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Da Esquerda à Direita até Marcelo: As reações políticas ao caso BES

A demora da dedução da acusação por parte do Ministério Público foi uma crítica comum a várias figuras partidárias.

Da Esquerda à Direita até Marcelo: As reações políticas ao caso BES

O Ministério Público acusou 18 pessoas e sete empresas por vários crimes económico-financeiros e algumas das quais por associação criminosa no processo BES/Universo Espírito Santo. O caso - que tem como protagonista o ex-banqueiro Ricardo Salgado, acusado agora de 65 crimes - tem estado no centro do debate público, nos últimos dias, e a matéria não passou ao lado dos políticos portugueses. 

Através das redes sociais, Rui Rio foi das primeira figuras partidárias a reagir à notícia. Num comentário partilhado na sua conta oficial do Twitter, o líder do PSD começou por criticar os prazos da Justiça no "maior crime financeiro" em Portugal. "Em linha com o habitual nível de eficácia, só a acusação demorou seis anos. Agora, o caso passa para os tribunais. De incidente em incidente e de recurso em recurso, quantos anos mais teremos de esperar para ser feita justiça no maior crime financeiro da nossa História?", questionou o presidente social-democrata.

Horas depois, na mesma linha, André Coelho Lima deputado e vice-presidente do PSD, reforçou a posição de Rui Rio, afirmando, em declarações aos jornalistas, que não deveria ser encarado com normalidade "a delonga que demoram todos estes processos, distam seis anos desde o inicio deste processo até à acusação ter sido apresentada".

"O que é normal é que num Estado de Direito e numa justiça que funcione cabalmente o cidadão mais simples e o mais poderoso sejam rigorosamente iguais perante a lei, é uma obrigação que compete à justiça cumprir", defendeu, reagindo ainda à opinião de Marcelo Rebelo de Sousa sobre a acusação, manifestada momentos antes. 

Refira-se que o Presidente da República considerou que a Justiça portuguesa estava "a viver um bom período" e que a dedução da acusação no caso BES era "uma boa notícia", observando que "mais vale tarde do que nunca".

Também André Silva, porta-voz do PAN, congratulou o avanço, não deixando, ainda assim de alertar que sem celeridade "não pode haver justiça justa".

Por sua vez, o PS defendeu que era "ideal" que a condenação dos responsáveis pelos "crimes cometidos" no caso BES decorresse "num tempo inferior" ao que o Ministério Público necessitou para deduzir a acusação. "É importante que a Justiça cumpra a sua missão", sublinhou à agência Lusa, João Paulo Correia, vice-presidente da bancada parlamentar dos socialistas. 

CDS também não deixou passar a questão temporal impune de críticas. Primeiramente, Cecília Meireles, à porta do Parlamento, atirou: "Espero que não demoremos seis anos a chegar a um julgamento, porque era importante que a justiça fosse mais rápida". E depois, o presidente dos centristas, Francisco Rodrigues dos Santos, completou, defendendo que Portugal tem de "virar a página dos 'donos disto tudo'" e fazer cair um "sistema viciado", com uma "nova atitude ética".

Já o deputado único do Chega, André Ventura, considerou que a acusação relativa ao caso BES "peca por tardia", mas destacou que este "é um dos casos em que a prisão perpétua deveria" ser considerada na moldura penal portuguesa.

À Esquerda, Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, reagiu logo na Comissão Parlamentar de Inquérito à queda do BES e do GES, apontado a importância de se ter "conseguido chegar a uma acusação". Ainda assim, salvaguardou: "Não quer dizer que depois o julgamento não demore muito tempo mas é importante até para credibilizar o sistema”, apontou.

Em nome do PCP, o deputado Duarte Alves apontou, por seu turno, que a acusação não apaga a necessidade de apurar responsabilidades políticas do tanto do governo PSD/CDS como do atual socialista, sem afastar a possibilidade de um novo inquérito parlamentar sobre "a continuação do buraco sem fundo" no Novo Banco. "Considerámos, na altura, que as responsabilidades eram muito mais amplas, não só no Universo BES, como também em quadros com responsabilidades políticas também ao mais alto nível", afirmou o parlamentar a partir da sede do partido, lembrando que os comunistas foram o único partido "que votou contra" o relatório quando este tinha um "afunilamento" numa só pessoa. 

18 pessoas e sete empresas acusadas. Salgado diz que "não praticou qualquer crime"

O Ministério Público acusou na terça-feira 18 pessoas e sete empresas por vários crimes económico-financeiros e algumas das quais por associação criminosa, no processo BES/Universo Espírito Santo, em que a figura central é o ex-banqueiro Ricardo Salgado.

O ex-presidente do BES foi acusado de 65 crimes, incluindo associação criminosa, corrupção ativa no setor privado, burla qualificada, branqueamento de capitais e fraude fiscal, no processo BES/GES. Além de Ricardo Salgado são também arguidos neste processo Amílcar Morais Pires e Isabel Almeida, antigos administradores do BES, entre outros.

O inquérito do processo principal 'Universo Espírito Santo' teve origem numa notícia de 3 de agosto de 2014 sobre a medida de resolução do BES e analisou um conjunto de alegadas perdas sofridas por clientes das unidades bancárias Espírito Santo.

Posteriormente, foi conhecida a resolução e liquidação de inúmeras entidades pertencentes ao então Grupo Espírito Santo no Luxemburgo, Suíça, Dubai e Panamá, a par do pedido de insolvência por parte de várias empresas do mesmo Grupo em Portugal.

O arguido e ex-presidente do BES Ricardo Salgado já confirmou ter sido notificado da acusação, dizendo que "não praticou qualquer crime" e que esta "falsifica a história do Banco Espírito Santo.

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