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Maioria absoluta? "Não estava à espera, mas era um cenário plausível"

Declarações foram proferidas pelo chefe de Estado em entrevista à CNN Portugal.

Maioria absoluta? "Não estava à espera, mas era um cenário plausível"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou na entrevista transmitida na noite desta quinta-feira pela CNN Portugal, que "não estava à espera" que o PS conquistasse a maioria absoluta nas últimas eleições legislativas, embora tal fosse, na sua ótica, um "cenário plausível".

A este propósito, o chefe de Estado ressalvou que o desfecho de tal escrutínio "não o surpreendeu".

"Comecei a perceber que ia haver maioria absoluta quando foi muito visível o valor de alguns partidos que estavam a perder eleitorado", elaborou Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse momento, explicou, a sua "interpretação foi a de que ia haver uma concentração de voto útil no partido no Governo" e de que este "poderia estar à beira da maioria absoluta".

O Presidente da República, nesta entrevista, destacou a importância que os debates entre os líderes partidários tiveram uma enorme importância para este desfecho. "Depois dos contornos dos debates [...], ficou claro que havia dois temas que estavam a dominar a campanha. Um chamava-se Serviço Nacional de Saúde (SNS), e outro Reformas e Pensões", apontou.

"E porquê? Porque a sociedade portuguesa é uma sociedade muito envelhecida e, portanto, para muitos portugueses, milhões até [...], esses dois pontos são essenciais", elaborou o chefe de Estado. Estes são os "seguros de vidas" para os "mais idosos" e "mais pobres", acrescentou.

A propósito dos temas que tiveram influência sobre os resultados das eleições legislativas, Marcelo Rebelo de Sousa quis ainda destacar a "especulação sobre uma eventual guerra", que causou "insegurança" nos eleitores.

"Perante uma situação extrema [...], prefere-se o que está, mesmo não sendo o que se tem como ideal, ao mau conhecido ou ao bom não conhecido"

"Problema com o Bolsonaro foi um não problema"

Na mesma entrevista, o chefe de Estado português quis destacar que o 'desencontro' que teve com o homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, aquando da sua última visita ao Brasil "foi um não problema".

De recordar que, no início do mês passado, o presidente brasileiro viria a cancelar um encontro com Marcelo Rebelo de Sousa após este ter anunciado que ia encontrar-se com Lula da Silva, ex-presidente brasileiro e candidato às eleições presidenciais de outubro no país.

Porém, em setembro, aquando da visita do Presidente da República de Portugal para as comemorações do Dia da Independência do Brasil, garante que tal encontro vai mesmo acontecer, embora ainda existam algumas "incertezas" na agenda.

A propósito das eleições que, no final deste ano, irão escolher quem irá ficar à frente do Palácio do Planalto, Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de destacar que "nunca" comenta "eleições em países estrangeiros".

Até porque, tal como "acontece cada vez mais em eleições presidenciais e parlamentares", existe sempre uma grande "imprevisibilidade até ao último dia" - tendo aqui aludido ao caso das últimas eleições que decorreram em território português.

Racismo em Portugal? Existe, mas jovens podem 'mudar paradigma'

Um dos temas em destaque nesta entrevista passou pelas várias formas de discriminação existentes na sociedade portuguesa. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que, apesar de existir racismo no país, não "partilha da visão de que tudo é racismo".

O chefe de Estado prosseguiu dizendo, neste sentido, que "mudar a cultura cívica" do país é algo que "demora imensas gerações" e que, atualmente, ainda existem "imensos traços relativos ao império" na nossa sociedade.

Porém, existe um fator de esperança: as "novas gerações", que vivem "num outro mundo" e são "globalizadas". "Nas crianças e na juventude nota-se uma alergia total às discriminações, às xenofobias e aos racismos", apontou o Presidente da República, que acrescentou ainda que a "maioria dos jovens repudia largamente, também, discriminações de género e de orientações sexuais".

Apesar disso, nas palavras do chefe de Estado, o "papel das mulheres" tem conhecido "recuos" em tempos recentes.

"Temos uma percentagem baixa de deputadas. Como é possível não haver um protagonismo maior das mulheres na sociedade portuguesa?"

Marcelo comenta o "erro" da Direita e a 'perspicácia' de Costa

Marcelo Rebelo de Sousa fez ainda questão de acusar os "sucessivos líderes de Direita" que estiveram no poder desde que assumiu a Presidência da República de terem cometido um "erro", que foi 'aproveitado' pelo primeiro-ministro, António Costa.

"Também a Direita cometeu um erro que eu nunca percebi. É que os sucessivos líderes de Direita, em vez de se colarem em mim, descolaram ostensivamente de mim. E quem é que colava a mim? O primeiro-ministro e o PS"

Na perspetiva de Marcelo Rebelo de Sousa, o atual dirigente do PSD, Luís Montenegro, pode conseguir alterar este paradigma: "Percebeu que se podia, de alguma maneira, estar ali próximo de alguém que, sem estar a fazer nenhum frete partidário, no entanto, abria espaço. É o que faz o primeiro-ministro desde sempre."

O Presidente da República fez ainda alguns apontamentos sobre aquilo que é a sua visão sobre o atual chefe do Governo. "Tem-se uma ideia e ele é um mata-borrão. Um bom mata-borrão, porque é rápido", elaborou.

Escusas de responsabilidade? "Em regra", lei "não permite"

A temática das escusas de responsabilidade, que tem também vindo a marcar a atualidade informativa, foi também trazida a esta entrevista. O chefe de Estado explicou, a este propósito, que "há casos em que a lei permite" invocar as mesmas - mas que "em regra, não permite".

Isto, acrescentou ainda, sob "pena de, em diversas atividades públicas [...] sem encontrar maneira de a pessoa poder invocar realidades objetivas, como a falta de dinheiro, a falta de orgânicas, de estruturas, para não cumprir a sua missão".

As declarações surgem numa altura em que muitos médicos têm apresentado escusas de responsabilidade, argumentando que não têm as condições necessárias para o bom desempenho das suas funções.

A propósito deste tema, Marcelo Rebelo de Sousa quis ainda deixar uma mensagem aos governantes: "É muito importante, em política, quando se tem razão, saber explicar aos portugueses a razão que se tem. Porque, muitas vezes, tem-se razão, mas a não explicação da razão, ou o mau uso da razão, faz perder a razão".

[Notícia atualizada às 23h40]

Leia Também: Marcelo sobre Costa: "Tem-se uma ideia e ele é um mata-borrão"

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