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"Somos os médicos veterinários na UE com maior índice de stress laboral"

O bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, Pedro Fabrica, é o convidado desta quarta-feira do Vozes ao Minuto.

"Somos os médicos veterinários na UE com maior índice de stress laboral"
Notícias ao Minuto

12/06/24 por Daniela Filipe

País Medicina veterinária

Entre 1 de janeiro e 12 de março de 2024, 11 membros da Ordem dos Médicos Veterinários recorreram ao serviço de psicologia do organismo. Destes, 55% disseram sentir ansiedade e stress, enquanto 36% mostraram sintomas de depressão. Mas não é tudo: outros 18% indicaram sinais de burnout, ao passo que 83% relataram sentir stress laboral. Apesar da pequena amostra, estes dados dão um vislumbre da realidade vivida pela generalidade dos médicos veterinários em Portugal, profissionais que, de acordo com o VetsSurvey 2021, exibem os maiores níveis de stress laboral na União Europeia.

De facto, um estudo realizado no ano passado pelas psicólogas Maria Manuela Peixoto e Olga Cunha, do Centro de Psicologia da Universidade do Porto e da Universidade Lusófona do Porto, deu conta de que mais de 25% dos inquiridos relataram automutilar-se regularmente e reconheceram ter sintomatologia grave de ansiedade, depressão e stress. Além disso, mais de 15% assumiram ter pensamentos suicidas, o que, nas palavras do bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários, "é extremamente preocupante".

Em conversa com o Notícias ao Minuto, Pedro Fabrica levantou o véu ao lado menos "romântico" desta profissão "muito desafiante a nível psicológico e emocional", elencando os principais motivos que explicam este retrato. Abordou, por isso, o tema "desagradável" - mas "importante" - da morte, tendo dado destaque à questão da eutanásia, um procedimento "que, a nível humano, causa tanta polarização", mas com o qual os médicos veterinários lidam "já há muitos anos".

A profissão de médico veterinário tem um lado romântico, que é idealizado é a nossa grande força motora, que é a saúde animal, tratar de animais, curar os animais. Muitas vezes, o candidato que vai para a profissão e concorre ao curso de medicina veterinária fá-lo com esse objetivo e pensa sobretudo no âmbito de animais de companhia, mas é uma profissão que é muito desafiante a nível psicológico e emocional

Um estudo publicado em 2023 deu conta de que mais de metade dos veterinários têm sintomas de ansiedade, depressão e stress, com 25% a relatar sintomas graves. Além disso, a taxa de suicídio entre estes profissionais é quase quatro vezes mais alta do que na população em geral, e cerca de 5% dos médicos veterinários confessou ter sintomas de burnout. O que é que explica este cenário?

Não é uma realidade nova e tem vindo a acentuar-se com as exigências que estão relacionadas com a profissão. A profissão de médico veterinário tem um lado romântico, que é idealizado é a nossa grande força motora, que é a saúde animal, tratar de animais, curar os animais. Muitas vezes, o candidato que vai para a profissão e concorre ao curso de medicina veterinária fá-lo com esse objetivo e pensa sobretudo no âmbito de animais de companhia, mas é uma profissão que é muito desafiante a nível psicológico e emocional.

Antes de mais, em Portugal não existe a carreira médico-veterinária na função pública e não existe um contrato coletivo de trabalho. Diria que é importante para a profissão e para os profissionais saberem qual é que é a base salarial. Não estamos aqui pelo ordenado, mas o ordenado é uma função importante do reconhecimento, e para praticarmos a medicina veterinária com qualidade.

Se pusermos estes fatores todos num contentor, misturados, dá claramente uma profissão que está sob um elevado nível de stress. Somos os médicos veterinários na União Europeia com maior índice de stress laboral

Sobretudo quem faz clínica de animais de companhia ou de espécies pecuárias, trabalha muitas horas. Num estudo realizado pelo sindicato, creio que em 2020, mais do que quase 60% dos médicos veterinários trabalhavam mais do que 40 horas por semana; é quase uma regra. Acrescido a isto, são trabalhos que normalmente estão relacionados com turnos noturnos, ou então têm à sua disposição um telemóvel de urgências. Ou seja, estão em permanente disposição de trabalho.

Começamos a somar estas várias características: base salarial indefinida e, normalmente, baixa; perto dos 60% ganha menos do que 1.200 euros líquidos; turnos e, em cima disso, lidamos com animais. Os animais têm várias facetas, têm um lado imprevisível. Por mais formação que tenhamos a nível de interpretação comportamental e de abordagem, há sempre um fator de imprevisibilidade quando lidamos com animais. Há aquele animal que pode atacar, que pode morder, que pode pisar, que pode esmagar. Depois, temos o componente das doenças zoonoticas e sabemos que três quartos dos médicos veterinários já tiveram algum contágio ou sinal de doença na sua profissão.

