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Estivemos na mansão onde vivem sete dos maiores youtubers portugueses

SirKazzio, Wuant, D4rkFrame, Windoh, Ovelha Nigga, Nuno Moura e Gato Galáctico receberam o Notícias ao Minuto na sua nova casa e falaram sobre o que é ser youtuber e como é ser seguido por milhares de pessoas.

Estivemos na mansão onde vivem sete dos maiores youtubers portugueses

Não iremos abrir a porta. Não iremos tirar fotos. Se tu és fã, respeitas a nossa privacidade”. Não, ninguém nos disse isto. Este é apenas o aviso colado com fita adesiva na porta da (enorme) vivenda onde o Notícias ao Minuto passou uma tarde. Infelizmente, não tivemos tempo para dar um mergulho na piscina ou desfrutar do jardim devido ao tempo cinzento. Porém, conhecemos a casa onde estão a viver sete dos youtubers com mais sucesso em Portugal.

Uns pela cozinha, outros pela sala, somos recebidos com simpatia enquanto percorremos os corredores. Sir Kazzio, Gato Galático, Nuno Moura, D4rk Frame, Ovelha Nigga, Wuant e Windoh são os moradores de uma mansão na Grande Lisboa, que serve também como estúdio para os seus vídeos quase diários.

Vamos analisar a situação tal como ela é: sete rapazes, na casa dos 20 anos, a viver numa casa. A expectativa: desarrumação, roupa espalhada pelo chão e garrafas (de alguma coisa) em cima da mesa. A realidade: tudo arrumado, mais que limpo e sem restos de nada pelas divisões. Na verdade, o estereótipo de um grupo de rapazes a viverem sozinhos pode bem acabar no final desta reportagem e nós vamos dizendo porquê.

Enquanto nos acomodamos na sala para começar a entrevista, Ronaldo (Gato Galáctico) aparece com uma chávena de 'qualquer-coisa-verde' lá dentro que era tão espessa, quase como uma sopa de bebé. Os amigos olham curiosos e ele explica: “É chá. Erva Mate, é mesmo bom”. Durante a conversa, a caneca com a bebida tradicional argentina não saiu da frente do youtuber. 

O anúncio de que estariam a viver numa casa de um milhão de euros surgiu quando estes sete amigos publicaram vídeos da mansão, em cada um dos canais, onde mostram os cantos à casa. No entanto, o valor exato do imóvel não é revelado, assim como não revelam se foi alugada ou comprada. “Pode deixar-se o mistério no ar?”, pergunta Sir Kazzio.

O que mais pode intrigar quando se olha para o fenómeno YouTube é a questão do dinheiro. Todos estes jovens têm um ordenado mensal e, por enquanto, não se queixam da quantia. “É um valor confortável. Dá para pagar as contas e ter um bocado mais para nós e para comprarmos umas coisinhas”, afirma Wuant. “Ajudar a família também”, refere Ovelha Nigga.

“É um valor muito decente tendo em conta as horas que trabalhamos. Muitos acham que não trabalhamos, mas somos como qualquer outro empresário. Estamos constantemente a trabalhar, 24 horas”, relembra Gato Galático.

Todos eles têm milhares de seguidores, mas é Sir Kazzio que ocupa o lugar mais alto do pódio, com mais de quatro milhões. Sendo que os vídeos são vistos maioritariamente por pré-adolescentes e adolescentes, os sete amigos (e também colegas) têm noção do papel influenciador que desempenham. “O essencial é não ser tóxico”, afirma Windoh.

Por vezes há um exagero no que diz respeito a que sejamos nós a educar os filhos de outra pessoa. Sobretudo no tipo de linguagem. Cabe aos pais ensinarem os filhos que palavrões não se usam numa situação formal mas entre amigos não tem grande problema”, alerta Nuno.

