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Alegre homem de contrates entre "progressista e conservador de bom gosto"

  O antigo presidente da Assembleia da República Jaime Gama definiu hoje o histórico socialista Manuel Alegre como homem de contrastes, um progressista que se idealizou grande revolucionário, mas, simultaneamente, um conservador inteligente e de bom gosto.

Alegre homem de contrates entre "progressista e conservador de bom gosto"
Notícias ao Minuto

21:21 - 15/04/24 por Lusa

Política Manuel Alegre

Esta posição foi defendida pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de governos de Mário Soares e de António Guterres na apresentação do mais recente livro de Manuel Alegre, intitulado "Memórias minhas", na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Uma sessão em que estiveram presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ex-primeiro-ministro António Costa, o antigo chefe de Estado Ramalho Eanes, o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, entre outras personalidades.  

"Manuel Alegre é um homem de contrastes, porque é um homem progressista, ele idealizou-se como um grande revolucionário. É também um conservador, um conservador inteligente e de bom gosto, porque o que ele pratica e escreve sobre a pesca, sobre o tiro, sobre a caça, sobre as mulheres não deixa de revelar também essa contradição, resolvida ou não resolvida, e que faz com que a sua poesia tenha sido cantada desde Adriano Correia de Oliveira até Amália Rodrigues, João Braga, Carminho, Cristina Branco e outros", apontou Jaime Gama.

Na sua intervenção, Jaime Gama considerou que o escritor, poeta e presidente honorário socialista "é capaz de encantar pela sedução não apenas as pessoas que gravitam no seu campo político, na sua fratria política, mas também no campo adverso, gerando aí tentações interessantes, elas todas também motivadas por um amor ao país, por um amor à pátria, por um amor à língua portuguesa, por um amor à poesia, à canção, ao fado como canção portuguesa".

Para Jaime Gama, Manuel Alegre é "um homem de grandes ruturas e de dissidências, que se coloca a si próprio quase como um radical da dissidência".

Segundo o antigo presidente da Assembleia da República, "estas memórias são uma paz dos bravos", em que Alegre coloca "num grande panteão figuras com quem ele teve relações de amizade e de conflito, como Álvaro Cunhal, como Mário Soares" e no qual "ele é também um personagem".

"Porque Manuel Alegre é o maior criador de Manuel Alegre. Estas memórias são simultaneamente a obra de um grande memorialista que escreveu porque viveu, mas de um talentoso ficcionista. O talentoso ficcionista que escreveu o melhor romance sobre a sua própria vida", acrescentou.

Antes, Isabel Soares, filha do antigo Presidente da República Mário Soares, disse ter lido "com sofreguidão e quase num fôlego" o livro de memórias de Manuel Alegre.

Isabel Soares lembrou sobretudo o combate que o seu pai e Manuel Alegre travaram pela consolidação da democracia em Portugal -- um combate que ela própria testemunhou e em que também participou.

"Vivi esses tempos do Período Revolucionário em Curso (PREC) sempre com o meu pai e o Manuel Alegre, foram tempos apaixonantes, únicos e irrepetíveis, em que se jogava tudo a todo o momento", disse.

Neste contexto, deixou uma nota sobre o presente: "A falta de memória é gritante e a reescrita da História do meu ponto de vista perigosa. E este 'Memórias minhas' é um livro fundamental também por isso mesmo".

Sobre a rutura de alguns anos entre Mário Soares e Manuel Alegre, depois de os dois se terem defrontado nas eleições presidenciais de 2006, Isabel Soares salientou essa "rutura dolorosa entre eles".

"E digo-o pelo meu pai que já estava quase no final da vida. Mas a História tem sempre duas versões, e eu sempre defendi que foram ambos enganados. O Manuel Alegre e o meu pai partilharam décadas de combates, amizades e cumplicidade. Tiveram discussões acaloradas, disputas homéricas, desavenças políticas, como ele próprio escreve neste livro", apontou.

No entanto, para Isabel Soares, a Alegre e ao seu pai, Mário Soares, o que os uniu foi sempre mais importante do que o que os dividiu.

"Quando o meu pai adoeceu gravemente, o Manuel [Alegre] foi o primeiro a ligar-nos com toda a ternura e preocupação. Nunca esquecerei esse gesto e quando ficou melhor reataram a amizade tal como se a tivessem deixado na véspera", acrescentou.

Leia Também: "É urgente uma cultura de memória" contra a "desconstrução da democracia"

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