O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo comentou, esta sexta-feira, os comentários do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em que considerou que o homólogo norte-americano, Donald Trump, atuava como um "ativo soviético".
"Quem faz a política externa do Estado português é o Governo. Qualquer pessoa que esteja investida no lugar da Presidência - portanto, o Presidente da República - não deve fazer comentários pessoais porque representa o Estado Português", disse, em declarações aos jornalistas no Algarve.
Gouveia e Melo apontou que o Estado Português era aliado do norte-americano em "diversas alianças", considerando: "A nossa segurança e defesa comum é muito importante. Julgo que esse tipo de comentários não devem ser feitos pelo Presidente da República."
Trump foi eleito democraticamente no seu país [...]. Que eu saiba, os EUA são uma grande democracia
Questionado sobre se as declarações, que foram até notícia lá fora, podem criar problemas diplomáticos, Gouveia e Melo disse que "isso só os norte-americanos é que podem decidir", mas reforçou: "Presidente não deve fazer comentários de índole pessoal porque representa o Estado português, representa-nos a todos. Vivemos momentos conturbados na ordem internacional e convém manter as nossas alianças mais críticos. Quem define a política externa portuguesa é o Governo. O Presidente é só um representante dessa política."
Os jornalistas insistiram ainda sobre a sensatez das declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, e Gouveia e Melo deixou essa classificação de lado, dizendo: "Se fosse eu, não os faria [...]. Mesmo que pensasse, ou não, não as iria manifestar."
Mas, face à sua posição, de candidato presidencial, foi questionado sobre o que pensava acerca da classificação de Trump poder ser um ativo de Putin, respondendo assertivamente: "Não, não concordo. Acho que é uma especulação. Trump foi eleito democraticamente no seu país, tem toda a representatividade dessa eleição. Que eu saiba, os EUA são uma grande democracia."
A Flotilha, a segurança e a responsabilidade do Governo
Gouveia e Melo 'saiu' em defesa do Executivo, que esta sexta-feira considerou que a ida de Mariana Mortágua e outras personalidades até Gaza numa missão humanitária não tem vínculo com o Governo por se tratar de uma "iniciativa autónoma da sociedade civil" e que, por isso, não teria de garantir a segurança desta viagem.
"Se os governos tivessem de assegurar a segurança de todos os cidadãos que resolvem ter atos que possam ser considerado perigosos, seria muito difícil assegurar isso. A sra. deputada fará o que achar bem, não poderá é assegurar depois o Estado português a atuar numa determinada zona que é muito difícil e complexa no momento em que estamos a viver", considerou.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, "à luz do direito internacional, não existe uma responsabilidade jurídica por parte do Estado português de proteção do navio ou dos seus tripulantes".
O organismo ressalvou, contudo, que a proteção consular é "assegurada, se necessária, a todos os cidadãos portugueses no estrangeiro".
Mortágua alertou, por sua vez, que o Governo tem a obrigação legal e moral de usar "todos os instrumentos" para garantir que a Flotilha Humanitária chegue "a Gaza em segurança e consiga entregar ajuda humanitária" na Palestina.
[Notícia atualizada às 19h39]
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