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Elogios na hora da despedida e um abraço prometido para depois da Covid

Primeiro-ministro, ministro das Finanças cessante e novo ministro João Leão estiveram juntos na conferência após o Conselho de Ministros que aprovou o orçamento suplementar. Entre elogios de parte a parte, Costa assegurou "continuidade" na política orçamental e garantiu que o Ministério das Finanças "continuará em boas mãos". Para Centeno, foram 1.664 dias como ministro, o que, sublinhou, "foi uma honra". Costa, por sua vez, compreende que Centeno "queira abrir um novo ciclo na sua vida".

Elogios na hora da despedida e um abraço prometido para depois da Covid

À saída do Conselho de Ministro que aprovou o Orçamento Suplementar (que será apresentado detalhadamente durante a tarde), António Costa fez uma declaração ao país minutos depois de ter sido anunciada a saída do ministro de Estado e das Finanças do cargo. O primeiro-ministro iniciou a declaração anunciando que as restrições que permaneciam na região de Lisboa e Vale do Tejo  devido à Covid-19 vão ser levantadas a partir do dia 15, ou seja, vão reabrir os centros comerciais e lojas do cidadão. 

Sobre a saída de Centeno, hoje oficializada, António Costa disse que "a vida é feita de ciclos". "Quero expressar publicamente que compreendo e respeito que o dr. Mário Centeno queira abrir um novo ciclo na sua vida. Este foi um longo ciclo. Pela segunda vez, em 46 anos da nossa democracia, um ministro das Finanças cumpriu integralmente uma legislatura de quatro anos e, pela primeira vez na nossa democracia, para além de ter cumprido integralmente uma legislatura de quatri anos, ainda preparou o início de outra e assegurou a aprovação do primeiro orçamento desta legislatura e do primeiro e único orçamento suplementar do conjunto destes anos", realçou o chefe do Executivo socialista.

O primeiro-ministro agradeceu a Centeno a "dedicação" de quase seis anos de trabalho conjunto que se iniciou com a elaboração do cenário macroeconómico, ainda na oposição, e que se encerra hoje com a aprovação no Conselho de Ministros do orçamento suplementar. "Não vou agora aqui recordar a excelência dos resultados que foram alcançados, nem a forma como prestigiou Portugal na presidência do EurogrupoPorque isso é conhecido de todos", frisou, antes de tecer rasgados elogios ao apelidado 'CR7 das Finanas'.

O primeiro-ministro destacou a "extraordinária capacidade de trabalho", "o excelente espírito de equipa - quer comigo, quer com todos os membros do Governo - e a constante preocupação de assegurar equidade nas decisões e o sentido profundamente humanista que sempre inspirou a sua ação". 

"Covid passado o abraço será dado"

"Infelizmente, a Covid-19 não me permite dar agora o abraço que me apetecia dar ao Mário Centeno, mas Covid passado o abraço será dado",  afirmou o primeiro-ministro, arrancando risos do ministro cessante. 

Costa agradeceu ainda a João Leão por ter tido a disponibilidade de aceitar o convite para assumir as funções de ministro de Estado e das Finanças. Por ter aceitado "dar continuidade ao trabalho que iniciámos aquando da constituição do grupo que elaborou o cenário macroeconómico, ainda no tempo da oposição, e que prosseguimos ao longo destes cinco anos em que tem sido o responsável pela política orçamental dos meus governos". "É com muito gosto que iremos prosseguir este trabalho, com maior proximidade, de uma forma mais direta, sem intermediação de Mário Centeno", sublinhou Costa. 

O primeiro-ministro considerou ainda que "neste momento tão desafiante para a estabilização económica e social do país e para a preparação da recuperação económica, é muito importante podermos contar com a pessoa que maiores garantias dá de continuidade da nossa política orçamental, mas que é também, pelo seu trabalho académico e pela experiência que acumulou, um profundo conhecedor do Ministério da Economia portuguesa".

