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Netanyahu contra solução de dois Estados? "É dizer que é contra a paz"

O responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros está em Bruxelas, na Bélgica, reunido com os ministros europeus.

Netanyahu contra solução de dois Estados? "É dizer que é contra a paz"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, esteve reunido, esta segunda-feira, com os seus homólogos europeus em Bruxelas, na Bélgica.

Em declarações aos jornalistas, Gomes Cravinho falou sobre os temas abordados na reunião, nomeadamente, sobre a guerra na Ucrânia e o conflito no Médio Oriente.

Sublinhando que o debate foi primeiro com o ministro israelita, Israel Katz, e depois com os ministros de vários países árabes - Egito, Jordânia, Arábia Saúda e o secretário-geral da Liga Árabe.

"Penso que aquilo que foi muito interessante em relação aos colegas árabes foi a expetativa que eles têm quanto ao papel a desempenhar pela União Europeia", destacou.

Gomes Cravinho descreveu que estes parceiros "olham para a União Europeia" como um parceiro, mesmo com as suas divergências. "Olham para nós como um parceiro imprescindível para ajudar a criar uma dinâmica positiva no sentido da solução de dois Estados. A solução que sabemos ser a única possível, a única viável", disse.

O ministro português sublinhou, ainda, que o alto representante da UE apresentou uma "proposta de um caminho para um plano de paz integrado e completo". Gomes Cravinho notou que este não era "o plano de paz em si", mas sim um plano de um caminho para lá chegar. "É  um caminho que tem de ser trabalhado em conjunto com os colegas dos países árabes. Eles também estão a desenvolver algo semelhante", apontou.

Considerando que a situação é atualmente "muito difícil", Gomes Cravinho referiu que apesar de ser preciso olhar para o futuro, é também preciso olhar para a situação "desesperada que se vive em Gaza". "Temos de trabalhar com um olho no imediato e um olho no futuro", sublinhou, referindo que é necessária não só ajuda humanitária no local, como também um cessar-fogo. Considerando também a situação "insustentável", Gomes Cravinho contou que "teve ocasião de dizer exatamente isso ao colega israelita".

Cravinho apontou que o ministro israelita "não pareceu em condições para responder a questão fundamentais, talvez por ser a primeira vez que trabalha com a União Europeia". O ministro exemplificou com questões relacionadas com a eventual solução de dois Estados, ou como parar com a violência dos colonos na Cisjordânia: "A expectativa é que da próxima vez esteja mais bem preparado".

Questionado sobre que soluções trouxe o ministro israelita como alternativa à criação de dois Estados, nomeadamente, sobre a possibilidade de palestinianos serem levados para uma ilha no Mediterrâneo, Gomes Cravinho respondeu: "Aquilo que o ministro israelita nos apresentou foi um plano que não é a transferência da população e Gaza, mas um plano para a criação de uma ilha, 3 a 4 km da costa de Gaza, que permitira criar uma plataforma logística que alimentaria tanto Israel como Gaza".

Netanyahu contra solução de dois Estados? "Dizer que é contra significa, muito francamente, dizer que é contra a paz"

Perante esta proposta, a resposta que o ministro israelita encontrou não foi aquela de que veio à procura. "Aquilo que eu e vários outros lhe disseram foi que não vale a pena estar a trazer ideias líricas sobre um futuro de paz e harmonia se não houver dissipabilidade no imediato para trabalhar para o reconhecimento dos direitos palestinianos, que estavam inteiramente ausentes da forma como ele apresentou as suas ideias", retorquiu.

Questionado sobre se esta proposta tinha 'pernas para andar', Gomes Cravinho foi peremptório: "Não há possibilidade nenhuma. Foi dito de diversas maneiras - de formas mais diplomáticas, menos diplomáticas, todos reconheceram isso à volta da mesa".

Confrontando com as declarações de Benjamin Netanyahu, que comunicou que é contra a criação de um Estado palestiniano em qualquer cenário de pós-guerra, o ministro lamentou e sublinhou que a solução de dois Estados implica explicitamente o reconhecimento de um Estado palestiniano. "Dizer que é contra significa, muito francamente, dizer que é contra a paz".

O ministro israelita terá sido informado pela UE que a expectativa é de que Netanyahu reveja a usa posição.

[Notícia atualizada às 17h25]

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