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"Ninguém quer casar com Costa"? O último debate com (quase) todos

Debate nas rádios aconteceu a sete (sem Rio nem Ventura). Com a Direita representada apenas pelo CDS e pelo IL, voltou a discutir-se a questão da governabilidade. Num "Quem quer casar com Costa?" - como lhe chamou Francisco Rodrigues dos Santos - o secretário-geral do PS voltou a pedir maioria absoluta e evocou o Presidente da República.

"Ninguém quer casar com Costa"? O último debate com (quase) todos

Os líderes dos partidos com assento parlamentar voltaram hoje a juntar-se para o debate nas rádios, o último desta campanha para as eleições Legislativas de 30 de janeiro.

O debate, transmitido pela Antena 1, Renascença e TSF, abordou (mais uma vez) os possíveis entendimentos pós-eleitorais, a educação e a revisão constitucional.

Não tendo estado presente, o Presidente da República "apareceu" algumas vezes numa discussão onde Costa voltou a pedir a maioria absoluta, mas o CDS constatou que "ninguém quer casar com o PS". Já António Costa acredita que Marcelo Rebelo de Sousa lhe imporá limites, como fez Mário Soares.

As três rádios não aceitaram propostas para que algum candidato pudesse participar remotamente, o que deixou de fora os líderes do PSD e do Chega.

Assim sendo, nem Rui Rio nem André Ventura estiveram presentes, por estarem em campanha em Bragança e Vila Real, o que mereceu críticas de outros candidatos, apesar de António Costa também ter chegado mais tarde, quando a discussão entre os líderes partidários já decorria.

Acompanhe aqui o essencial deste encontro:

Numa ronda de respostas rápidas, os partidos dividiram-se no que diz respeito a pôr fim ao "dia de reflexão" que antecede o dia das eleições, com PCP e Bloco de Esquerda a considerar que não se trata de um dia para os portugueses refletirem sobre o sentido de voto, mas sim para que haja um "intervalo" entre o último dia de campanha e o dia de ir às urnas.

Já sobre fazer um referendo à eutanásia, todos os líderes partidários posicionaram-se contra.

A última questão, sobre rever o acordo ortográfico, também foi, de modo geral, unânime: todos os partidos admitiram rever o acordo, até porque o mesmo admite adaptações necessárias ao longo do tempo.

Educação

António Costa considera prioritário "alterar o modelo de contratação dos professores" e reforçar o investimento na cultura.

"O investimento na cultura é crítico."

Rui Tavares: "É possível e desejável integrar as creches numa rede de escola pública", afirmou, defendendo ainda "dignificar a profissão de professor" e "remunerar mais e fazer da profissão uma profissão desejável e entusiasmante".

Inês Sousa Real: "Defendemos uma humanização do próprio ensino", "revisão do acesso ao Ensino Superior" e "acabar com os estágios precários no nosso país".

Cotrim de Figueiredo admite que Portugal fez um "enorme progresso na educação" nos últimos 20 anos, mas considera que "essa evolução é muito mais real na parte quantitativa que qualitativa".

Francisco Rodrigues dos Santos: "Nós defendemos o cheque de ensino, a liberdade de escolha", aponta, defendendo também o apoio aos professores deslocados e o reforço do acompanhamento em saúde mental nas escolas.

"É preciso que haja uma integração, para que quem precisa de ajuda seja acompanhado de forma especializada."

Nova lei sanitária

Francisco Rodrigues dos Santos: "Somos contra a lei de emergência sanitária."

"A verdade é que ninguém quer casar com António Costa."

Cotrim de Figueiredo atira-se ao Livre, acusando Rui Tavares de ter dito que "haverá, um dia, uma maioria de direita tão legítima como as de esquerda". "Haverá um dia uma maioria de direita tão legítima como as de esquerda. Porquê? Há votos de portugueses que valem menos do que outros? Já não há saco para a arrogância e superioridade moral da esquerda. Ninguém pode dizer num debate, com cara séria, que há maiorias mais legítimas do que outras."

Inês Sousa Real: "A ausência de uma lei sanitária pode trazer-nos aqui alguns prejuízos. (...) Aquilo que o PAN não aceita é que possa haver retrocessos no que toca a direitos, liberdades e garantias. O PAN defende que deve haver, sim, uma revisão constitucional."

Catarina Martins também recusa uma "revisão constitucional".

João Oliveira:  "Tal como o exemplo que os portugueses deram torna inútil a discussão sobre vacinação obrigatória, também a forma como respeitaram as regras sanitárias torna inútil a nova lei sanitária e muito menos revisão constitucional."

"Portugal precisa de respostas sociais e económicas, não de uma revisão da Constituição."

O papel do Presidente da República e os entendimentos pós-eleitorais

António Costa: "Essa ideia do bloco central é uma ideia que tanto o PS como o PSD têm recusado."

"Eu nunca andei a pedir maiorias absolutas", aponta, defendendo que a Geringonça começou por funcionar, mas isso "não aconteceu nos últimos dois anos".

"O diálogo é sempre possível com todos, mas há limites. Com maioria o diálogo é possível com todos e mais facilmente com a esquerda."

Cotrim Catarina Martins: "Entre 2015 e 2019, quando houve um acordo que era claro para todos, houve uma série de medidas que estavam escritas e que foram cumpridas", o que não aconteceu desta vez, defende, dando o exemplo da questão dos cuidadores informais.

