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"É suicidário insistir em chocar de frente com os seus apoiantes"

Porfírio Silva, deputado do PS, comentou o artigo de Pedro Nuno Santos onde o dirigente socialista culpa o PS por ajudar "involuntariamente" na afirmação de André Ventura.

"É suicidário insistir em chocar de frente com os seus apoiantes"

Porfírio Silva, deputado do PS, reagiu, nas redes sociais, ao artigo "relevante" escrito por Pedro Nuno Santos, "dirigente do meu partido" publicado no jornal Público este fim de semana. Para o socialista, o seu "camarada" diz "coisas importantes, com as quais concordo e que eu também já tinha deixado expressas nos órgãos do PS e em público".

"A ausência de um candidato apoiado pelo PS deixou margem para interpretações sobre a 'liberdade de voto' que a confundem com um apoio implícito a MRS; há quem esteja sempre à espreita destas 'convergências' eleitorais para sonhar alto com o regresso a um 'bloco central', revelando falta de vontade de aprender com os sofrimentos que as democracias têm padecido por assim abrirem espaço a quem procura romper com o sistema democrático; um encontro eleitoral com um protagonista da esquerda democrática a disputar o debate e o lugar com o candidato da direita democrática teria tirado palco à extrema-direita (o único extremismo atualmente existente em Portugal é da direita) e seria revigorante para a democracia (mesmo que o candidato socialista perdesse). Em todas estas coisas, PNS tem razão", aponta Porfírio Silva na sua dissertação.

Há, contudo, "dois pontos fracos" na análise do também ministro das Infraestruturas, considera. "Primeiro, esquece a relação entre o partido e o seu eleitorado". E justifica: "Um partido pode, e deve, esforçar-se por influenciar a sua base eleitoral, não se conformar em 'seguir as massas', mas é suicidário insistir em chocar de frente com os seus apoiantes – e uma parte muito significativa do eleitorado e da militância do PS pretendia votar em MRS".

Destacando que não quis votar Marcelo, o socialista frisa não poder "deixar de contar com esse fator" – e, na sua opinião, Pedro Nuno Santos "não analisa esse ângulo da questão".

Em segundo lugar, advoga, o dirigente socialista "adere, sem reservas, à bondade da candidatura de AG, mas isso merece análise, tanto pelo conteúdo do seu (de AG) posicionamento em matérias fundamentais para o entendimento do papel do PR, como pela orientação que a candidata imprimiu à sua campanha (matéria sobre a qual escrevi antes e à qual não vou voltar)".

Porfírio Silva explica ainda que escreveu este comentário por uma "simples" razão: "O futuro é sempre o mais importante. Ora, creio que há um ponto onde concordaria claramente com PNS, a saber, a esquerda democrática não pode deixar de pensar – a tempo e horas – numa candidatura presidencial potencialmente vitoriosa para daqui a cinco anos".

Pedro Nuno Santos, ministro e dirigente socialista, criticou este domingo o PS por ter contribuído "involuntariamente para a afirmação do candidato da extrema direita" ao não ter apoiado formalmente nenhum dos concorrentes ao Palácio de Belém.

"Ao ter optado por não marcar presença no debate político das presidenciais, o PS contribuiu involuntariamente para a afirmação do candidato da extrema-direita", escreveu Pedro Nuno Santos, num artigo de página inteira publicado no jornal Público, intitulado 'Das presidenciais de ontem às lições para o futuro'.

Para o ministro das Infraestruturas, "se não tivesse surgido a candidatura de Ana Gomes", que ele apoiou, tendo participado numa ação de campanha eleitoral, André Ventura, líder e deputado do Chega, "teria muito provavelmente ficado em segundo lugar nestas eleições presidenciais".

Recorde-se que, no passado dia 24, Marcelo Rebelo de Sousa, com o apoio do PSD e CDS, foi reeleito Presidente da República, com 60,70% dos votos, segundo os resultados provisórios.

A socialista Ana Gomes, com o apoio do PAN e Livre, foi a segunda candidata mais votada, com 12,97%, seguindo-se André Ventura (Chega) com 11,90%, João Ferreira (PCP e Verdes) com 4,32%, Marisa Matias (Bloco de Esquerda) com 3,95%, Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal) com 3,22% e Vitorino Silva (Reagir, Incluir e Reciclar - RIR) com 2,94%.

A abstenção foi de 60,5%, a percentagem mais elevada de sempre em eleições para o Presidente da República.

Leia Também: Ministro culpa PS por ajudar "involuntariamente" na afirmação de Ventura

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