Mas ainda falta um componente, que é o facto de lidarmos com situações extremas de vida ou de morte e de lidarmos com a eutanásia, ou seja, a possibilidade de decisão caso a qualidade de vida do animal não esteja assegurada. Quando temos de tomar essa decisão, temos de ter em conta o apego que já temos a esse animal nosso cliente, o facto de estarmos a tomar uma decisão muito importante e de fim de linha, e ainda o sofrimento com que temos de lidar por parte do detentor daquele animal. Se pusermos estes fatores todos num contentor, misturados, dá claramente uma profissão que está sob um elevado nível de stress. Somos os médicos veterinários na União Europeia com maior índice de stress laboral.

Muitas vezes, o que está na base da pressão do médico veterinário são os custos relacionados com ter animais. Nesse aspeto, é óbvio que quando alguém tem um animal de companhia ou de produção, quando tem de fazer intervenções, a partir de certa altura começa a pensar se tem possibilidade de suportar aquelas despesas. Essa pressão que o detentor tem é descarregada em quem? No médico veterinário

Como disse, Portugal foi encarado como o país com o maior nível de stress nesta profissão, atingindo cerca de 87% dos profissionais, segundo o VetsSurvey 2021. A situação melhorou desde então?

Normalmente, para resolvermos um problema há que aceitar que temos um problema. Acho que os próprios médicos veterinários há muito tempo que têm chamado à atenção para isso. Agora, temos de sensibilizar a sociedade e quem tem poder de trazer alguma proteção para estes profissionais. O trabalho que estamos a fazer como Ordem, e que é uma das prioridades neste mandato, é sensibilizar a tutela para as características únicas e especiais da profissão devido a esta abrangência.

Os médicos veterinários são médicos veterinários de animais de companhia, na clínica e cirurgia, são médicos veterinários de espécies pecuárias, são veterinários municipais que lidam com a autoridade sanitária local, desde a segurança dos alimentos ao abandono animal, são médicos veterinários de controlos oficiais importantes para garantir a cadeia alimentar e a saúde pública, são médicos veterinários de equinos. Às vezes, há esta sensibilidade de que a medicina veterinária é uma profissão bonita, mas tem estes desafios a nível emocional. Não há almoços grátis, como se costuma dizer, e isto tem um impacto.

Da parte da Ordem, queremos preparar os futuros profissionais, com a criação de ferramentas e de formações, para haver mais resiliência emocional e para os alunos que estão a sair da universidade, de um ambiente seguro, hermético e teórico, começarem a aperceber-se da dureza que é ser médico veterinário. Não queremos afastar as pessoas da profissão, mas queremos alertar.

Quando o detentor fala com o médico veterinário, fá-lo como porta-voz do animal. É fundamental para o médico veterinário entender as emoções que o detentor sente com o estado de saúde do seu animal, para depois poder explicar-lhe o que se passa

Muitas vezes o que está na base da pressão do médico veterinário são os custos relacionados com ter animais. Nesse aspeto, é óbvio que quando alguém tem um animal de companhia ou de produção, quando tem de fazer intervenções, a partir de certa altura começa a pensar se tem possibilidade de suportar aquelas despesas. Essa pressão que o detentor tem é descarregada em quem? No médico veterinário. Esta profissão acaba por ter este somatório que tem, por um lado, este atrativo que é ter um mundo melhor e uma saúde que proteja os animais, e com isto ter um equilíbrio a nível do ambiente e da relação do homem.

Do outro lado, garantir que a cadeia alimentar de origem animal também é segura, que os animais que produzem o alimento são bem tratados e o processo em que são transformados em alimento é o mais indolor e o mais ausente de sofrimento e stress possível. Mas, se somarmos tudo, dá uma profissão de elevado desgaste e estes valores de stress, burnout e ideação suicida. Penso que este estudo deu conta de que 15% dos médicos veterinários já pensaram no suicídio, o que é extremamente preocupante.

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É um dos veterinários mais famosos do Instagram e passa agora para o mundo da televisão com um programa no canal Casa e Cozinha. 'É Muita Estima, É!' estreia-se esta segunda-feira. O Lifestyle ao Minuto entrevistou o também agora apresentador André Santos.

Adriano Guerreiro | 08:50 - 30/10/2023

O antigo bastonário mencionou, noutra entrevista, que o médico veterinário acaba por atuar quase como um psicólogo, uma vez que lida não só com as emoções do tutor, mas também com o comportamento e a patologia do animal.

