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Interconexões ibéricas? "Mau acordo" que "prejudica o interesse nacional"

Na ótica de Paulo Rangel, António Costa não devia ter aceitado o acordo "em nome de Portugal".

Interconexões ibéricas? "Mau acordo" que "prejudica o interesse nacional"
Notícias ao Minuto

12:14 - 22/10/22 por Ema Gil Pires com Lusa

Política Gasoduto

O vice-presidente do PSD, Paulo Rangel, considerou este sábado que o acordo alcançado, na quinta-feira, pelos governos de Portugal, França e Espanha para acelerar as interconexões ibéricas é um "mau acordo", que "prejudica o interesse nacional".

"Quando o Primeiro-Ministro tentou explicar o novo acordo, percebemos que o Acordo anunciado entre o Presidente francês e os Primeiros-Ministros Espanhol e Português prejudica o interesse nacional, é um mau acordo, e António Costa nunca o deveria ter aceitado", destacou ainda o social-democrata, numa declaração à imprensa feita a partir da Sede Nacional do PSD.

Em causa está, elaborou Paulo Rangel, um "filme parecido com o que vimos com o corte de pensões de mil milhões de euros, António Costa voltou a aparecer a fazer anúncios triunfais sobre os supostos benefícios, enquanto escondia e omitia as perdas graves que este acordo tem para Portugal".

Na ótica do político, é ainda "inaceitável" que, "diante de um insucesso, agora evidente", o primeiro-ministro tenha vindo a exibir um tal "triunfalismo, uma encenação desta natureza", tal como no caso do "corte de pensões. Na sua perspetiva, a atuação de António Costa relativamente a estas temáticas "desqualifica a democracia e fomenta os populismos". E acrescentou: "A gravidade deste acordo, cujo texto ninguém conhece [...], está muito para lá desta falta de verdade política".

Para Paulo Rangel, este é um "mau acordo acordo para Portugal por duas razões fundamentais". Primeiro, "porque caíram os compromissos firmes, calendarizados e financiados, desde 2014, para a construção de duas interligações elétricas nos Pirenéus".

"Para Portugal aquelas duas interligações elétricas eram muito mais importantes que qualquer ligação de gás, e mais ainda que uma troca de gasodutos que secundariza o terminal de Sines. O transporte de gás importado, podendo ser útil, mas é muito menos interessante para Portugal do que para Espanha", assinalou.

Mas também no que diz respeito à dimensão das "interligações do gás" este acordo não é favorável para o país, "porque faz uma troca de gasodutos que menoriza o terminal de Sines".

"O abandono da interligação dos Pirinéus, o Midcat, pela nova interligação entre Barcelona e Marselha, o BarMar, valoriza os terminais de gás espanhóis de Barcelona e Valência, e faz com que o porto de Sines perca importância estratégica", justificou.

Em causa está o acordo anunciado por António Costa entre Portugal, Espanha e França alcançado na quinta-feira, em Bruxelas, durante uma reunião dos líderes dos governos dos três países, que prevê avançar com um "corredor de Energia Verde", por mar, entre Barcelona e Marselha (BarMar) em detrimento de uma travessia pelos Pirenéus (MidCat).

O PSD exige ainda a detalhada dos termos do acordo e uma avaliação técnica independente das suas consequências", pelo que irá promover "todas as diligências ao seu alcance na Assembleia da República e junto das instituições europeias".

Para o vice-presidente dos sociais-democratas é essencial saber quanto vai custar o projeto a Portugal e como irá ser financiado, assim como qual o prazo de execução.

Paulo Rangel defendeu que "o acordo, sem prazo e sem preço, não serve o interesse europeu e não serve o interesse nacional".

"Trocámos o valor das nossas renováveis e o potencial do porto de Sines por um prato de lentilhas. Dito de modo popular, passamos de cavalo para burro", disse.

Paulo Rangel argumentou que existiu uma desvalorização estratégica dos ativos portugueses.

"Ganhou o nuclear e França na eletricidade e ganhou Espanha e porto de Barcelona no gás", enquanto "Portugal ficou para trás", porque "perdeu nas duas dimensões".

Paulo Rangel acrescentou que "mesmo a questão do hidrogénio verde suscita as maiores dúvidas", uma vez "é preciso adaptar toda a rede" e "nada se sabe sobre isto".

O vice-presidente do PSD considerou que António Costa estava "num beco sem saída", questionando se a assinatura do acordo estará relacionada com eventuais "ambições europeias" do primeiro-ministro.

António Costa, Pedro Sánchez e Emmanuel Macron decidiram esta quinta-feira avançar com um "Corredor de Energia Verde", por mar, entre Barcelona e Marselha (BarMar) em detrimento de uma travessia pelos Pirenéus (MidCat).

O calendário, as fontes de financiamento e os custos relativos à execução do corredor verde BarMar serão debatidos num novo encontro a três em dezembro, em Alicante, Espanha.

De acordo com o texto acordado, a que a Lusa teve acesso, os ministros da Energia dos três países -- que também estiveram presentes na reunião -- irão começar imediatamente o trabalho preparatório para avançar com o BarMar e também sobre o reforço das interligações elétricas entre Espanha e França, "em ligação estreita com a Comissão Europeia".

Os dois primeiros-ministros ibéricos e o Presidente francês acordaram ainda na necessidade de "concluir as futuras interligações de gás renovável entre Portugal e Espanha, nomeadamente a ligação de Celorico da Beira e Zamora (CelZa)".

As infraestruturas que serão criadas para a distribuição de hidrogénio "deverão ser tecnicamente adaptadas para transportar outros gases renováveis, bem como uma proporção limitada de gás natural como fonte temporária e transitória de energia".

António Costa considerou que o acordo permite "ultrapassar um bloqueio histórico" relativamente às interconexões ibéricas para gás e eletricidade.

[Notícia atualizada às 13h08]

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