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'Resident Evil 3'. Um bom 'remake' que não atinge (todas) as expetativas

O ‘remake’ será certamente apreciado pelos fãs que, no entanto, poderão ficar frustrados com algumas decisões tomadas pela Capcom.

Dizer que o ‘remake’ de ‘Resident Evil 2’ esteve ao nível das expetativas não é inteiramente justo com o trabalho da Capcom. O título lançado em 2019 foi considerado um dos melhores do ano, tido como uma celebração do que tornou o original um clássico e um dos mais elogiados da icónica série.

A Capcom decidiu então dar o mesmo tratamento a ‘Resident Evil 3’, uma decisão que acabou por ser bem-recebida pelos fãs, desejosos de ver uma versão moderna do reconhecível vilão do jogo: o temível Nemesis. O resultado é agri-doce e, por muito bom que seja desfrutar de ‘Resident Evil 3’, fica claro que se trata de um trabalho menos bem conseguido do que o ‘remake’ de ‘Resident Evil 2’.

Sendo completamente honestos, nunca jogámos ao original e, portanto, é impossível entrar em comparações mais aprofundadas sobre os elementos das dua versões. Apenas é possível falarmos sobre o que jogámos neste ‘remake’ com apenas algum conhecimento de fundo do que tornou o original tão amado pelos fãs.

Ao contrário do antecessor, ‘Resident Evil 3’ tem apenas uma protagonista sob forma de Jill Valentine. Presente nos acontecimentos do primeiro título, nas Arklay Mountains, Jill não é uma novata a lutar contra as aberrações da Umbrella como Leon Kennedy e Claire Redfield mas sim uma combatente experimentada e determinada. Jill Valentine acabou por ser a maior surpresa de ‘Resident Evil 3’, mostrando ser uma personagem marcante ao que muito ajuda a atuação.

Mesmo Carlos Oliveira não é tão secundário como se previa. Jogável em alguns segmentos, Oliveira começa como um soldado da Umbrella mas, à medida que se vai confrontando com as ações da empresa que representa, vai questionando o que se passa à sua volta e tem o desenvolvimento mais interessante do jogo.

O enredo de ‘Resident Evil 3’ tem lugar um pouco antes de ‘Resident Evil 2’, quando Raccoon City está em estado de sítio com multidões de zombies, incêndios e o pânico generalizado. Não se trata de um jogo soturno como ‘Resident Evil 2’ mas sim mais caótico e pulsante. Esta é uma mudança bem clara nos instantes iniciais do jogo, quando Nemesis irrompe pelo apartamento de Jill e deixa claro que será uma ameaça temível. Tão temível como esperávamos? Nem tanto.

Um vilão sem justiça

Nemesis tornou-se um dos maiores vilões de ‘Resident Evil’. Memorável não só pelo pelo aspeto aterrador como também pela imprevisibilidade ao surgir nos momentos menos oportunos para dar caça ao jogador, sem nunca desistir. Nemesis ainda persegue o jogador neste ‘remake’ e é implacável nesse objetivo mas ficou de fora o elemento surpresa.

O ‘Resident Evil 3’ de 2020 é um jogo mais cinemático e controlado do que (aparentemente) o original, com o Nemesis a surgir apenas em situações pré-determinadas que, por muito aterradoras que sejam, dão alguma paz de espírito ao jogador, que sabe que não terá de lidar de forma inesperada com a criatura. É então possível explorar os cenários e procurar recursos com alguma calma e tranquilidade, o que desafia o espírito que tornou o original tão icónico.

Nunca tendo jogado a ‘Resident Evil 3’ original, é uma pena não termos a ‘experiência Nemesis’ neste ‘remake’ e, sobretudo, ver que a Capcom não aproveitou a oportunidade para explorar um pouco mais a história de fundo da criatura. Na verdade, ligeiramente a meio do jogo, Nemesis muda de forma e, por muito horripilante que seja, fica claro que não voltará a ser uma presença tão recorrente quanto isso. Em determinada fase deste ‘remake’ até se poderá esquecer que ele existe, o que rouba um pouco o espírito original do jogo.

A narrativa de ‘Resident Evil 3’ é muito mais focada que a do antecessor. Enquanto que em ‘Resident Evil 2’ a Capcom aproveitou a oportunidade para elaborar mais alguns detalhes, áreas e personagens - oferecendo ainda duas campanhas distintas - em ‘Resident Evil 3’ houve uma ‘economia’ excessiva. Temos consciência que o original também tinha uma duração curta mas, ainda assim, terminar o jogo em cinco horas pode ser um pouco rápido demais.

A duração não é propriamente um problema. Com tantos jogos no mercado é bom saber que temos uma experiência mais compacta, sobretudo quando o jogo foi criado para incentivar o jogador a completar a campanha várias vezes. No final de cada uma, o jogador recebe uma pontuação e também itens extra, que torna a campanha mais rápida e oferece mais possibilidades.