Wuant, partilha da mesma visão: “Falo por mim, digo muitas asneiras e às vezes vêm pais ter comigo a dizer-me isso. Às vezes até há miúdos que me dizem ‘não posso ver os teus vídeos porque dizes palavrões’. Mas a culpa não é minha, são os pais que têm de controlar isso.”

"Seguimos modas, criamos modas e há quem siga as nossas"

Apesar de alguns deles terem começado no gaming, como Sir Kazzio, muitos começaram a ver algumas das ‘tendências’ que surgiram em relação ao YouTube. Vídeos mais leves, mais divertidos, começaram a ser vistos pelo público mais novo e eles aproveitaram também isso. 

“Se o que está a bombar hoje é usar uma faca quente, então, pegamos nisso e damos a nossa personalidade. Temos de pensar um pouco em como é que acompanhamos as modas…”, conta Sir Kazzio. Contudo, Wuant intervém: “Nós também criamos modas... Acabamos por seguir, criamos e depois há quem siga as nossas… É como um ciclo.”.

Ser youtuber consiste em ser criativo. Por isso, há que ter cuidado com as ideias exteriores. “Quando se copia é pior, porque as outras pessoas de quem tiramos as ideias sabem isso e vão cair-nos em cima. Se não tivermos nada a acrescentar mais vale não fazer nada.”

Destas sete mentes nascem ideias originais e completamente ‘out of the box’, como: mergulhar numa piscina de coca-cola, ficar submerso numa banheira com Doritos ou levar com um prato com chantilly na cara. No entanto, com as milhares de visualizações vêm também as críticas. Mas, este, já não é um problema para os jovens.

“Deixarmo-nos afetar por miúdos de oito anos (que é o que muitas vezes acontece) é só imaturo. O mais estúpido é chamarem-nos (a mim e ao Wuant) de gordos. Esses insultos ainda irritam mais. Para nos insultarem, que seja de forma criativa”, diz D4rk Frame.

Por vezes, o mais desagradável para os youtubers são as críticas relacionadas com a família, Wuant não esconde o quão difícil pode ser isso. “Antes ficava mais chateado quando insultavam amigos meus ou até a minha namorada. Isto até me habituar, porque é aquela pessoa que queremos proteger de toda a gente e que está a ser atacada. Às vezes, custa um bocado”.

Planos eram outros. Então, qual foi o 'clique'?

Antes de terem de lidar com o sucesso e com a constante produção de vídeos (ainda que não seja um problema), os sete amigos tinham outros planos para si próprios. Isto porque, na altura, o YouTube era ainda apenas um hobby. SirKazzio, por exemplo, queria ser ator. A área do entretenimento seduzia-o, mas acabou por ir para Universidade de Gestão de Turismo. Todos seguiram as áreas de multimédia, informática ou animação e acabaram por entrar no mundo dos vídeos até conseguirem viver disso.

“É uma ideia muito sedutora. Todos se deixam seduzir pela ideia de fazerem o que gostam”, conta Gato Galáctico.

Ainda assim teve de haver o ‘clique’. O ‘clique’ que fez com que decidissem entre as universidades e cursos e dar o salto para o YouTube. Mas quando é que isso se deu? Bem, a resposta surge em uníssono e com algumas gargalhadas à mistura: “A partir do primeiro pagamento”.

“O primeiro pagamento acima do ordenado mínimo permite perceber que dá para fazer vida disto. Com muito esforço e já passados dois anos sem receber nada”, refere SirKazzio.

Com um valor já garantido ao final do mês, foi mais fácil para os pais destes jovens aceitarem que isto seria a sua vida. Contar aos pais que queriam ser youtubers e desistir da faculdade não foi tarefa fácil.

“A minha mãe disse para ir trabalhar para o Continente”, brinca Ovelha Nigga.

“A minha mãe ficou bastante transtornada. Mas quando começou a aparecer o dinheiro, quando comecei a aparecer em sites, revistas e nesse tipo de coisas e a contribuir com dinheiro é que ela mudou de opinião”, conta Windoh.

