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'The Medium'. Um regresso eficaz ao terror psicológico

Inspirado em ‘Resident Evil’ e ‘Silent Hill’ do antigamente, o novo título é um dos grandes argumentos do Xbox Game Pass.

Chega esta quinta-feira, dia 28, ao serviço de subscrição de videojogos da Microsoft, o Xbox Game Pass, um jogo que deverá fazer as delícias dos fãs de jogos de terror à antiga. Se cresceu com ‘Resident Evil’ e ‘Silent Hill’ então aconselhamos que tente jogar a ‘The Medium’, o mais recente projeto da equipa Blooper Team.

A produtora polaca ficou conhecida por ‘Observer’ e pela série ‘Layers of Fear’, com ‘The Medium’ a servir como a sua afirmação definitiva no género e um dos estúdios que deverão ser seguidos atentamente pelos fãs de títulos semelhantes. Ainda que se note a inspiração direta nas séries da Capcom e da Konami, a Blooper Team conferiu a ‘The Medium’ um ‘twist’ original que acaba por aprofundar ainda mais os elementos que tornaram o género conhecido.

‘The Medium’ tem Marianne como protagonista, uma médium capaz de viajar para o mundo dos espíritos e comunicar com pessoas já falecidas. As capacidades de Marianne são reveladas com grande impacto logo no segmento inicial do jogo, em que tem de lidar com o falecimento do pai adotivo e dono de uma casa mortuária, Jack.

A Blooper Team claramente percebeu o potencial de uma narrativa como a ‘The Medium’ e propõe ao jogador, por exemplo, explorar um hotel abandonado e ficar a conhecer alguns dos seus ocupantes. A tensão é de tal ordem que quase dá para ‘cortar à faca’. O ambiente criado na casa de infância de Marianne transmite uma inquietação singular, com as falas da protagonista a transmitirem uma familiaridade reconfortante ideal para o começo da história.

Notícias ao Minuto© Blooper Team

Um dos factores que mais ajuda à criação desta tensão é a mara fixa. A Blooper Team já admitiu que ‘Silent Hill’ foi uma grande inspiração para ‘The Medium’, algo que é por demais evidente na forma como a produtora faz uso da câmara fixa e de diferentes ângulos para criar dúvida e inquietação no jogador. 

Esta é uma sensação que só é elevada assim que o jogador percebe que pode controlar Marianne nos dois planos de existência em simultâneo, os quais são povoados por objetos e inimigos próprios (já lá vamos). Ao optar por um ângulo de câmara mais aberto, a imaginação de quem está a jogar é estimulada de uma forma muito eficaz e fica sempre a dúvida do que estará escondido no plano de existência contrário ao do jogador. Portanto, terror psicológico de alta qualidade e do qual já não se via há uns anos.

Tal como ‘Resident Evil’ ou ‘Silent Hill’, ‘The Medium’ tem um ritmo mais lento que obriga o jogador a realmente explorar o ambiente em redor e investir em descortinar todos os elementos narrativos e os traumas das personagens. Examinar cada item obtido com cuidado ou ler as cartas e mensagens deixadas por pessoas já falecidas podem parecer tarefas pouco entusiasmantes mas, motivado pela já referida estimulação operada pelos cenários, tornam-se descobertas capazes de incentivar o progresso.

Notícias ao Minuto© Blooper Team

Sendo um jogo de terror com inspiração direta em ‘Silent Hill’, ‘The Medium’ tem os obrigatórios ‘puzzles’ que, com dois planos de existência diferentes, são um pouco mais complexos do que combinar itens e encontrar chaves com formas distintas.

Nos primeiros ‘puzzles’ de ‘The Medium’ é pedido ao jogador que, para conseguir abrir um portão sem energia elétrica, recolha no plano espiritual um pedaço energia que serve de solução. De repente, o jogador será capaz de levar Marianne a realizar uma projeção astral, tendo mais 'margem de manobra' para conseguir explorar sem as limitações do mundo dos vivos. Felizmente, a Blooper Team entendeu a necessidade de tornar esta habilidade apenas temporária, conferindo assim um pouco mais de complexidade e exibindo mais atenção dos jogadores.

