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Alterações ao trânsito? "Parece país de crianças. Vivemos nos apanhados"

O socialista teceu duras críticas à proposta do Livre sobre o trânsito lisboeta, acusando o líder do partido, Rui Tavares, de ser "um chato por natureza". Este, por sua vez, atirou que "um deputado serve para ser um chato que ajude a resolver os problemas das pessoas".

Alterações ao trânsito? "Parece país de crianças. Vivemos nos apanhados"

"Se não fosse trágico para quem conduz em Lisboa, dava vontade de rebolar a rir". Foi desta forma que Sérgio Sousa Pinto, deputado pelo Partido Socialista e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, descreveu a proposta do Livre quanto à redução de 10 km/h em todas as artérias da capital, assim como à eliminação do trânsito automóvel na Avenida da Liberdade aos domingos e feriados.

Num leque de críticas, o parlamentar acusou ainda o líder daquele partido, Rui Tavares, de ser “um chato por natureza”, apresentando medidas “que depois não quer saber se são viáveis ou não”. Mas não ficou sem resposta.

Na ótica do deputado, a proposta, aprovada a 11 de maio pela oposição numa reunião privada do executivo municipal liderado por Carlos Moedas (PSD), é uma ideia de “maluquinhos”, lançando que Portugal “parece um país de crianças”.

O parlamentar apontou também o dedo ao autarca lisboeta que, em vez corroborar que os vereadores da oposição são uns “maluquinhos”, referiu que a medida sai cara. “Ou seja, se desse lucro, a ideia até era boa”, ironizou, em declarações ao programa ‘Contra Poder’, da CNN Portugal.

“Não se ouve uma voz sensata, não se ouve alguém a dizer [que] ‘é uma ideia estúpida e o lugar dela é no cesto dos papéis’. Lisboa é um parque temático de radares, é crime uma pessoa deslocar-se do ponto A para o ponto B”, prosseguiu, recordando uma reportagem daquele canal televisivo, que ‘passeou’ pelas ruas da cidade com a vereadora do Livre, Patrícia Gonçalves, “à velocidade prescrita e recomendada”.

“Os lisboetas apitam, dão pontapés no carro, vão aos gritos, ficam malucos, rebolam no chão, espumam, porque ninguém consegue andar àquelas velocidades. Parece uma coisa de ‘deficientes’”, disse, afirmação que tem gerado polémica devido aos seus contornos ofensivos, uma vez que o termo está ‘mascarado’ de insulto.

Sousa Pinto considerou, nessa linha, que a explicação por detrás da medida pertence ao “domínio do manicómio”, declarando que “vamos infernizar a nossa vida para redimir o planeta, e também para diminuir a nossa dependência económica em relação à Rússia”.

“Vivemos nos apanhados”, complementou, argumentando que Portugal está à mercê de “propostas que correspondem às taras e às obsessões particulares de pequenos grupinhos de ativistas”.

“Vidas difíceis, vidas duras, e todos a pisar ovos porque uma ativista vanguardista decidiu que quer não só salvar o planeta, como também diminuir a nossa independência energética”, enfatizou.

O deputado acusou ainda Rui Tavares, líder do Livre, de ser “hiperativo”, dado que “é um ativista”. “Um ativista, como o nome indica, está sempre em atividade. É uma espécie de missionário, evangelizador. Quer mudar o mundo, quer chatear toda a gente. Faz parte do seu etos, é um chato por natureza. Apresenta propostas que depois não quer saber se são viáveis ou não”, esclareceu.

Rui Tavares, por sua vez, recorreu ao Twitter para responder ao socialista, dando conta da aprovação de uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), que prevê o reforço das juntas médicas de avaliação de pessoas com deficiência.

“Um deputado serve para ser um chato que ajude a resolver os problemas das pessoas, mais do que alguém que use ‘deficiente’ como insulto”, atirou.

Recorde-se que votaram a favor da iniciativa ‘Contra a guerra, pelo clima: proposta pela redução da dependência dos combustíveis fósseis na cidade de Lisboa’ oito vereadores (cinco do PS, um do Livre, um do Bloco de Esquerda e a vereadora independente eleita pelo PS/Livre, Paula Marques), sendo que os dois vereadores do PCP abstiveram-se e os sete da coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) votaram contra.

Ainda assim, Carlos Moedas assegurou que não implementará as mudanças aprovadas enquanto não tiver garantias de que não têm um "efeito económico negativo", adiantando que, nesse sentido, pedirá uma consulta pública sobre o fecho ao trânsito da Avenida da Liberdade aos domingos e feriados, assim como estudos de impacto.

Leia Também: Livre espera agora que Moedas defina como reduzir velocidade em Lisboa

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