vermelho para dar conta de que está a realizar obra. Isso é apenas passo de magia para enganar os sintrenses. Fazer um jardim ou requalificar uma estrada são obrigações naturais da câmara. Não é preciso ser um grande autarca para mandar pintar estradas ou pôr alcatrão. Foram quatro anos perdidos.

Não irei afastar ninguém, não farei o que fizeram comigo Se vencer mas sem maioria, há margem para uma 'geringonça' à escala de Sintra?

Estive 12 anos numa câmara que contou com duas maiorias absolutas e tivemos sempre o envolvimento de todas as forças políticas. Se as forças políticas que vão a votos têm o reconhecimento dos sintrenses, então têm algum crédito junto dos sintrenses e devem ser chamados a participar. Não irei afastar ninguém, não farei o que fizeram comigo porque não gostei do que fizeram com os sintrenses que votaram na minha candidatura. Foram desrespeitados.

Mas sente que foi afastado durante estes quatro anos?

Não há dúvida nenhuma. O movimento foi afastado da governação, foi impedido de participar nas presidências abertas, foram cortados meios logísticos, o que culminou naquela célebre paródia que tive de fazer, de alugar um burro para demonstrar o ridículo que era não ter acesso a uma viatura para viagens oficiais. Isto mostra bem a tentativa que houve do atual presidente de câmara de nos prejudicar, acreditando que tal poderia significar o fim do movimento. Mas temos a forte convicção de que o projeto de 2013 era válido e de que durante estes quatro anos o mantivemos vivo, portanto vamos apresentá-lo novamente, agora com apoio reforçado.

Sintra é um dos mais populosos concelhos do país. Tem uma parte de património da humanidade e uma extensa área suburbana. É um concelho particularmente difícil de governar?

É isso que lhe dá vida e faz deste concelho tão extraordinário e diverso. Temos a zona litoral, a zona norte, com tradições mais saloias, o centro histórico e depois uma zona urbana onde se concentra mais de 90% da população. Isto não é difícil de governar, se governar for ouvir, descentralizar, envolver. Acredito, aliás, que se tem de aprofundar a descentralização. Há muito a fazer e a câmara tem essa obrigação de passar competências para quem está mais próximo, para aproveitar as potencialidades de quem está no terreno.

E falando em terreno, quais têm sido as principais preocupações que tem ouvido dos sintrenses?

Há aqui várias questões. A primeira delas é o futuro, que passa pela educação. Nestes quatro anos, a câmara provocou um desinvestimento extraordinário na educação. Queremos uma aposta forte na educação, na construção de salas de creche, colaborando com instituições mas também renovando equipamentos.

Nenhum jovem sintrense ficará com a sua formação académica por fazer por falta da capacidade financeiraEu sou pai. A minha filha está atualmente no ensino superior. Há bem pouco tempo recebemos lá em casa uma colega que não está a estudar na faculdade porque os pais não têm capacidade financeira. É gente de uma classe média empobrecida e o que me custa aceitar é que haja jovens que têm boas notas mas que não chegam para terem uma bolsa de estudo e que não podem continuar a estudar. Quero dar conta que nenhum jovem sintrense ficará com a sua formação académica por fazer por falta da capacidade financeira. Lançaremos um vasto programa de bolsas para apoiar todas as famílias que tenham filhos em idade escolar e com ambição de fazer uma caminhada pelo ensino superior. Não podemos travar a esperança a quem quer ter futuro.

São bolsas para pessoas que terão depois de trabalhar no concelho?

Não obrigatoriamente. A ideia é poder corresponder, numa primeira fase, à formação destes jovens em idade de poderem frequentar o ensino superior. Tenho esta forte convicção: gerando formação académica estamos a contribuir para ter um concelho com melhores quadros. E se tivermos bons quadros também poderemos atrair mais investimento em áreas de vanguarda. 

O concelho de Sintra é também a 'casa' do IC 19, uma das estadas com maior fluxo de carros da Europa. O que é que a autarquia pode fazer em termos de acessibilidades?

Durante 12 anos, fruto do empenhamento da câmara, o IC 19 passou para seis faixas de rodagem, tivemos a duplicação da via férrea, a renovação de estações, com o objetivo de promover o transporte público, foram abertos novos eixos rodoviários. Foi feito um esforço fundamental, mas o que é que vimos nos últimos tempos? Os transportes públicos perderam capacidade de resolver grande parte dos problemas de mobilidade.

Que relação têm os sintrenses com os transportes públicos?

