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Faltam mulheres? "Preocupava-me se a lista não tivesse gente competente"

Francisco Rodrigues dos Santos deu, na noite desta segunda-feira, a sua primeira entrevista como líder do CDS-PP.

Faltam mulheres? "Preocupava-me se a lista não tivesse gente competente"
Notícias ao Minuto

21:14 - 27/01/20 por Notícias Ao Minuto 

Política Francisco Rodrigues dos Santos

O recém eleito presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, deu na noite desta segunda-feira, no Jornal das 8, na TVI, a sua primeira entrevista como líder do partido.

'Chicão', como é conhecido, começou por defender é necessário alterar o sistema eleitoral português para combater a abstenção.

"Em primeiro lugar, o nosso sistema político tem que ir ao encontro dos nossos eleitores. A nossa abstenção atinge valores próximos dos 50%, a militância cívica está cada vez mais afastada dos partidos e é necessário que haja um modelo que corresponsabilize as escolhas que são feitas pelos portugueses. O que eu proponho é que o nosso sistema eleitoral seja revisto de modo a que a última palavra seja dada aos eleitores", disse, aproveitando para nomear a corrupção no mundo político como uma das principais causas do aumento da abstenção.

"Antes do 25 de Abril tínhamos presos políticos, hoje temos políticos presos e creio que essa é uma inversão de um paradigma que descaracteriza a nossa democracia. Posso dizer que veria com bons olhos que todos os titulares de cargos públicos eletivos pudessem apresentar e sofrer uma limitação de mandatos porque à medida que as pessoas começam a se eternizar nos lugares começam a confundir o interesse público com o seu interesse particular", referiu.

Questionado pelo jornalista Pedro Pinto se essa limitação se aplicaria ao CDS e à sua liderança, Francisco Rodrigues dos Santos garantiu que sim. "Não pretendo eternizar-me na presidência do CDS", afirmou.

As coligações da 'quadrilha'

Já questionado por Miguel Sousa Tavares sobre a expressão "quadrilha", que utilizou na sua moção de estratégia global para se referir à esquerda parlamentar, 'Chicão' defendeu-se dizendo que admite que possa haver coligações, mas que estas devem ser "afirmadas de modo absolutamente transparente, antes das eleições" para que possa haver uma "previsibilidade clara" quanto ao teor dos programas que são apresentados.

"Eu não digo que as eleições não possam determinar, de acordo com a correlação de forças, novas coligações após o próprio ato eleitoral. Mas nós temos partidos absolutamente antagónicos e diferentes na proposta política que apresentam ao país. E acho incoerente e paradoxal que programas que eram tão distintos uns dos outros tenham feito uma tentativa de homogeneização após as eleições", atirou, acrescentando que o CDS quer lutar contra a estratégia das "Esquerdas unidas", como dizia a ex-líder, Assunção Cristas.

"Neste caso a quadrilha diz respeito a um conjunto de pessoas que se agrupo em torno de uma estratégia que visava uma visão totalista do poder", afirmou.

Aliança com o Chega?

Sobre a aliança com o Chega, o líder do CDS-PP mostrou-se reticente em assumir essa possibilidade. Apesar da insistência do comentador da TVI Miguel Sousa Tavares, 'Chicão' não disse que sim, nem que não.

"Acho que deve haver uma igualdade de armas no nosso sistema político na medida em que, à Direita do Partido Socialista, devem ser criadas plataformas de diálogo que permitam uma solução que possa harmonizar as propostas de todos os partidos, criando uma base reformista para Portugal. Considero fundamental que a Direita tenha a capacidade de dialogar, de construir pontes e não de erguer muros. Eu não vou dizer à partida que o CDS é um partido que se furte ao diálogo. À Direita do PS está o PSD, o CDS, o Iniciativa Liberal e o Chega e com todos estes partidos o CDS promoverá um diálogo estruturado", respondeu, acrescentando que o CDS tem "linhas vermelhas" que não ultrapassará e que é um partido que "tem uma vocação autónoma de poder".

"A nossa ambição é crescer por nós próprios porque só dessa forma podemos ter um valor acrescentado no quadro de qualquer coligação que se venha a estabelecer", menciona. 

"Não gosta de mulheres?"

Já sobre a desigualdade de género na direção do partido, escolhida por Francisco Rodrigues dos Santos, onde não existe nenhuma mulher, Miguel Sousa Tavares provocou: "Não gosta de mulheres?"

A questão parece ter provocado algum desconforto no líder do CDS que começou por dizer que a resposta "é bastante clara" para, de seguida, tentar explicar que na direção não existe, mas que existem noutros cargos do partido, como na comissão executiva e na comissão de política nacional.

"Eu procurei nas curtas horas que tive para elaborar a lista endereçar diversos convites a homens e mulheres. O critério que eu usei foi um critério de mérito e de perfil que se adequa a cada uma das funções. Houve convites que foram aceites e outros que foram declinados. Eu ficaria preocupado se me dissessem que as listas do CDS não tinham gente competente", acabou por esclarecer.

Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito, na madrugada de sábado, presidente do CDS-PP, o 10.º da história do partido, para um mandato de dois anos, tendo a sua comissão política nacional vencido com 65,7% dos votos dos delegados.

Leia Também: "O CDS será o braço direito de todos os portugueses"

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