Meteorologia

  • 23 SETEMBRO 2021
Tempo
17º
MIN 16º MÁX 23º

Edição

Covid-19? "A imunidade de grupo, de facto, não se vai atingir"

Matemático Henrique Oliveira explicou, na TVI24, que a imunidade teórica - de 87,5% - "nunca se atinge" e explicou os motivos para tal. Estudo da Universidade de Coimbra concluiu que anticorpos contra a Covid-19 diminuem em mais de 80% após três meses da segunda dose.

Covid-19? "A imunidade de grupo, de facto, não se vai atingir"

"A imunidade de grupo, de facto, não se vai atingir". Henrique Oliveira, professor do Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico, explicou, em declarações à TVI24, que a desejada imunidade em relação à Covid-19 é uma utopia e apontou razões: "a imunização não persiste no tempo", recordou.

O especialista começou por apontar que, na variante Delta, e aplicadas as fórmulas matemáticas, "a imunidade de grupo teórica" seria de 87,5%, mas que esta "nunca se atinge". 

E porquê? "Porque a imunização nunca persiste no tempo - ou muito raramente persiste no tempo -, sobretudo neste tipo de doenças. Já se percebeu que a imunização não persiste no tempo", fez questão de frisar Henrique Oliveira. 

Aliás, "o estudo da Universidade de Coimbra é muito claro e nós já tínhamos indícios disso". De recordar que este analisou a duração dos anticorpos contra a Covid-19 em cerca de quatro mil profissionais de saúde e concluiu que estes diminuem em mais de 80% após três meses da segunda dose da vacina.

Mas há mais. O matemático destacou ainda que "a letalidade dos mais idosos está a subir". "Nas pessoas com mais de 80 anos observa-se que a letalidade já esteve a 1% e, neste momento, já vai próximo dos 13%", ou seja, "em cada 100 pessoas com mais de 80 anos que apanham a doença, 13, neste momento, estão a morrer". Em maio, "1% dessas pessoas morria".

Para o professor, "há aqui uma mudança de paradigma muito grande e complicada", que é o "facto de a vacinação ter uma duração limitada no tempo e as pessoas mais vulneráveis e, ainda por cima, vacinadas há mais tempo, perderem essa imunização"

Posto isto, frisou, "vamos andar sempre um pouco atrás da vacinação" e devemos vacinar "o máximo possível", mas "nunca vamos atingir a imunidade de grupo, por razões teóricas e matemáticas".

"No caso da Covid, como a doença é altamente transmissível, acontece que é muito difícil encontrarmos esta barreira protetora de pessoas imunizadas que não deixam passar o vírus. É preciso que essa barreira seja muito, muito elevada. E isso é muito difícil de atingir", terminou Henrique Oliveira.

De lembrar que o mais recente relatório da vacinação contra a Covid-19 divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), mostrou que 71% da população portuguesa já tem pelo menos uma dose do imunizante e 62% completou o esquema vacinal - percentagem que corresponde a mais de 6,4 milhões de pessoas.

Leia Também: AO MINUTO: 3.ª dose "pode ser útil"; Delta agrava-se no Rio de Janeiro

Recomendados para si

Seja sempre o primeiro a saber.
Quinto ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online.
Descarregue a nossa App gratuita.

Apple Store Download Google Play Download

Campo obrigatório