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  • 03 DEZEMBRO 2020
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Ansiedade e medo. Tudo a dobrar num regresso diferente à escola

Depois de uma interrupção de meses, devido à pandemia, crianças e jovens regressaram esta semana às escolas. Muita coisa mudou desde então e este será, sem dúvida, um ano diferente e sobre o qual não é ainda possível fazer grandes previsões nem antecipar consequências. Mas para já, o Presidente Marcelo faz um balanço "muito positivo".

Ansiedade e medo. Tudo a dobrar num regresso diferente à escola

"Bom dia, amigo! Bem disposto?". Na manhã desta segunda-feira, como há 18 anos, é Fernando Costa quem orienta as entradas no Colégio Marista de Carcavelos. Percebe-se que há empatia com as crianças, a quem distribui sorrisos de conforto e de confiança.

À medida que a manhã desenrola, a azáfama vai aumentando e Fernando mais parece uma espécie de polícia sinaleiro. É dia de apresentações na escola. Aqui, uma boa parte das crianças entra na escola de carro, uma vez que o Colégio dispõe de parque de estacionamento onde os pais deixam tranquilamente os filhos.

Fernando está otimista. "Temos plena convicção de que vai correr tudo bem, aplicando as medidas de segurança impostas pela DGS, vai dar tudo certo", diz-nos convictamente

Cada ciclo tem uma porta de entrada e de saída, explica-nos. A ideia é não haver contactos em nenhuma ocasião. Por isso mesmo, houve espaços que foram restringidos e as horas de almoço faseadas e feitas em locais diferentes para cada ciclo. 

Matilde Melo, de sete anos, chega a pé, acompanhada pela mãe. Vê-mo-la de máscara, acreditamos que está a sorrir. A postura corporal diz-nos que está legitimamente envergonhada. "Está nervosa e ansiosa", diz prontamente a mãe. Matilde estreia-se no segundo ano. No mesmo Colégio tem dois irmãos, cada um num patamar diferente de ensino. Por isso, já sabe, não vão encontrar-se na escola, nem nos intervalos nem nos almoços. Assim ditam (agora) as regras. 

Diana Melo, mãe de Matilde, partilha da opinião de que fazer de casa escola não é uma boa solução a longo prazo. "É difícil para eles e para nós", confessa. Apesar dessa certeza, o sentimento é de grande ansiedade. O filho mais novo, ali a frequentar o ensino pré-escolar, é doente de risco. Teve um tumor no pulmão. "Temos de ter esperança, não é?". É, "vai correr tudo bem", atiramos, numa tentativa (falhada?) de conforto. 

A mãe Telma também tem dois filhos no Colégio de Carcavelos. Caminha em direção à entrada da escola com Gonçalo, de quatro anos, que deixará na pré-escola. Mais tarde virá trazer a filha, de sete anos. "A irmã [do Gonçalo] está mais ansiosa ainda, nem conseguia dormir", conta-nos, confessando também sentir uma grande ansiedade.

"Passado este tempo todo é um grande ansiedade, noto que ele também está um pouco ansioso, estamos a habituar-nos, a escola também, é tudo novo para todos. Acho que vai correr bem". Durante o tempo de confinamento, "houve dias complicados, especialmente no caso da irmã, o grau de concentração é completamente diferente, estar no quarto com os brinquedos todos, às vezes não estava a ligar nada ao computador". "Mesmo assim, o saldo foi positivo", assegura. 

Filipa chega à escola com o pai. Vai para o terceiro ano. Confessa que estava farta de estar em casa e que já tinha saudades dos colegas. Na mochila traz o material escolar, na cabeça uma lição já aprendida: "Vamos ter que manter uma distância de segurança, temos de lavar sempre as mãos, não partilhar os objetos, por causa do vírus". 

O sentimento de alegria no regresso à escola, depois de meses, é o denominador comum nas crianças que o Notícias ao Minuto abordou. "Sinto-me feliz", verbalizava uma menina do 5.º ano, desejosa de começar a nova etapa numa escola nova. Vai com pressa porque ainda nem sabe bem qual a sua porta de entrada. Sobre o confinamento, o sentimento é misto: "Gostei, mas ao mesmo tempo não, porque foi chato. Queria vir para a escola", diz-nos. Para a mãe Cândida "foi um horror" ter a filha a ter aulas em casa, ao mesmo tempo que trabalhava. Cândida não tem receio "absolutamente nenhum" do regresso das crianças às escolas. "Sou a favor de nunca mais se deveria fechar isto. Estou descontraída", afiança. 

Seguimos até à entrada destinada ao segundo ciclo. Em ação vemos, de braço apontado com o termómetro a dar os bons dias às crianças e aos pais (só no primeiro dia), a auxiliar Guida Esteves. Ainda não apanhou ninguém febril, mas a medida "dá confiança" aos pais.

