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Arguido diz que chefe prisional metia droga e telemóveis na cadeia

Um arguido contou hoje em julgamento que o chefe da guarda prisional introduzia telemóveis e produto estupefaciente na cadeia de Paços de Ferreira, para serem vendidos no interior do Estabelecimento Prisional (EP).

Arguido diz que chefe prisional metia droga e telemóveis na cadeia

A revelação foi feita na segunda sessão de julgamento, com 20 arguidos, incluindo um chefe prisional, e que decorre no pavilhão anexo ao Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira (EPPF), acusados de pertencerem a uma rede criminosa que traficava estupefacientes e outros bens proibidos no interior da cadeia de Paços de Ferreira, no distrito do Porto.

Horácio Almeida, que pediu ao coletivo de juízes para falar na ausência dos restantes arguidos, por receio de represálias, começou por assumir que "é tudo verdade" o que consta do despacho de pronúncia, que remete para a acusação do Ministério Público (MP).

O arguido, que esteve no EP de Paços de Ferreira entre maio de 2014 e novembro de 2018, contou ao tribunal que foi abordado pelo então chefe da guarda prisional José Coelho, "que se ofereceu para vender telemóveis por 150 euros cada um", proposta que aceitou.

Numa primeira fase, os aparelhos eram entregues ao chefe Coelho, 62 anos, entretanto aposentado e em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora, pela companheira do arguido, em encontros em Santo Tirso, e, posteriormente, por uma amiga sua.

Os telemóveis eram depois levados pelo então chefe da guarda prisional para o interior da cadeia, onde os entregava ao arguido Horácio Almeida, que os vendia a outros reclusos.

O dinheiro para pagar ao chefe José Coelho seguia através de correspondência.

"Como era o chefe daquele pavilhão, ficava sozinho no seu gabinete, abria o envelope à minha frente e ficava com o dinheiro", referiu Horácio Almeida, que não soube, contudo, quantificar o número de entregas feitas por José Coelho, chefe do corpo de guardas prisionais no EPPF, entre 2012 e 2019.

Horácio Almeida contou depois ao coletivo de juízes, presidido por Maria Judite Fonseca, que ainda no período em que se dedicava "aos negócios da venda de telemóveis" foi novamente abordado pelo chefe José Coelho, na presença de Joel Rodrigues, conhecido como "Joel da Afurada" e considerado pelo MP como um dos três alegados líderes desta rede criminosa.

O arguido relatou que nesse encontro apenas o chefe José Coelho falou para lhe propor se, nas ocasiões em que recebia os telemóveis, "se podia receber também outros objetos, cartões de telemóveis e droga".

Horácio Almeida aceitou a proposta, mas rejeitou que tivesse alguma contrapartida, assumindo que apenas aceitou para "continuar com o seu negócio dos telemóveis" e "cair nas boas graças" do então chefe José Coelho, alguém "que tinha muito poder dentro da cadeia".

"Da parte deles não ganhava nada. Tinha o negócio dos telemóveis e era um favor que fazia. Já que ia buscar os telemóveis, trazia os objetos que estavam no embrulho. Nunca vi o que vinha nos embrulhos, mas, às vezes, o chefe entregava-me e dizia: 'vai aí a droga e os telemóveis'. Eram objetos para o senhor Joel [Rodrigues], cartões [SIM], droga e telemóveis", revelou Horácio Almeida.

Depois de receber o material das mãos de José Coelho, que vinham numa mochila, Horácio Almeida deixava-os em pontos previamente combinados, no interior da cadeia.

Questionado se conhecia o arguido Joel Rodrigues, Horácio Almeida afirmou que este "era muito conhecido, de ser traficante".

"Era ele que mandava praticamente na ala dele", disse o arguido, acrescentando que era conhecido "por meter a droga" no estabelecimento prisional, nunca tendo visto Joel Rodrigues a vender droga (haxixe, cocaína ou heroína) diretamente aos reclusos.

Quanto à distribuição, essa era feita por outras pessoas, nomeadamente pelo arguido Diamantino Oliveira (Tino), que, segundo Horácio Almeida, recebia a droga do arguido Joel Rodrigues.

"Fiz vários negócios com o Diamantino [Oliveira]", assumiu o arguido, que admitiu ter visto Diamantino Oliveira vender diretamente droga a outros arguidos no processo, nomeadamente a Carlos Rocha.

Horácio Oliveira desconhece, contudo, "que acordos e que negócios" é que os arguidos Joel Rodrigues e Diamantino Oliveira mantinham entre si.

O julgamento prossegue na tarde de hoje com a continuação da audição do arguido Horácio Almeida que, já no final da sessão da parte da manhã, denunciou ameaças de que tem sido alvo na cadeia de Coimbra, no âmbito deste processo.

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