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'Inside Job?' Da newsletter enganada à fuga dos emails

No segundo capítulo do trabalho do Notícias ao Minuto sobre os emails do Benfica, debruçámo-nos sobre uma das questões cruciais: como foi possível estes emails terem vindo a público?

'Inside Job?' Da newsletter enganada à fuga dos emails

As dúvidas sobre a forma como os emails com intervenientes do Benfica vieram a público, pelas mãos de Francisco J. Marques, diretor de comunicação e informação dos dragões, continua a subsistir. Entre as várias teorias levantadas, a mais falada estaria relacionada com a possível ligação a uma mudança de patrocinadores e alegada alteração de servidores.

Com o intuito de perceber o que está em causa, o Notícias ao Minuto ouviu Jorge Manuel Silva, informático que, durante quase 15 anos, esteve entre as empresas Sportinveste Multimedia e a InfoDesporto, onde estiveram alojados os sites dos maiores clubes portugueses.

“Saí da Sportinveste Multimedia como diretor técnico, tinha a responsabilidade dos sites do FC Porto e do Sporting. Nessa altura já não tinha a responsabilidade dos sites do Benfica porque o Benfica já os tinha tirado”, recorda, revelando que deixou a empresa em 2013.

Nesta fase já tinham passado cerca de três anos desde a troca (muito criticada) de uma newsletter do FC Porto enviada para sócios do Benfica. Na altura, uma informação do Porto foi enviada a todos os assinantes do Benfica, o que causou um enorme constrangimento na empresa. “Foi efetivamente um erro grave de uma funcionária da Sportinveste Multimedia que 48 horas depois já não colaborava connosco”, assegura.

Apesar disso, o técnico explica que “uma coisa é enviar emails, outra coisa é gerir os emails”, algo que deve ser devidamente explicado para que haja clareza. “Sporting e FC Porto nunca tiveram o email connosco, não vou jurar se o Benfica alguma vez teve o mail connosco ou não, mas não tenho memória disso”, começa por dizer.

“E não me recordo de alguma vez a Sportinveste Multimedia ter feito a gestão dos emails do Benfica, mas lembro-me que a InfoDesporto, algures em 2001/02, tinha um site do Benfica e tinha meia dúzia de endereços de emails do Benfica, geral, comercial, etc.”, acrescenta.

Contudo, Jorge Manuel Silva também esclarece que “a partir do momento em que os emails passaram a ser usados pelas pessoas que trabalhavam nos clubes, e deixaram de ser meras caixas de correio, o email saiu de lá, passou a ser gerido pelo próprio clube”.

Depois do engano no envio da newsletter, houve “algum atrito na relação” entre a empresa e o clube, mas o site do Benfica só deixou a Sportinveste “quase um ano depois”. “Se houve alguma relação de causa/efeito, entre uma coisa e outra, terá sido mais política, não chegou à parte técnica”, faz sobressair.

Depois de tantos anos ligado ao futebol por razões profissionais, o técnico recusa a ideia da existência de algum tipo de pressão por parte dos clubes, excetuando 'a normal' em termos técnicos. “Só tínhamos os sites institucionais, nem fazia sentido qualquer um dos clubes fazer algum tipo de pressão”, frisa.

Em relação às questões levantadas em torno da divulgação dos emails que chegaram ao FC Porto e à Polícia Judiciária, alegadamente de forma anónima, Jorge Manuel Silva, enquanto técnico, tem sérias dúvidas de que possa ter sido um trabalho realizado a partir de fora.

“Nenhuma empresa que trabalhe nesta área, e com futebol, correria o risco de lançar uma coisa destas. [Para haver acesso a estes emails] tinha de ser uma solução de email mesmo muito pré-histórica, sendo muito honesto. O nível de segurança sobre o assunto e acesso às caixas de email tinha de ser muito básico, muito rudimentar. Hoje em dia o nível de segurança associado a este tipo de coisas é alto, elevado”, garante.

O técnico assegura que não faz ideia “onde estão [alojados] os emails do Benfica e do FC Porto”, revelando que “hão-de estar em providers diferentes, se calhar do mesmo fornecedor, uma PT, uma NOS, uma Vodafone”.

Porém, “com a quantidade de emails que se troca hoje em dia, com as dificuldades de acesso, não vejo como seria viável [os patrocinadores terem acesso a emails]”, salvaguarda, mostrando não acreditar na possibilidade levantada.

“Encontrar meia dúzia de emails, coisas sensíveis e seguir aquilo tudo... é um trabalho de meses”. Mas é possível? “Não há impossíveis nesta vida, mas os emails têm dois ou três anos, não vejo como é que seria viável cruzar emails e seguir o rasto dessa ligação em tanto email”, refere o técnico.

Entre as principais possibilidades desta 'fuga' dos emails, que permitiu que estes fossem tornados públicos, continua a estar esta opção, em que a troca de patrocinador poderá ter facilitado o acesso aos documentos. Muito se apontou o dedo a hackers ou a algum gestor dos emails do clube, mas certo é que a investigação prossegue e está a cargo da justiça, apesar do anonimato da fonte que os pôs nas mãos de Francisco J. Marques.

*Pode ler a primeira parte do II Capítulo deste caso aqui.

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