No entanto, temos conhecimento de que um dos elementos mais característicos de ‘Resident Evil 3’ eram as ramificações do enredo, um pormenor que desapareceu neste ‘remake’ e que poderia incentivar ainda mais a essa repetição da campanha dado que ofereceria aos jogadores alguns detalhes adicionais sempre que repetissem o jogo. As mudanças feitas ao Nemesis e à forma como a campanha está organizada tornam-se, portanto, um pouco frustrantes e difíceis de justificar.

Grafismo de luxo

Nada disto é um desprimor à qualidade de ‘Resident Evil 3’ enquanto ‘remake’ ou sequer enquanto jogo. As personagens estão melhor desenvolvidas, o enredo continua fascinante para os fãs da série e há mais inimigos para defrontar em simultâneo com ajuda de múltiplas armas de fogo.

As munições são mais fáceis de encontrar (dependendo da dificuldade) e, ainda que seja útil para eliminar os inimigos, vai levar a decisões difíceis na gestão do inventário. Felizmente pode sempre encontrar bolsas que conferem espaço extra, pelo que terá de explorar os cenários com atenção para que não lhe falte nada.

Notámos também uma excelente adição à jogabilidade que permite a Jill Valentine esquivar-se de inimigos e a Carlos aplicar um valente murro. Dada a maior quantidade de inimigos no jogo, esta é uma adição bem-vinda e que está suficientemente equilibrada para não retirar o perigo das situações. Na verdade, só poderá fazê-lo dominando o timing necessário, o que levará a situações em que será atacado pelas criaturas.

Temos também de falar do grafismo e, temos gosto em dizê-lo, os cenários estão mais detalhados do que nunca graças ao motor de jogo da Capcom, o RE Engine. O grafismo torna ‘‘Resident Evil 3’ um verdadeiro luxo visual que frequentemente levará os jogadores a parar e admirar os corredores e inimigos. Os elogios que podemos fazer relativamente ao motor de jogo da Capcom não serão demais e mal podemos esperar por ver o que a editora japonesa fará com a nova geração.

Notámos, porém, algumas animações menos trabalhadas em inimigos mais distantes mas, quando tiver outras ameaças nas imediações, certamente não perderá tempo a olhar para eles.

Considerações finais

Com o sucesso do ‘remake’ de ‘Resident Evil 2’, era praticamente inevitável que a Capcom desse o mesmo tratamento a ‘Resident Evil 3’. O resultado final é maioritariamente positivo na medida que, tanto na história como na jogabilidade, a Capcom foi bem-sucedida em criar um título de qualidade que deixará o jogador ansioso por mais.

E parte do problema é precisamente esse. ‘Resident Evil 3’ é bom, tão bom que cinco horas de jogo é pouco para ‘saciar’ a vontade de continuar neste universo. Podíamos voltar a completar a campanha mas, quando vimos tudo o que o jogo tinha para oferecer, é difícil justificá-lo, sobretudo quando ‘Resident Evil 2’ está no mercado e é (significativamente) mais barato.

Podíamos também escolher experimentar o modo online ‘Resident Evil: Resistance’, que coloca quatro jogadores a tentar sobreviver ao cenário manipulado por um quinto jogador. Acreditamos que seja divertido mas, para o contexto desta análise, não considerámos relevante levá-lo em conta visto que tem uma proposta tão diferente em forma e conteúdo da campanha. Por outras palavras, duvidamos que quem jogue à campanha e queira mais, vá considerar este modo online uma proposta viável.

Da próxima, talvez a Capcom queira considerar integrar o modo cooperativo Mercenaries ou, talvez, usar os recursos aplicados neste modo para desenvolver melhor a história original.

Pontos fortes

- Jill Valentine e Carlos Oliveira;

- O enredo e o caos de Raccoon City;

- Jogabilidade equilibrada e com grande controlo;

- Grafismo rico em detalhades;

Pontos fracos

- Nemesis não é imprevisível como se esperava

- Duração prejudicada por cortes no conteúdo

Ideal para…

Os fãs de ‘Resident Evil 3’ que queiram recordar o original ficarão certamente satisfeitos por ver Raccoon City nas suas últimas horas e Jill Valentine na sua melhor forma. Fica no entanto o aviso que esta é uma experiência mais cinemática e controlada, onde Nemesis não é uma ameaça tão grande como no original.

Quem nunca jogou a ‘Resident Evil 3’ é quem vai conseguir apreciar melhor o jogo, dado que terá um primeiro contacto com a história e poderá sentir vontade de experimentar ‘Resident Evil 2’. Se ainda não o tiver feito, é uma boa forma de permanecer por mais tempo neste universo.

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