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Suíça devolve cabeça em mármore com cerca de 2.000 anos à Líbia

A Suíça devolveu à Líbia uma cabeça de uma jovem em mármore do período helenístico, com cerca de 2.000 anos, descoberta há dez anos num armazém em Genebra, divulgaram as autoridades federais suíças.

Suíça devolve cabeça em mármore com cerca de 2.000 anos à Líbia
Notícias ao Minuto

09:36 - 06/12/23 por Lusa

Mundo Suíça

É um "vestígio arqueológico de grande valor" e um "testemunho excecional da expansão helenística no norte de África", destacou, em comunicado, a secretaria federal da Cultura.

A escultura de 19 centímetros de altura data do período entre o século I a.C. e o século I d.C. e muito provavelmente provém do sítio arqueológico da antiga cidade de Cirene, na região da Cirenaica, na atual Líbia, referiu ainda a mesma fonte.

A escultura foi descoberta em 2013 durante uma inspeção num posto aduaneiro em Genebra e foi entregue hoje em Berna pelo diretor do gabinete federal da Cultura à embaixada da Líbia na Suíça.

Três anos após a sua descoberta, o Ministério Público de Genebra decidiu iniciar o processo, considerando que a escultura poderia ter sido encontrada durante "escavações ilícitas".

No entanto, o processo penal não permitiu determinar o local preciso onde a escultura foi descoberta ou como chegou à Suíça.

A cabeça do mármore é inteiramente coberta por uma pátina avermelhada que fornece informações sobre a sua origem, de acordo com a secretaria federal da Cultura, segundo a qual a região da Cirenaica é uma das raras regiões da bacia do Mediterrâneo onde se encontra "terra rossa e mármores desta tal qualidade".

"A Líbia, em particular os seus locais Património Mundial da UNESCO, como Cirene, estão fortemente ameaçados por roubos e destruição", alertaram ainda as autoridades suíças na nota de imprensa.

A Suíça recordou ainda que, em 2015, o Conselho Internacional de Museus publicou uma lista com bandeira vermelha de antiguidades líbias em perigo, com o objetivo de lutar contra a destruição e o comércio ilegal de bens culturais.

Quer a Suíça, quer a Líbia, um país mergulhado no caos desde a queda do ditador Muammar Kadhafi, em 2011, e governado por dois executivos rivais, são integrantes da Convenção da Unesco de 1970 sobre a Proibição de Importações, Exportações Ilícitas e Transferência de Propriedade de Bens Culturais.

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