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Entrevista à PGR? "É uma forma de vitimização e de fechamento do MP"

Os signatários do 'Manifesto por uma Reforma da Justiça em Defesa do Estado de Direito Democrático' são recebidos hoje ela Provedora de Justiça.

Entrevista à PGR? "É uma forma de vitimização e de fechamento do MP"

Maria de Lurdes Rodrigues, uma das signatárias do 'Manifesto por uma Reforma da Justiça em Defesa do Estado de Direito Democrático', defendeu, esta quinta-feira, que a entrevista da Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, foi "uma forma de vitimização e de fechamento corporativo do Ministério Público que não se justifica".

 

A antiga ministra da educação (Governo socialista) concordou mesmo que as declarações de Lucília Gago foram uma forma de desresponsabilização. "Não acho aceitável que, de um lugar tão alto da hierarquia do Estado, de um ponto tão alto da hierarquia de justiça, se possa assumir que não se é responsável, que não se conhece, que não se sabe o que se passa, ao mesmo tempo que se vai revelando que afinal se conhece, que afinal se sabe, que afinal se acompanham alguns processos", criticou.

"Portanto foi uma forma, na minha opinião, pouco transparente de assumir a responsabilidade de quem dirige uma casa. E quem dirige uma casa, quem dirige uma instituição, dirige essa instituição para o bem e para o mal. E se não sabe aquilo que se passa, tem de procurar saber. Admito que num primeiro momento não saiba tudo o que se passa numa grande instituição mas, num segundo momento quando as coisas acontecem, tem de procurar saber", defendeu ainda Maria de Lurdes Rodrigues. "É isso que o distingue do conjunto dos membros dessa instituição."

Vários elementos do manifesto dos 50 são esta quinta-feira recebidos pela provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral. Além de Maria de Lurdes Rodrigues, esta comitiva integra Fernando Negrão e Constança Urbano de Sousa.

"O manifesto faz referência a vários problemas do sistema de Justiça, não é um ataque ao Ministério Público nem a nenhuma das instituições", clarificou a antiga ministra, antes dessa audiência.

De acordo com Maria de Lurdes Rodrigues, o manifesto "é um documento que levanta problemas, que apresenta preocupações, que sugere algumas soluções genéricas".

Segundo a ex-governante, esta é uma "forma de participação" da sociedade civil, que visa dar um "contributo nos 50 anos do 25 de Abril".

"A Justiça não pode estar fora desse escrutínio, não pode estar fora da crítica pública dos cidadãos", defendeu.

"O que aqui importa é o simbolismo da mobilização da sociedade civil, dos cidadãos de diferente orientação político-partidária e de diferentes setores", apontou, em resposta às críticas sobre o facto de grande parte dos signatários serem da política.

O Manifesto dos 50 foi conhecido no início de maio, com o grupo de personalidades a assinarem o documento em defesa de um "sobressalto cívico" que acabe com a "preocupante inércia" dos agentes políticos relativamente à reforma da Justiça, num apelo ao Presidente da República, Governo e parlamento.

Os signatários já foram recebidos também por Marcelo Rebelo de Sousa. Na ocasião, Rui Rio referiu que o manifesto, que é liderado por "um núcleo duro" composto também por Maria de Lurdes Rodrigues, Ferro Rodrigues, David Justino, Vital Moreira, Paulo Mota Pinto, Mónica Quintela, Augusto Santos Silva e Daniel Proença de Carvalho, contava já com mais de 50 subscritores.

[Notícia atualizada às 11h48]

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