Não nos podemos esquecer que há aqui uma relação de vínculo emocional entre o animal e a pessoa. Aliás, os animais de companhia evoluíram para ser de companhia e fazer parte da família. Obviamente que quando o detentor fala com o médico veterinário, fá-lo como porta-voz do animal. É fundamental para o médico veterinário entender as emoções que o detentor sente com o estado de saúde do seu animal, para depois poder explicar-lhe o que se passa.

Muitas vezes o médico veterinário até sabe exatamente o que é preciso, mas se não tiver a habilidade de entender as emoções, as preocupações do dono, vai ter dificuldade a passar o tratamento e a ter a adesão à terapêutica por parte do detentor. Nesse aspeto, temos de ter empatia e capacidade de comunicação, que são competências que são pessoais, mas que os cursos de medicina veterinária começam a aperceber-se de que é importante investir, para os profissionais estarem mais preparados para lidar com a dificuldade e a exigência da profissão.

A tudo o que referiu somam-se ainda os casos de maus-tratos, de animais abandonados e de pessoas normalmente com mais idade que se veem sem os seus animais, seja por falta de meios financeiros ou pela morte destes. Como é que lidam com estes casos?

Acaba por ter de haver um envolvimento muitas vezes social. Felizmente, algumas autarquias já têm a sensibilidade de ter assistência social. A própria Ordem desenvolveu um cheque veterinário, em que as autarquias identificam a pessoa que tem necessidades financeiras ou não tem capacidade de dar os cuidados básicos de saúde aos seus animais, e que permite que vá aos centros de atendimento médico-veterinário e o animal seja tratado. O problema é quando estamos perante alguém que não tem essa capacidade financeira.

A maior parte das empresas veterinárias são microempresas com uma fragilidade económica e financeira bastante grande. Não têm muita margem para ajudar, mas ajudam não cobrando serviços e fechando os olhos a algumas coisas. Contudo, chega a um ponto em que não podem ajudar muito mais, correndo o risco de fechar portas. Às vezes só mesmo com ajuda de amigos e recorrendo a associações de apoio de animais. O ideal seria que, por exemplo, o programa cheque veterinário estivesse mais disseminado e houvesse muito mais autarquias aderentes.

O processo de preparação para o luto dá-se consoante a doença; se for uma doença crónica, começa um pouco antes do que se for uma causa aguda, um atropelamento, uma morte súbita. Nesses casos é bem mais difícil

A Ordem dos Médicos Veterinários implementou, no ano passado, um plano de apoio psicológico para os seus membros. Em que é que consistia? Continua em vigor?

Continua em vigor. Baseou-se na contratação de serviços de um gabinete de psicologia, que está ao dispor dos membros. Os membros em situação de dificuldade têm direito a um determinado número de consultas, com profissionais disponíveis para os apoiar e tentar ajudá-los a sair da escuridão em que estão, que muitas vezes chega a uma situação limite.

Em termos de números, recentemente fizemos um comparativo e creio que tivemos cerca de 20 membros que usaram os serviços. As principais razões apresentadas foram ansiedade, depressão e algum risco de burnout. Segundo esta empresa, que também ausculta outros profissionais de outras áreas, confirma-se que temos um maior índice de ansiedade e de depressão do que as outras profissões entre estes poucos médicos veterinários que já acederam ao serviço.

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O agravar das dificuldades económicas tem levado donos de animais a deixar de comer para poderem alimentar os seus cães ou gatos, que veem como família e são, muitas vezes, a única companhia para combater a solidão.

Lusa | 07:23 - 22/10/2023

Tal como mencionou, estes profissionais estão expostos quase diariamente a situações de trauma, como é o caso da eutanásia e da morte ‘natural’ de um animal. Que papel é que desempenham no apoio ao luto do dono? E como é que lidam com o próprio luto de perder um paciente que seguiam ou até mesmo os próprios animais de companhia?

Há várias dimensões. Há a dimensão do médico que toma essa decisão e há a dimensão da pessoa que está por trás do médico. Cada profissional tem a sua estratégia individual para lidar com a morte no âmbito clínico. Em primeiro lugar, passa pelo critério de decisão da eutanásia, que é livre, individual, e baseado sobretudo na qualidade de vida que aquele animal tem, em mútuo consentimento com o detentor. O processo de preparação para o luto dá-se consoante a doença; se for uma doença crónica, começa um pouco antes do que se for uma causa aguda, um atropelamento, uma morte súbita. Nesses casos é bem mais difícil.

