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LHC: Do maior sistema de computação em grelha às redes sociais

A quantidade de dados gerada pelas colisões de partículas no maior acelerador do mundo levou à criação do maior sistema de computação em grelha, do qual se 'servem' redes sociais como o Facebook ou o Twitter para processarem informação.

LHC: Do maior sistema de computação em grelha às redes sociais
Notícias ao Minuto

16:12 - 08/09/18 por Lusa

Tech CERN

O chamado modelo de computação em grelha permite maximizar o processamento de dados dividindo a tarefa por diversos computadores localizados em diferentes centros de processamento, como se de uma única máquina gigantesca se tratassem. Os computadores podem estar ligados em redes de vários tipos, incluindo local ou de longa distância.

A 'grelha' do LHC (Large Hadron Collider, Grande Colisionador de Hadrões) foi lançada em 2002, seis anos antes da entrada em funcionamento do acelerador, antevendo-se o volume de dados que teria de ser processado. Por segundo, ocorrem mil milhões de colisões de partículas (protões e iões pesados).

Gaspar Barreira, delegado científico de Portugal no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), que opera o acelerador, recua mais no tempo.

"Há 20 anos sabíamos que o LHC iria precisar de cerca de um milhão de processadores de dados", sublinha à Lusa.

Foi preciso então inventar um "novo paradigma de computação" que permitisse distribuir e processar grandes quantidades de informação, tarefa, assinala o cientista, difícil de manter com um megacomputador num só edifício.

Para construir o novo modelo de computação, o CERN baseou-se na tecnologia da World Wide Web, a maior rede de computadores interligados inventada no laboratório em 1989.

Hoje, a Worldwide LHC Computing Grid é o maior sistema de computação em grelha do mundo, agrega mais de 170 centros computacionais de 42 países, incluindo Portugal, que processam 25 milhões de gigabytes de dados produzidos anualmente pelas experiências feitas no acelerador de partículas. A informação tratada é disponibilizada quase em tempo real a uma comunidade de mais de oito mil físicos.

Gaspar Barreira, que participou na conceção do modelo de computação do LHC, conta que a tecnologia é hoje usada para processar informação nas redes sociais Facebook, Twitter ou Instagram e nas páginas de comércio eletrónico eBay ou Amazon.

O ex-presidente do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) realça que a supercondutividade que funciona no acelerador é a mesma que faz andar os comboios de levitação magnética (Maglev), que circulam mais rápido do que as composições de alta velocidade.

Em Xangai, na China - onde existe desde 2004 a única linha comercial do mundo, que faz um trajeto de 30 quilómetros até ao aeroporto da cidade em sete a oito minutos - o comboio 'Maglev' pode chegar à velocidade máxima de 431 quilómetros por hora. O recorde pertence a um 'Maglev' que em 2015 atingiu 603 quilómetros por hora num teste no Japão.

O campo magnético que guia este tipo de comboios, que não têm contacto com a linha, pode ser gerado por ímanes supercondutores (que existem também no LHC e orientam as partículas no seu percurso no acelerador). Estes ímanes são arrefecidos a temperaturas muito baixas para evitar perdas e resistências de energia.

Gaspar Barreira, membro do fórum do CERN para aplicações médicas e coordenador do grupo de trabalho para a terapia com protões em Portugal, destaca a utilidade da colisão destas partículas feita no acelerador no tratamento do cancro.

A terapia recorre ao disparo de feixes de protões para eliminar cirurgicamente certos tumores, como os da cabeça, dos pulmões ou do estômago, sem causar danos nas células normais.

Neste caso, os feixes de protões, que no LHC colidem uns contra os outros e a altas energias, chocam contra um alvo, o tumor, e a uma energia mais baixa.

Em Portugal espera-se que a primeira máquina para tratar doentes com cancro com feixes de protões possa estar operacional no Serviço Nacional de Saúde em 2021, em Bobadela, Loures.

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