O chefe do Executivo socialista assegurou "aos portugueses e às portuguesas" que "com esta tranquila passagem de testemunho (...) o Ministério das Finanças "continuará em boas mãos"

Questionado pelos jornalistas sobre a governação do Banco de Portugal, o primeiro-ministro destacou que terá "a oportunidade de, no futuro, discutir o assunto com o próximo ministro de Estado e das Finanças e, como sempre disse, proceder à audição dos partidos, conversar com o próprio governador e, na altura própria, o Governo tomará decisões". 

"O timing é o timing certo"

Sobre o timing da decisão, o primeiro-ministro reafirmou que a vida é feita de ciclos. "E eu percebo que tendo sido o ministro das Finanças que cumpriu, não só uma legislatura inteira como ainda preparou o arranque da seguinte e todo este orçamento suplementar, que Mário Centeno tenha chegado ao momento de abrir um novo ciclo na sua vida".

"O timing, creio que é o timing certo", considerou, justificando que é o momento em que já está em execução plena do Orçamento do Estado para 2020, e numa altura em que está aprovada, da parte do Governo, a proposta de orçamento suplementar. 

"Portugal não perde um ministro de Estado e das Finanças, Portugal muda de ministro de Estado e das Finanças. Sai Mário Centeno, entre João Leão", sublinhou Costa, desvalorizando a saída de uma peça considera chave no sucesso do Governo. 

Sobre a saída de secretários de Estado do Ministério das Finanças, António Costa explicou que com a saída do ministro, saem "automaticamente" todos os que dependem da governação deste. Assim sendo, com a saída de Mário Centeno, todos os secretários de Estado que prestam serviço no Ministério das Finanças cessam as suas funções na próxima segunda-feira", afirmou, acrescentando que "oportunamente" o novo ministro constituirá a sua equipa. 

"Foi uma enorme honra responder a desafios"

Mário Centeno, por sua vez, quis "apenas sinalizar aquilo que representa" a sua presença, a do primeiro-ministro e do futuro ministro de Estado e das Finanças na declaração ao país para referir "a enorme honra que foi responder  todos os desafios que desde o final de 2014 trilhámos em conjunto".

Desafios esses que começaram com a elaboração do cenário macroeconómico "que foi a base do programa do XXI Governo" e que se seguiram na  trajetória de recuperação da credibilidade da política económica e orçamental portuguesa "que ficou marcada com a saída do procedimento por défice excessivo" e que passaram também pela "eleição do ministro das finanças português para a presidência do Eurogrupo e com tudo o que isso significa".

"Foi uma enorme honra", disse, correspondendo ao desejo de abraço manifestado por Costa: "E o abraço fica para uma altura sanitariamente mais coveniente".  

O ministro cessante continuou afirmando que "foi decidamente um percurso partilhado" num Governo que "tem uma liderança e uma coesão que se reflete nos resultados que obtém" e salientando que a sua saída do Governo representa o fim de um ciclo longo para a história da democracia portuguesa.

"São 1.664 dias como ministro das Finanças, que acresce mais 900 dias em acumulação de cargo com presidência do Eurogrupo. Os números sempre fizeram parte deste trajeto, sempre estiveram certos", enfatizou, deixando uma "certeza daquelas quase certas": os números vão continuar a estar certos porque o João Leão "é o factor de continuidade do trajeto que Portugal merece e tem que aproveitar".

Entra João Leão em cena

João Leão, por seu turno, agradeceu o convite que lhe fora feito para suceder a Centeno, afirmando ser uma "honra poder continuar" (...) "agora com funções mais acrescidas, ainda para mais numa fase tão exigente para o país".

O próximo ministro de Estado e das Finanças destacou na sua declaração que nos últimos cinco anos trabalhou ao lado de Centeno, com quem antes também tinha preparado o cenário macroeconómico. "Juntos preparámos e executámos cinco orçamentos do Estado", disse, acrescentando terem sido "anos de trabalho muito intenso" na construção de "bases financeiras sólidas" para que o país possa enfrentar em melhores condições esta crise criada pela pandemia.

"[Esta] é uma crise profunda e súbita a que temos de responder com políticas capazes", sublinhou, assumindo o compromisso de, numa segunda fase de resposta à pandemia, voltar "a recuperar a economia" e "conseguir o equilíbrio certo e virtuoso entre o crescimento da economia e do emprego e as contas certas, por outro lado". 

Recorde aqui a conferência: 

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