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"Inaceitáveis". As palavras de Marcelo que estão a dar (muito) que falar

Partidos manifestaram choque com as declarações do Presidente da República sobre Montenegro e Costa. PS e PSD optaram, para já, pelo silêncio.

"Inaceitáveis". As palavras de Marcelo que estão a dar (muito) que falar
Notícias ao Minuto

23:39 - 24/04/24 por Tomásia Sousa com Lusa

Política Presidente da República

As palavras do Presidente da República sobre o atual e anterior primeiros-ministros chocaram a classe política - da Esquerda à Direita - com acusações de "preconceito" e "mau gosto".

Bloco, Livre e PAN consideraram que Marcelo Rebelo de Sousa deveria retratar-se das declarações que fez sobre Luís Montenegro - que o chefe de Estado considerou ter "comportamentos rurais" - e sobre António Costa - que acusou de "ser lento, por ser oriental".

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes, e a deputada do PAN Inês Sousa Real lamentaram sobretudo as referências "de mau gosto e preconceituosas" de Marcelo Rebelo de Sousa sobre ruralidade, que atribuiu a Luís Montenegro, e também sobre uma alegada influência "oriental" na conduta pessoal de António Costa.

Na perspetiva de Mariana Mortágua, as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa "não estão à altura do cargo que ocupa", revelaram "preconceito em relação ao mundo rural", tendo usado "expressões que manifestam classismo".

"Era muito importante que o Presidente da República se pudesse retratar. Não foi só uma questão de mau gosto, não é só uma má forma de expressar a relação entre o Presidente da República e o chefe do Governo, é também uma manifestação de preconceito, de discriminação e de classismo", acentuou.

A líder parlamentar do Livre manifestou-se chocada com as declarações vindas a público do Presidente da República.

"Lembramos que o Presidente da República representa a unidade do país, representa todas as pessoas em Portugal, todos os portugueses, de norte a sul, do oriente ao ocidente, da ruralidade ao litoral. Por isso, choca-nos que estas declarações tenham sido proferidas, já que servem para alimentar preconceitos - e não pode acontecer o Presidente da República alimentar preconceitos e contribuir para uma polarização maior da sociedade portuguesa", declarou.

Estas posições foram transmitidas aos jornalistas, na Assembleia da República, em reação a recentes palavras proferidas por Marcelo Rebelo de Sousa na terça-feira, durante um jantar com jornalistas da Associação de Imprensa Estrangeira em Lisboa.

Para a deputada do PAN Inês de Sousa Real as palavras do chefe de Estado foram infelizes", destacando as adjetivações de que foram alvo não só o atual primeiro-ministro como o ex-primeiro-ministro.

"O Presidente da República deve representar todas e a todos, independentemente de pertencermos ao meio urbano ou rural, ou independentemente da nossa origem, em particular, no caso, fazendo referências a quem é do oriente. Para o PAN, é fundamental que possamos promover um maior respeito interinstitucional e, nesse sentido, não podemos deixar de repudiar as declarações", afirmou.

Hoje, o Presidente da República confirmou as afirmações que lhe foram atribuídas num jantar com jornalistas estrangeiros na terça-feira, mas considerou que não fez apreciações ofensivas e que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "vai surpreender".

O líder da Iniciativa Liberal (IL), Rui Rocha, também fez referência às polémicas declarações do Presidente, nas redes sociais, frisando apenas que já viveu em Espinho.

Carlos Guimarães Pinto, também da IL, comentou que "Montenegro até cresceu na parte mais urbana do concelho de Espinho" e acrescentou: "Agora imaginem se ele tivesse crescido na aldeia de Paramos."

A deputada socialista Isabel Moreira confessou-se chocada e "em estado de negação" com as palavras de Marcelo.

"Quero encontrar uma 'desculpa' para estas declarações. Mas objetivamente não podemos deixar de as ler e das ouvir. São reais. São inaceitáveis. São indignas. Nem sei bem como se pede desculpa. E desculpa-se?", questionou.

Na ótica da deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua, "se o Presidente não consegue estar ao pé de jornalistas sem fazer comentários preconceituosos e impróprios, é preferível que se feche em Belém".

O economista e eurodeputado do Bloco de Esquerda José Gusmão escreveu apenas que Marcelo "não está em condições de exercer este cargo".

Também do Bloco de Esquerda, Nelson Peralta considerou que o facto de o chefe de Estado ter usado a palavra "'rural' como depreciativo sobre Montenegro" é um "bom retrato das elites do país".

Os presidentes dos grupos parlamentares do PSD, Hugo Soares, e do PS, Alexandra Leitão, recusaram-se a comentar o caso, apesar de o chefe de Estado ter feito referências a Luís Montenegro e a António Costa. A mesma opção seguida por PSD e PS teve o deputado do PCP António Filipe.

Leia Também: Marcelo diz que Montenegro tem "comportamentos rurais" e Costa é "lento"

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