"As pessoas têm má memória de maiorias absolutas por várias razões. Porque são permeáveis aos valores económicos"

"Nós não podemos fazer de conta de que está tudo bem quando, todos os dias, há hospitais que ficam sem equipas."

O Bloco considera ainda "correto" que o Presidente da República tenha ficado de fora da campanha.

Rui Tavares: "O que é desejável é a Direita não ter uma maioria nessas eleições e, para isso, serve qualquer voto à esquerda. As pessoas não têm medo das maiorias, sabem informadamente que as maiorias absolutas põem perigos que são relevantes em Portugal."

Inês Sousa Real: "A maioria absoluta não é desejada pelos portugueses."

João Oliveira desvaloriza a questão do "papel passado", já que o que os portugueses mais valorizaram no governo da Geringonça foi em matérias que foram além do que estava no papel.

"Não vamos partir de ilusões. O PS não vai apresentar a mesma proposta de Orçamento do Estado. O que importa saber é que o vai fazer."

João Oliveira critica "esta lógica de confinamento do PS - de haver maioria absoluta ou negociar peça a peça com o PSD" e insiste em saber se Costa recusa convergência com a CDU.

Francisco Rodrigues dos Santos: "Quem ouve António Costa falar, parece que vai sentar Marcelo Rebelo de Sousa no seu Conselho de Ministros ou que será deputado na bancada do PS na Assembleia da República com poderes parlamentares ou executivos que lhe permitam equilibrar e gerir as tensões da governação."

Cotrim de Figueiredo: "Espero que o Presidente da República assuma um papel que não assumiu no primeiro mandato. Quero que represente os portugueses, não apenas aqueles que votaram neles. E que exija do Governo que não se coloque na posição de ou nós ou o dilúvio."

"Só poderia certamente piorar em maioria absoluta, e não me venha dizer que é o Presidente da República que vai impedir esse tipo de nomeações e de tomada de controlo do aparelho de Estado."

"As pessoas que votarem no IL sabem exatamente aquilo que defendemos e que vamos por em cima da mesa. Não haverá negociatas."

António Costa: "Eles todos foram capazes de se entender para votar contra o orçamento do PS - um orçamento que já teria permitido à classe média a redução da carga fiscal, a redução do IRS às famílias com filhos e aos jovens. Eles são capazes de se entender para chumbar um Orçamento mas não são capazes de se entender para construir nada."

"Quem é que acredita que com um Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa uma maioria do PS podia pisar a linha? Não só pela sua experiência como constitucionalista, não só pela confiança que merece dos portugueses?"

"Cavaco Silva não foi um exemplo de Presidente da República. Não deixa saudades a ninguém", afirma, sublinhando que espera que as relações com Marcelo Rebelo de Sousa "se mantenham boas como têm sido". "Agora, para o que eu quis chamar a atenção é o seguinte: tal como o doutor Mário Soares impôs limites, também o atual Presidente da República porá limites."

Reformulação de Ministérios

Francisco Rodrigues dos Santos (CDS) nega que tenha exigido "lugares" num eventual governo de Direita. "Eu acho que os governos podem ser mais eficientes se foram também mais curtos."

Presidente do CDS diz que recuperaria, "por exemplo, a Agricultura, é uma pasta que não existe há muito tempo. A área da Defesa Nacional é um assunto de soberania, muito caro ao CDS".

Francisco Rodrigues dos Santos critica ainda o facto de António Costa não falar do assunto bloco central. "É o elefante na sala", afirma, garantindo: "Um voto no CDS nunca será desperdiçado porque seria um voto para uma maioria de Direita no Parlamento".

Catarina Martins (BE): "Quem decide quem participa num governo ou não é quem vota."

Catarina Martins insiste na ideia de um governo escrito e lembra que pediu isso em 2019. "Para que é que António Costa quer esta maioria absoluta? Para continuar a recusar que haja uma valorização das carreiras no SNS. Por que é que o PS recusou todas estas medidas?"

João Oliveira (CDU): "As pessoas pedem entendimentos em função das respostas que precisam para os seus problemas. A ideia da convergência é uma convergência que sirva para resolver os problemas. Ninguém está a ver o PCP participar num governo que vá cortar salários."

"A força da CDU conta sempre para travar aquilo que é negativo."

António Costa (PS) começa por saudar os que "não desertaram" deste debate "democrático". Questionado sobre o que significa "governar à Guterres", o secretário-geral do PS diz que "os portugueses é que vão dizer, no dia 30, como é que cada um de nós pode governar".

"A melhor forma de termos estabilidade é termos uma maioria."

Rui Tavares (Livre): "Nós gostariamos que houvesse, além do debate sobre o Estado da Nação, um debate sobre o Estado do Ambiente todos os anos."

Líder do Livre propõe ainda "criar uma subcomissão de direitos humanos na AR".

Inês Sousa Real (PAN) lamenta os partidos que optaram por não estar presentes no debate. Sobre os ministérios, defende que "queremos que o ministério do Ambiente passe a Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Proteção Animal".

"Mais do que estarmos aqui a falar do desdobramento de ministérios, eles têm de ser eficientes."

João Cotrim de Figueiredo (IL): "O número de ministérios não é indicação da importância dos temas".

[Notícia atualizada às 11h31]

Leia Também: Líderes debatem hoje nas rádios (sem Rio) e depois seguem viagem

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