Wuant, por exemplo, pediu um ano à mãe para poder apostar no YouTube. Apesar de ter ficado desiludida, deu o voto de confiança ao filho e os dois acabaram por se entender. “Eu respeitei porque o sonho de qualquer mãe é ver o filho ir para a Universidade. E eu disse ‘Mãe, o teu sonho devia ser ver-me a viver o meu sonho, a ser feliz’”.

Com o tempo, esta aposta passou a um modo de vida, uma nova realidade que obrigou os sete a avaliarem uma mudança de vida e que os levou a sair das suas casas. Alguns tiveram de abandonar as cidades onde sempre viveram e a deslocar-se para a capital, uma decisão onde as “oportunidades de trabalho” ditaram parte da decisão mas não só.

"YouTube dá tanto stress que não vale a pena andar à batatada"

A partilha de ideias, a necessidade de ter opiniões e críticas construtivas e a colaboração são apenas algumas das vantagens que estes youtubers consideram ter por estarem a viver na mesma casa. Aliás, a própria casa parece ajudar na criação de vídeos uma vez que, como aponta SirKazzio, ficou claro desde a primeira visita. Esta é “uma casa capaz de gerar conteúdo”

Naturalmente, estes não são rapazes incapazes de ‘partir um prato’, até porque já o fizeram. “Um copo, um espelho, a cama”, são alguns dos objetos que não resistiram mas foram os únicos (dizem eles). No entanto, a convivência parece ser fácil. “Acho que está a correr melhor do que qualquer um de nós pensou”, admite Nuno Moura. D4rkFrame acrescenta que “o YouTube já dá tanto stress que nem vale a pena andar aqui à batatada”.

E as miúdas? Novamente, a resposta desafia o estereótipo de sete rapazes a viver juntos numa casa. “Não posso falar disso”, diz-nos o comprometido D4rkFrame. Não é o único, Wuant e Ovelha Nigga também estão fora do ‘mercado’. “O YouTube não atrai só miúdas, atrai toda a gente, atrai interesse”, diz-nos Nuno Moura.

Viver com os amigos e trabalhar a fazer o que se gosta… Vendo as coisas deste ponto de vista, estes youtubers vivem como que num sonho, que é também acompanhado por legiões de fãs - para o bem e para o mal, fazem parte do seu quotidiano. A mudança destes youtubers para a casa significou também uma enchente de fãs. Questionados sobre a quantidade de visitas, D4rkFrame não deixa dúvidas: “Vocês viram o cartaz que está ali à porta?”, pergunta.

Depois de terem autênticas multidões à porta, a decisão de colocar o cartaz parece ter funcionado e a comoção parece ter acalmado. Todos admitem gostar dos fãs mas é Wuant que expressa o sentimento comum: “Nós fartamo-nos de dizer em vídeos: ‘Pessoal, nós gostamos muito de vocês mas por muito que gostemos de vocês nunca vos vamos receber de braços abertos em casa. Sabemos que são fãs e que não nos querem mal mas continuam a ser estranhos, nós nunca vos vimos’. O pessoal olha para nós como amigos e nós também, mas nunca vimos a cara das pessoas. Com o tempo aperceberam-se disso e já está resolvido.”

Ficam histórias divertidas por contar, nomeadamente locais estranhos onde já autografaram. 

Num universo paralelo, se o YouTube chegasse ao fim, o que fariam os sete amigos? “Há mais sites”, nota Nuno Moura. “O meu talento continua o mesmo”, aponta Gato Galáctico. “Eu ia vender gás”, admite Ovelha Nigga.

É Wuant que resume melhor as opiniões de quem não os conhece: “Parecemos putos que não sabemos nada do que estamos aqui a fazer”. A conversa com estes sete youtubers serviu para desmistificar esta ideia. E se depois disto está a começar a pensar em criar um canal no YouTube, lembre-se deste conselho de D4rkFrame: “Quem pensa logo em dinheiro não consegue arrastar uma carreira a longo prazo”.

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