Três passos adiante, Maria António Ruas desinfeta as mãos de todos os que por ali entrarem. "Teoricamente está tudo pronto, só falta o vírus ir embora. Vá de retro satanás!", brinca, entre risos. A coordenadora do 2.º ciclo  conta-nos como o colégio se preparou para abrir portas em plena pandemia. Criaram-se circuitos, separaram-se os diferentes ciclos, improvisaram-se cantinas, pintaram-se os cacifos, retiraram-se jogos como as mesas de pingue-pongue

O diretor do colégio, Félix Lopes, também se manifesta confiante e tranquilo. Sabe que, apesar de todas as medidas implementadas, é impossível evitar o contacto entre as crianças dos diferentes ciclos, até porque muitos dos 1.700 alunos têm irmãos com quem, naturalmente, contactam em casa.

Preparação começou em junho

A preparação do colégio começou em junho, ainda sem orientações. O primeiro desafio foi a nível das estruturas. Se o ensino pré-escolar já está, de certa forma, "confinado" num edifício, assim como o 1.º ciclo. Mas a partir do 5.º ano, antes da pandemia, as crianças já podiam andar no colégio sem restrições. Era o 'passaporte' para a liberdade que, este ano, ficará na gaveta.

O acesso ao bar, agora, é só para os professores e 3.º ciclo. Para o 2.º ciclo, o colégio disponibilizou máquinas de vending. Para o secundário, foi aberto um bar no pavilhão, concessionado ao café da esquina. Foi também preciso fazer obras nalgumas casas de banho, aumentando o número de torneiras exteriores. Tornou-se também necessário contratar mais funcionários para que o plano definido fosse colocado em prática.

A par disso, o colégio decidiu oferecer um portátil a cada professor, tendo como certo que um dia será necessário e nem todos tinham esta ferramenta. A possibilidade de os alunos terem de regressar ao ensino à distância é real. O diretor está consciente disso, mas tranquilo, porque estão todos agora mais bem preparados. Seja como for, é escusado fazer futurologia, reconhece. 

Quanto à máscara, o colégio segue a regra definidas pela Direção-Geral de Saúde (DGS) que determina o uso obrigatório a partir dos 10 anos. No entanto, esta não é uma matéria consensual entre os encarregados de educação. Em algumas turmas do 1.º ciclo, os pais acordaram que os seus filhos usariam, igualmente, máscara. 

PSP diz presente no regresso às aulas

A Polícia de Segurança Púbica está a marcar presença no início do ano letivo 2020/2021. Em Carcavelos, junto ao Colégio Marista, a subcomissária Cláudia Amorim explica que a operação decorre até dia 25 de setembro e envolve duas vertentes. "A vertente preventiva que envolve ações de sensibilização e formação junto do meio escolar e meio envolvente, e uma ação proativa que engloba a fiscalização de viaturas, alertando os pais a utilização do cinto de segurança, sistemas de retenção de crianças, cumprimento dos limites de velocidade junto dos sistemas de ensino, bem como o respeito pelas passadeiras e restante sinalização", refere.

Sendo este um ano "atípico", a PSP garante que "vai estar mais atenta" à utilização das máscaras, a práticas como a desinfeção das mãos e ao cumprimento do distanciamento social, evitando aglomerados junto das entradas das escolas. A fiscalização será feita nas proximidades dos estabelecimentos de ensino, lembrando a regra do limite máximo de quatro pessoas nos cafés e pastelarias situados até 300 metros das escolas. 

Os mais de 1,2 milhões de alunos dos 1.º ao 12.º anos estão esta quinta-feira todos de regresso à escola para mais um ano letivo que começa com novas regras para tentar minimizar os impactos da Covid-19. No total, são mais de 5.300 escolas públicas e cerca de mil privadas que neste novo ano seguem um conjunto de regras definidas pelo Ministério da Educação e pela Direção-Geral da Saúde devido à pandemia 

Presidente Marcelo faz balanço "muito positivo" do regresso às aulas

O Presidente da República quis deixar, esta sexta-feira, uma mensagem de agradecimento a todos os portugueses pela "participação intensa", nesta semana de arranque do ano letivo. "Queria agradecer como Presidente da República a vossa [de todos os cidadãos] abertura, compreensão, disponibilidade. Eu soube, não tivesse netos ou colaboradores com filhos, o que foi a participação intensa de todos nesta semana de arranque do ano letivo", sublinhou o Chefe do Estado, recordando que estes primeiros dias eram uma incógnita para toda a população. 

"É um momento difícil", independentemente de estarmos ou não numa eventual segunda vaga, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a pandemia "está muito longe do fim" e aproveitou o momento para recordar que a aplicação das medidas do regime de contingência em vigor "depende de todos nós". 

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