Claro está, ‘The Medium’ não é só puzzles e oferece momentos de maior tensão, em que o jogador terá de fugir ou esconder-se de inimigos grotescos como só um jogo de terror psicológico é capaz de recriar. Ainda assim, 'The Medium' é um jogo assente sobretudo em narrativa e, para os interessados, é importante que tenham isso em mente.

Notícias ao Minuto© Blooper Team

O regresso do compositor de 'Silent Hill'

Quanto ao grafismo, ‘The Medium’ é uma experiência mista, capaz de apresentar pormenores tão ricos como elementos que, do ponto de vista criativo, talvez pudessem ser melhor aproveitados. Os ambientes no mundo dos mortos são suficientemente bem recriados para serem inquietos e soturnos, exibindo sombras de figuras invisíveis a ampliarem ainda mais o sentimento de que nem tudo é o que parece à primeira vista.

Por outro lado, por muito aterrorizadores que sejam os cenários do mundo dos espíritos nas primeiras horas, fica a sensação de que algo podia ter sido feito pela Bloober Team para os tornar um pouco mais criativos. A produtora indicou o trabalho do pinto polaco Zdzislaw Beksinski como outra das suas inspirações e, ainda que tal referência fique clara, fica também a sensação de que algo mais podia ter sido feito. Em certas ocasiões, os tons amarelados do mundo dos espíritos fazem lembrar o filme ‘Constantine’ de 2005, algo que não é particularmente negativo mas apenas que já foi visto anteriormente. O maior impacto dos cenários está na forma como as duas versões - do mundo real e dos espíritos - são mostradas em simultâneo e o contraste nunca deixa de causar impacto.

Ficamos com a mesma sensação de que algo podia ter sido feito para tornar as expressões faciais de Marianne um pouco mais realistas. A prestação da atriz é convincente e transforma Marianne uma personagem que tem, automaticamente, o apoio do jogador e é uma pena que o departamento gráfico não tenha conseguido acompanhar. No departamento vocal também temos de fazer referência a Troy Baker, ator por esta altura incontornável no mundo dos videojogos e que volta a servir de argumento para tornar ‘The Medium’ um dos primeiros grandes títulos de 2021.

Impossível não referir também a participação de Akira Yamaoka na banda sonora. O compositor original da série ‘Silent Hill’ faz a sua presença ser notória, polvilhando de forma bem-sucedida os vários momentos do jogo e ausentando-se quando tal é necessário. Mais uma vez, nota-se que as escolhas da Blooper Team não foram uma coincidência mas sim um trabalho de alguém com real apreciação pelo género.

Notícias ao Minuto© Blooper Team

Considerações finais

Esta apreciação pelo género é um dos elementos que incentiva o jogador a progredir na história de Marianne. Mesmo que ‘Resident Evil’ tenha seguido por outras direções e ‘Silent Hill’ esteja (de momento) adormecido, a Blooper Team teve a coragem de voltar atrás e recuperar a câmara fixa e o esquema de controlo. Ainda que estes elementos clássicos tenham sido apontados por alguns críticos como os motivos que levaram à ‘queda’ do género survival horror há umas gerações atrás, é bom ver que a Blooper Team está disposta a provar o contrário.

Pontos fortes

- Prestação vocal da protagonista

- Puzzles que obrigam o jogador a mudar entre mundo real e dos espíritos

- mara fixa que amplia terror psicológico

- Pormenores gráficos que...

Pontos fracos

- ... podiam ajudar a sobressair certas áreas

Ideal para…

É difícil encontrar motivos para não experimentar ‘The Medium’ quando o jogo ficará disponível automaticamente, no dia de lançamento, para todos os subscritores do Xbox Game Pass, tanto nas consolas Xbox como no PC. Se alguma parte da análise lhe aguçou a curiosidade, se é um fã de longa data dos ‘Resident Evil’ e ‘Silent Hill’ mais antigos e é apreciador de terror psicológico, então aconselhamos que subscreva o serviço da Microsoft e experimente ‘The Medium’.

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