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Quarentena Académica: O portal que ajuda e expõe queixas dos estudantes

Juros e multas de atraso no pagamento das propinas a serem cobrados, excesso de trabalho para "compensar", falta de informação e incumprimento de e-learning. Estas são algumas das denúncias que chegaram ao site Quarentena Académica, uma plataforma criada para ajudar os estudantes. O ensino à distância de um clique? Não é bem assim.

Quarentena Académica: O portal que ajuda e expõe queixas dos estudantes

O ensino à distância, tal como o teletrabalho repentino em qualquer setor, não é uma máquina oleada. E sem uma data prevista para o recomeço das aulas, as dúvidas são mais que muitas e as queixas começam a acumular-se. 

André Francisquinho, aluno do 3.º ano de Economia na Universidade Nova de Lisboa, juntamente com alguns colegas e amigos de outras faculdades, criou a plataforma Quarentena Académica, cujo o objetivo é "prestar apoio a todos os estudantes do ensino secundário e superior que se encontram com as aulas presenciais suspensas ou em regime de e-learning devido à pandemia de Covid-19".

Para isso, explica o jovem ao Notícias ao Minuto, criaram um website de voluntariado que procura recolher as preocupações dos estudantes das várias instituições do país". A ideia é encaminhar o conjunto de situações para as respetivas reitorias e instituições de modo a promover o diálogo com os alunos. 

Na plataforma criada, é perguntado aos estudantes: "Estás com problemas em pagar as propinas? Não sabes como vai ser a tua avaliação? Sobrecarregaram-te com trabalhos? O e-learning não funciona?"

E, até então, já foi possível reunir queixas. Entre as quais, o incumprimento de e-learning. Segundo André, algumas das cadeiras não estão a cumprir as aulas online ou estão a cumprir fora do horário, acabando por levar à sobreposição de aula. 

O excesso de trabalhos que os docentes atribuem aos alunos como forma de compensar, ou a falta de aulas online ou a falta de outros métodos de avaliação é outro dos problemas suscitados. Sem esquecer a incapacidade em aceder a informação. "Muitos alunos dependiam das bibliotecas das faculdades para consultar os livros para estudar. Muitas vezes, os testes que são feitos com consulta desses materiais que os alunos agora não têm acesso", alerta.

Nenhum aluno deve ser forçado a deixar o ensino superior devido a esta crise

Mas a questão que mais "preocupa" os estudantes prende-se com o pagamento das propinas, assim como os "custos acrescidos" com o material. "Muitos alunos viram a situação financeira própria ou familiar piorar rapidamente no último mês: alguns viram os pais a serem despedidos ou a ficarem em lay off ou até os próprios alunos que eram trabalhadores-estudantes viram-se nestas situações", sublinha o jovem, dando conta que, mesmo neste contexto, "as faculdades continuam, muitas delas, a cobrar juros ou multas pelo atraso de pagamento das propinas".

Para os responsáveis pela iniciativa Quarentena Académica, trata-se de "um problema grave que merece uma resposta centralizada rapidamente". "Nenhum aluno deve ser forçado a deixar o ensino superior devido a esta crise", defende André.

No que toca ao funcionamento das aulas, a experiência de André é que as coisas têm corrido "relativamente bem" na SBE [School Business and Economics]. "As aulas correm à hora prevista e são gravadas. Os testes é que têm tido alguns problemas porque a plataforma não aguenta tantos alunos online ao mesmo tempo". Situação que os professores têm tido em consideração, mas que não deixa de ser "má para todos". 

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