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Web Summit. Apoio da Câmara de Lisboa será menor "se houver menos gente"

O presidente da Câmara de Lisboa disse hoje que o município tem a obrigação de respeitar o contrato de apoio financeiro à conferência Web Summit, mas "o dinheiro que não for gasto, se houver menos gente, será devolvido".

Web Summit. Apoio da Câmara de Lisboa será menor "se houver menos gente"
Notícias ao Minuto

18:18 - 25/10/23 por Lusa

País Carlos Moedas

"Há um contrato que é assinado antes de eu ser presidente da câmara, um contrato de 10 anos com a Web Summit, e, portanto, o presidente da câmara atual, fosse eu ou outro, teria essa obrigação de cumprir esse contrato, mas há uma novidade neste contrato e nesta assinatura é que o dinheiro que não for gasto, se houver menos gente, ele será devolvido ou não será pago", declarou Carlos Moedas (PSD).

O presidente da câmara falava na reunião pública do executivo municipal após ser questionado pelo vereador do BE, Ricardo Moreira, em substituição da eleita Beatriz Gomes Dias, sobre o apoio do município de sete milhões de euros para a realização da próxima edição da conferência Web Summit, que se realiza entre 13 e 16 de novembro.

O BE tinha pedido que a proposta de atribuição de apoio financeiro à Web Summit fosse retirada da ordem de trabalhos da reunião privada que decorreu hoje de manhã.

Contudo, a proposta acabou por ser apreciada e aprovada, com os votos a favor da liderança PSD/CDS-PP e do PS e os votos contra dos restantes eleitos, designadamente de PCP, BE, Livre e vereadores independentes eleitos pela coligação PS/Livre.

"O senhor presidente insistiu num subsídio de sete milhões de euros para a Web Summit. Sete milhões de euros, senhor presidente, é mais 11% do que o ano passado, é mais do que a cidade de Lisboa gasta com as pessoas em situação de sem-abrigo, que são cada vez mais na cidade de Lisboa. São sete milhões que permitiam construir mais quatro creches, mas o senhor presidente quis dar à Web Summit, mesmo sem ter a certeza dos moldes, como isso vai acontecer", criticou Ricardo Moreira.

Na anterior edição do evento, em 2022, a atribuição de apoio financeiro por parte do município -- nesse ano foi no valor de 6,3 milhões de euros - foi aprovada com igual votação por parte das forças políticas que compõem o executivo camarário.

A indefinição sobre a realização da próxima edição da Web Summit surgiu após o cofundador do evento Paddy Cosgrave escrever em 13 de outubro na rede social X (antigo Twitter) uma publicação sobre os crimes de guerra, em alusão ao conflito entre Israel e o Hamas, posição que deu origem a várias críticas, com empresas a anunciarem que iriam cancelar a participação na conferência de tecnologia.

"Estou impressionado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com a exceção particular do Governo da Irlanda, pela primeira vez estão a fazer a coisa certa. Os crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados e devem ser denunciados pelo que são", disse Paddy Cosgrave, na publicação na rede social X.

Hoje, o vereador do BE desafiou os restantes membros do executivo a subscreverem que "os crimes de guerra são crimes de guerra, seja quem for que os cometa".

"Como é que uma frase destas mata a Web Summit, senhor presidente? Lisboa quer mesmo apoiar um evento onde não há liberdade de expressão, onde o dinheiro fala mais alto, onde já nem se pode condenar crimes de guerra venham de onde venham", questionou.

Em resposta, o presidente da câmara reiterou que "a Web Summit não é um evento geopolítico, nem político, é um evento muito importante para a cidade em termos de tecnologia e inovação".

"É um evento que trouxe muito à cidade, apesar de hoje a cidade em termos de inovação já ser muito mais do que isso, porque penso que hoje, além da Web Summit, temos programas muito interessantes, como é o caso da Fábrica de Unicórnios", salientou Carlos Moedas.

Na reunião pública, o BE apresentou um voto de condenação aos crimes de punição coletiva e genocídio cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano, mas o documento foi rejeitado com os votos contra da liderança do PSD/CDS-PP e do PS, que justificaram a posição com a aprovação de votos nesse sentido na semana passada.

Leia Também: Câmara de Lisboa aprova mais sete milhões de apoio para a Web Summit

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