Negociações para venda de Mirós arrancaram no tempo Sócrates

O semanário Expresso revela, este sábado, que o processo de venda das 85 obras do pintor catalão Joan Miró começaram em 2008, ou seja, ainda durante o governo de José Sócrates. Contactado pelo jornal, o à data ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, esclarece que nessa altura a decisão sobre a venda “estaria no âmbito das competências da administração” do já nacionalizado BPN e que, por isso, “nunca se colocou qualquer decisão perante o Ministério” que tutelava.

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Política Leilão

A venda das 85 obras de Joan Miró continua a fazer correr muita tinta. Este sábado, o semanário Expresso conta que, em julho de 2011, um email, a que teve acesso, enviado por José Lourenço Soares, administrador do BPN nacionalizado, e um alto responsável da leiloeira Christie’s, já falava na questão da venda dos quadros.

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“Creio que nas condições que propõe (…), vai ser possível, em breve, ser tomada uma decisão definitiva, tendo, naturalmente, em conta outras propostas existentes”. É, conta a mesma publicação, assim que começa o email, enviado um mês depois das eleições legislativas que trouxeram a coligação PSD/CDS para o poder.

Neste mesmo email, Lourenço Soares, administrador do BPN indicado pela Caixa Geral de Depósitos, pede à Christie’s algumas informações, nomeadamente “a comissão cobrada ao comprador das obras”, se o BPN podia “receber parte dessa comissão”, “se Nova Iorque seria o local da venda”.

A venda das obras do pintor catalão estava, por isso, já nessa altura a ser estudada, sendo que, sublinha o Expresso, o início de todo este processo data de 2008.

Ou seja, o Governo estava ainda em mãos socialistas. Mas tanto a ex-ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, com o das Finanças, Teixeira dos Santos, garantem ao Expresso que não tinham qualquer conhecimento destes contactos do BPN com a leiloeira.

Teixeira dos Santos justifica mesmo, em declarações ao jornal, que a venda das obras “estaria [nessa altura] no âmbito das competências da administração” do banco nacionalizado, esclarecendo que a sua missão era rentabilizar os ativos do banco e que “nunca se colocou a questão de qualquer decisão perante o Ministério [das Finanças]”.

No mesmo sentido, também ao Expresso, Gabriela Canavilhas assegura que “os gestores podem ter tido todos esses contactos e decidido vender a coleção, mas a tutela não o decidiu. Dou a minha palavra de honra de que no Conselho de Ministros do governo anterior, nem Gabriela Canavilhas, nem José Sócrates, nem Teixeira dos Santos concordaríamos com uma proposta de  venda deste património”.

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