Depois, há os mecanismos que cada veterinário aprendeu no serviço, e isso é outra formação em que queremos investir, para que os veterinários comecem a ficar preparados para dar as más notícias e lidar com a perda. Começam a haver também alguns psicólogos dedicados a essa área, o que para nós é ótimo, porque é uma complementaridade ao serviço. No momento em que há uma perda psicológica, acho que não é do foro do médico veterinário. O médico veterinário deve ilustrar e clarificar as fases que o detentor vai passar mas, sendo uma perda que não tem uma resposta fisiológica, a pessoa deve recorrer a um profissional de excelência nesse âmbito.

É interessante que alguns psicólogos estejam a dedicar-se a esta área, já que a própria questão do luto por seres humanos continua a ser tabu e as pessoas ainda não sabem lidar com a morte. Considera que o estigma no que toca ao luto por um animal continua presente ou as mentalidades estão a mudar?

Os estudos que são feitos sobre veiculação indicam que, quando comparado com outros países, a qualidade do vínculo entre o detentor e o animal de companhia é igual ou superior em Portugal. Portanto, em Portugal já não existe esse estigma. Poderá haver uma franja da população que ainda encare o animal com uma vinculação mais baixa, mas isso está mais relacionado com gatos ferais. Em relação à consciência, houve até uma iniciativa legislativa quanto à possibilidade de atribuir uns dias de luto a quem perdesse um animal de companhia, portanto vê-se na própria sociedade e na evolução política a perceção do quanto o papel dos animais é importante.

Se olharmos para a nossa sociedade, falamos muito pouco de morte. Obviamente que falar da morte é desagradável, mas creio que seria importante ter discussões sobre a morte, doenças terminais e o processo de eutanásia, que é algo que a nível humano causa tanta polarização e com que nós, médicos veterinários, lidamos já há muitos anos

Quando um animal morre em casa e o tutor se depara com o seu animal morto, qual é o papel do médico veterinário?

A maior parte das pessoas acaba por recorrer ao médico veterinário, que a acompanha e segue os trâmites legais. Ou seja, o corpo tem de ser recolhido por uma empresa e destruído. Ou então, recorre aos serviços municipais e é acionada a recolha.

Da sua experiência, os serviços funerários de animais permitem que o tutor tenha um melhor processo de luto?

Permite ter o simbolismo da perda, mas depende da relação que as pessoas têm com a morte. Se olharmos para a nossa sociedade, falamos muito pouco de morte. Obviamente que falar da morte é desagradável, mas creio que seria importante ter discussões sobre a morte, doenças terminais e o processo de eutanásia, que é algo que a nível humano causa tanta polarização e com que nós, médicos veterinários, lidamos já há muitos anos. Depois, depende da reação de cada detentor; eu poderei querer despedir-me tendo acesso às cinzas do meu animal, mas há pessoas que não querem saber mais e é o fim da linha. É bom que haja opções, porque permitimos que a pessoa lide com a perda do seu animal à sua medida e ao seu ritmo, mas acho que não há consenso.

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Daniela Filipe | 08:28 - 16/12/2022

Referiu que os salários e o próprio acesso dos tutores aos cuidados veterinários também são um problema. Há sinais por parte do Governo de que a situação poderá vir a alterar-se?

A nível da administração pública, como Ordem vamos sensibilizar a tutela para a necessidade de uma carreia médico-veterinária. Existe a carreira de inspetor sanitário, mas só favorece uma parte dos médicos veterinários. Achamos que temos de ser mais ambiciosos e que na administração pública deve haver a carreira médico-veterinária, como existe a carreira médica. Dentro desta carreira, deve haver a diferenciação conforme o risco. Por exemplo, um inspetor sanitário tem um nível de risco de lesão no trabalho e de desgaste laboral diferente de um médico veterinário que tem uma função mais administrativa e que está numa sede com um horário das 9h00 às 17h00. Esperamos que a tutela fique sensibilizada; tem ouvido e já se apercebeu que vai ser uma das nossas batalhas.

A outra batalha não diz diretamente respeito à Ordem, porque o nosso estatuto não nos permite abordar situações relacionadas com contratos coletivos de trabalho. Porém, estamos preocupados com a qualidade de exercício da medicina veterinária e com a fixação de médicos veterinários em Portugal, porque muitos deles, na ausência de condições, acabam por emigrar e deixar lacunas. Como tal, queremos sensibilizar os médicos veterinários e empresários para que possam pegar numa associação que já está constituída, a Associação Nacional de Empresas Veterinárias, para que haja uma representação que negoceie com o atual sindicato o contrato coletivo de trabalho.

Depois há a questão dos animais errantes, do abandono animal e do seu controlo, que são situações mais difíceis. Somos a única profissão médica em que as pessoas, além de pagarem o preço do trabalho médico-veterinário, ainda pagam 23% de IVA ao Estado, que é algo que achamos que é profundamente injusto e que acaba por pesar nas finanças.

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