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De "cowboy do Twitter" a investigado pelo MP. Eis as polémicas de Galamba

António Costa segura João Galamba no Governo, apesar da sucessão de controvérsias que o ministro das Infraestruturas soma.

De "cowboy do Twitter" a investigado pelo MP. Eis as polémicas de Galamba
Notícias ao Minuto

09:33 - 03/05/23 por Natacha Nunes Costa

Política João Galamba

João Galamba coleciona polémicas. Mesmo antes de ser ministro, o responsável pela pasta das Infraestruturas já somava episódios controversos. De insultos nas redes sociais a conflitos com jornalistas, o socialista, que já foi apelidado de "cowboy do Twitter", é perito a gerar burburinho. Mas desta vez, perante a turbulenta exoneração do adjunto do ministro das Infraestruturas, Frederico Pinheiro, a polémica subiu de tom e a cadeira tremeu. Valeu-lhe António Costa que o segurou. Sozinho.

Mas esta não é a primeira vez que um primeiro-ministro lhe dá a mão. A ascensão dentro do Partido Socialista (PS) foi feita a reboque do antigo primeiro-ministro José Sócrates. No entanto, quando este foi acusado de vários crimes de corrupção e lavagem de dinheiro (entre outros), Galamba virou-lhe as costas e afirmou sentir-se "envergonhado" com o comportamento do ex-líder, algo que foi visto como um sinal de ingratidão e muito comentado.

"Estrume só mesmo essa coisa asquerosa"

Já no Governo, acumulou incidentes nas redes sociais. Comprou guerras com jornalistas e insultou utilizadores do Twitter. Em maio de 2021, quando ocupava o lugar de secretário de Estado do Ambiente e da Energia, João Galamba criticou, no Twitter, com palavras impróprias, o programa da RTP 'Sexta às Nove', depois de uma reportagem sobre a exploração de lítio.

"Lamento, estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada 'um programa de informação'. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito", escreveu.

O tweet acabou por ser apagado, mas não sem antes ser noticiado. A publicação foi repudiada pela RTP, que considerou que as palavras de Galamba desrespeitavam a "liberdade de informação". CDS e PSD chegaram mesmo a pedir a demissão do responsável. Mas este continuou no cargo.

"Vai para o c*r*lho e desaparece"

No dia 6 de junho, João Galamba voltou a esquecer-se do pedido de António Costa de que "nem à mesa do café [os governantes] podem deixar de se lembrar que são membros do Governo" e enviou um conjunto de mensagens privadas insultuosas a um utilizador do Twitter com quem tinha discutido publicamente. Na origem do desentendimento estavam as consequências da guerra na Ucrânia.

Nas mensagens, entretanto expostas nas redes sociais, o agora ministro dizia, entre outras coisas, que o pai tinha sido torturado por fascistas da Pide e que se lesse "essa pouca vergonha", só diria "vai para a p*ta que te pariu fascista de m*rda". Mas Galamba não se fica por aqui. "Desaparece. Tenho nojo de tudo o que escreves. Não me voltes a dirigir a palavra. És mesmo uma vergonha, fascista. Vai para o c*r*lho e desaparece", lê-se ainda na mesma partilha.

Concessão da exploração de lítio em Montalegre

Mas nem só da impulsividade nas redes sociais vivem as polémicas de Galamba. Em outubro de 2019, o caso da concessão da exploração de lítio em Montalegre a uma empresa com capital social de mil euros, constituída três dias antes do contrato, fez correr muita tinta. O então secretário de Estado escudou-se na lei e numa decisão do Governo anterior PSD/CDS para responder às críticas e notícias.

Investigação por "tráfico de influências e corrupção"

Pouco depois, Galamba volta a causar consternação no Executivo de António Costa. Quando ainda era secretário de Estado da Energia foi investigado pelo Ministério Público (MP), assim como Pedro Siza Vieira, então ministro da Economia, por suspeita de "indícios de tráfico de influências e de corrupção entre outros crimes económico-financeiros", relacionados com o projeto de hidrogénio verde de Sines.

Na altura, fez um comunicado a dizer que tencionava "apresentar queixa-crime contra a denúncia caluniosa" e que ia "transmitir à Procuradoria Geral da República a sua total disponibilidade para prestar os esclarecimentos necessários". Contudo, até hoje, nada mais se soube sobre a investigação.

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