São caros, as carreiras não chegam a todo o lado e os horários em alguns territórios são incompreensíveis, com uma carreira de manhã e outra ao final do dia. Acredito que a câmara se deve constituir como autoridade municipal, à semelhança do que fez Cascais, que conseguiu gerir e influenciar as operadoras privadas, obrigando a cumprir horários, tendo influência nos bilhetes e tendo até uma ação mais punitiva na supressão de carreiras. Hoje em dia as operadoras privadas, fruto da ausência de um poder municipal, acabam por desrespeitar quem compra o passe ou paga o seu bilhete. 

Esta câmara foi forte com os fracos e fraca com os fortes. Nunca a vi bater o pé ao GovernoE a insegurança, continua a ser uma preocupação?

Acho que devemos ter alguma cautela em falar em insegurança para não provocar alarmismo. Mas há duas características de que ouvimos falar ao longo destes quatro anos: uma redução de efetivos, quer da GNR, quer da PSP, e uma degradação dos meios, quer das viaturas, quer das instalações. Este é o panorama.

Basílio Horta disse que ia resolver dois problemas estruturantes das forças de segurança: as instalações para o comando territorial de Sintra da GNR e a instalação num novo edifício da Divisão da PSP. Durante quatro anos, pergunto, o que foi feito? Mais uma vez e também aqui, não foi feito rigorosamente nada. À pressa fez o mais fácil: prometer a oferta de viaturas. Não procurou resolver nenhum problema estrutural, não procurou bater o pé ao Ministério da Administração Interna. Talvez por ser da mesma cor política, e isso a mim preocupa-me. Esta câmara geralmente foi forte com os fracos e fraca com os fortes. Nunca vi esta câmara bater o pé ao Governo.

Não deveria ser ao contrário, a proximidade política não poderia ser vantajosa?

O problema que nós temos é que afrontar um governo da mesma cor pode implicar dissabores, e eu sobre essa matéria não me quero pronunciar. O que constato é que, em matéria estruturante, a Câmara não foi capaz de bater o pé. Mesmo esta questão do hospital é um número que já vi no passado. 

Chegar a Sintra de carro é uma aventura e é preciso resolver este problemaAo chegar aqui aos Paços do Concelho, a meio de uma tarde de dia de semana, o trânsito parecia de evento de fim de semana, com fila lenta até à zona da estação. Portugal vive boom do turismo. Há risco de haver saturação para alguns sintrenses?

Quando o turismo deixa de ser regulado há um cansaço natural, as pessoas não estão para esperar 45 minutos ou uma hora para entrar em Sintra, vão-se embora e não voltam. Nos últimos anos, o turismo em Sintra tem crescido de forma brutal, muito pelo património mas pela dinâmica do próprio país, que é seguro, e de Lisboa em particular, que está muito na moda, e nós temos aqui um reflexo disso. Esse reflexo é o que constatou: chegar a Sintra de carro é uma aventura e é preciso resolver este problema. Estão agora à pressa a fazer obras para a abertura de um parque periférico quando há muito se sabia que tinham de estar feitos.

Mas sendo património da humanidade, o que implica regras, a margem de manobra da câmara não é menor?

Tem a ver com a forma como se olha para o fluxo de trânsito para dentro de Sintra. Deve ou não haver períodos de limitação? O inverno é igual ao verão? Não é. Os próprios sentidos de trânsito da vila têm de ser sempre os mesmos durante o dia e durante todo o ano? Se calhar não. Há aqui um conjunto de matérias que têm de ser resolvidas.

Por padrão costuma ser mais difícil derrotar nas eleições um autarca em funções. O Marco Almeida já teve a experiência de ter estado numa equipa que a dada altura foi reconduzida e agora está do lado da oposição. O desafio agora é maior?

Digo isto aos meus mais próximos colaboradores: é um desafio extraordinário. Estive 12 anos na autarquia e quatro anos na oposição e hoje consigo perceber as duas dinâmicas. Estes quatro anos na oposição tornaram-me mais rico do ponto de vista do que são as minhas convicções e da forma como olho a própria atividade da câmara.

A abstenção há quatro anos foi na ordem dos 58%. Há aqui algum desalento na política?

Há algum distanciamento dos sintrenses relativamente à gestão municipal e isso preocupa-me a mim e deve preocupar todos os que vão a eleições no concelho. É preciso chamar os sintrenses a votar, porque ao fim e ao cabo o que está em causa é o seu próprio destino. Também é preciso contrariar esse fenómeno de distanciamento e isso faz-se com ação. Quem governa não pode governar a partir dos Paços do Concelho. 

Campo obrigatório