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Alcoutim tenta fugir a "tormenta". "População é demasiado vulnerável"

Sem casos de Covid-19, o concelho de Alcoutim tomou medidas tendo "acautelado os cenários mais difíceis e exigentes". Os apelos são sobretudo para quem vem de fora para um dos concelhos mais envelhecidos do país: "Uma visita de alguém assintomático, pode causar danos irreparáveis", alerta o autarca.

Alcoutim tenta fugir a "tormenta". "População é demasiado vulnerável"

Em Alcoutim, no nordeste algarvio, é o rio Guadiana que separa Portugal e Espanha. Do outro lado da margem, situa-se a população de Sanlucar. Este ano, por causa da pandemia, o festival que unia as duas localidades com uma ponte flutuante foi cancelado. O rio separa também, nesta altura, duas realidades muito distintas no que toca à evolução da Covid-19. Espanha contabiliza já mais de 10 mil mortes, em Portugal, à data, 209 pessoas sucumbiram à doença. 

Em Alcoutim, concelho mais envelhecido do Algarve e no topo dos mais envelhecidos do país, ainda não há casos de infeção por Covid-19, numa altura em que se registam no território nacional mais de 9 mil pessoas infetadas.

O município é formado, quase na sua totalidade, por montes dispersos na Serra e longe das cidades do litoral. A estas populações, que já vivem isoladas durante o ano inteiro, sucessivamente e sem opção, é-lhes dito o que é dito ao país: para manterem o isolamento social e as boas práticas de higiene para evitar o contágio. Mas a mensagem vai também para os filhos da terra: não regressem agora. "O afastamento é, ao momento, a melhor e a maior manifestação de carinho e de amor", afirma Osvaldo Gonçalves, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim. 

Sabendo que a população é "demasiado vulnerável para reagir a esta tormenta", o município foi, desde logo, tomando medidas. "Aprovámos os planos de contingência numa primeira fase, onde acautelámos os cenários mais difíceis e mais exigentes", sublinha o autarca em declarações ao Notícias ao Minuto.

Além disso, conta, "foram criadas condições de isolamento social deixando só os serviços essenciais a funcionar".

Ao mesmo tempo, a autarquia acautelou, junto da população mais vulnerável, "um serviço porta aporta de abastecimento de víveres e bens de primeira necessidade em que o município é totalmente responsável pelo acolhimento das necessidades e faz a recolha e entrega desses bens assim como medicamentos". 

Outro dos aspetos tidos em conta no concelho é a suscetibilidade das populações, envelhecidas e isoladas a burlas. Sobretudo durante a pandemia. Assim, "estabelecemos junto com a GNR campanha de sensibilização para as pessoas se prevenirem também dos malandros que nestas alturas procuram a vulnerabilidade das pessoas para as burlarem"

A nível de saúde, Alcoutim dispõe de uma Unidade Móvel de Saúde que percorre o concelho porta a porta "evitando que as pessoas se desloquem aos centros de saúde".  Tudo isto, frisa Osvaldo Gonçalves, "tem como objetivo principal a manutenção das pessoas em casa e evitar deslocações desnecessárias e assim prevenir ao máximo o contacto e o perigo de contágio". Um contágio que seria trágico numa população tão envelhecida. 

O concelho, refere Osvaldo Gonçalves, está a contar com um rastreio a todos os idosos institucionalizados, cerca de 150, e os funcionários que os acompanham. "Esse rastreio está articulado com a Segurança Social e a ABC [Agência Biomedical Center, da Universidade do Algarve], mas caso está solução demore, também estamos disponíveis para assumir a realização desses testes", assegura. 

E como as medidas tomadas só terão o impacto desejado se todos colaborarem, os apelos são diários. Sobretudo para os de fora que, nesta altura, têm a tentação de regressar à terra para ver os seus entes queridos, procurando, ao mesmo tempo, escapar ao novo coronavírus.

A estes recordamos o que tem dito o primeiro-ministro: o vírus não anda sozinho, vai connosco. "Uma visita de alguém assintomático, pode causar danos irreparáveis", reforça o autarca

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 51 mil. Dos casos de infeção, cerca de 190.000 são considerados curados.

Em Portugal, segundo o último balanço feito pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 209 mortes, mais 22 do que na quarta-feira, e 9.034 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 783 em relação a terça-feira.

Na região do Algarve, esta quinta-feira contabilizavam-se 143 casos de infeção por Covid-19, três vítimas mortais e uma pessoa recuperada. O concelho com mais pessoas infetadas é Faro (37), seguido de Albufeira (35). Em Loulé há 24 casos, em Portimão 22 e em Vila Rea de Santo António nove. Nos concelhos vizinhos de Alcoutim, Tavira regista três casos e Castro Marim dois. Em Silves há quatro casos confirmados, os mesmos que em Lagoa. Em Olhão, registava-se ontem duas pessoas infetadas e em São Brás de Alportel apenas uma. Lagos, Vila do Bispo, Aljezur e Monchique permaneciam, esta quinta-feira, sem casos de Covid-19. 

Também esta quinta-feira, recorde-se, o Governo decretou, entre outras medidas, que estão proibidas, durante os próximos 15 dias, as viagens para fora do concelho de residência, reduzindo assim ao máximo as deslocações no país durante o período da Páscoa. 

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