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"Ministro devia ser obrigado a pedir desculpa à população de Mação"

O presidente da Câmara de Mação reage com "surpresa, lamento e indignação" às declarações do ministro e queixa-se de ter sido "colocado de parte" de todas as decisões operacionais.

"Ministro devia ser obrigado a pedir desculpa à população de Mação"

O rescaldo dos incêndios de Vila de Rei e de Mação trouxe trocas acesas de palavras entre o ministro da Administração Interna e o autarca de Mação. Eduardo Cabrita acusou Vasco Estrela de, em vez de ter ativado o Plano Municipal de Emergência, ter optado por ser “verdadeiramente um comentador televisivo”.

“O presidente da Câmara de Mação, vejo com desgosto que aquilo que pensava ser uma perturbação motivada pela tensão da ocorrência que estava a passar-se no seu concelho, optou por não promover a ativação do Plano Municipal de Emergência, não dar qualquer cooperação ao esforço de Proteção Civil e ser verdadeiramente um comentador televisivo, por que a seguir a cada briefing, aparecia nas televisões a fazer comentários”, disse o governante em entrevista à RTP, esta terça-feira à noite

Acusação a que o presidente da Câmara de Mação não tardou a responder. Na antena da rádio TSF, Vasco Estrela começou por referir que foi com “total surpresa” que ouviu as declarações de Eduardo Cabrita.

"Nunca pensei que o ministro vivesse tão mal com opiniões divergentes e que quando confrontado com críticas claras, objetivas e factuais reagisse dessa maneira”, apontou o autarca, lamentando que o ministro não tenha tido a coragem de, horas antes, lhe dizer “olhos nos olhos aquilo que foi dizer para a televisão”.

O autarca defendeu-se da acusação de não ter ativado o plano municipal de emergência explicando que o mesmo só havia sido aprovado pelo Governo na terça-feira de manhã. "Acusa-me de não ativar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil que o Governo aprovou hoje de manhã. São estas coincidências que acontecem e que realmente são de lamentar. É pena que o ministro não diga o que é que o Plano de Emergência alterava o rumo dos acontecimentos. Isso é que era bom que o senhor ministro explicasse", referiu o autarca do PSD.

Já esta quarta-feira de manhã, em declarações à RTP, Vasco Estrela reforçou o lamento por o ministro não ter "tido uma palavra, um gesto de solidariedade à população deste concelho que viu em dois anos ardida 95% da sua área florestal".

Plano de Emergência "não foi formalmente ativado" mas foi "posto em prática"

Quanto ao Plano de Emergência, o autarca esclareceu que "não foi formalmente ativado", mas que "foi posto em prática naquilo que era essencial e que o Plano determina".

“Ou seja, a conjugação de esforços para o apoio às populações atingidas, a conjugação de esforços no sentido de retirar pessoas e colocá-las num local seguro com as devidas condições, a mobilização de um conjunto de equipamentos para ajudar a combater o incêndio, nomeadamente máquinas de rastos, um conjunto de kits de primeira intervenção (…). Tudo aquilo que no essencial estava previsto no Plano foi mobilizado e foi posto em prática para ajudar a salvar a população do concelho de Mação”, detalhou em declarações à estação pública.

“Eu também não podia ativar um Plano que esteve cinco meses na Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para ser aprovado. E se o Plano fosse realmente tão importante conforme o ministro está a fazer crer, é lamentável que só o tenham aprovado no dia 23 de julho de 2019. Se fosse tão importante e sendo pessoas tão conscienciosas, o senhor ministro e o secretário de Estado teriam solicitado a minha presença no posto de comando, coisa que nunca fizeram, em Vila de Rei, no sentido de podermos discutir ou não a opção de acionarmos o Plano Municipal de Emergência”, reforçou.

Autarca desafia ministro

O autarca queixa-se de ter sido “remetido ao silêncio” e de ter sido “colocado de parte de todas as decisões operacionais que foram tomadas”. “Esse passa-culpas é realmente lamentável a todos os títulos”, resumiu.

Vasco Estrela garante ter cumprido a sua obrigação e aponta o dedo ao ministro pela falta de meios no terreno. "[Eduardo Cabrita] devia fazer mea culpa e aos serviços que dirige de ver populações inteiras sem um único bombeiro dentro desses territórios para poder defender a população".

E insistiu: "Não era nenhum Plano de Emergência Municipal que alteraria isto, era se calhar outra forma de combate, outra forma de gerir os meios no terreno. O senhor ministro devia ser obrigado a pedir desculpa à população do concelho de Mação, porque uma vez mais a ANEPC falhou em Mação, como falhou em 2017".

Recorde-se que, ainda durante a fase de combate ao incêndio, o autarca já tinha apontado críticas à falta de meios de combate, lamentando que o seu concelho tenha sido, mais uma vez, "mártir".

Para Vasco Estrela, "o importante é perceber porque é que os meios não estavam no terreno", acusando o ministro está a tentar "desviar atenções" do cerne da questão.

Por fim, Vasco Estrela deixou ainda um desafio a Eduardo Cabrita. "Desafio o ministro a vir a Mação, ou a outro sítio qualquer, para poder comigo debater esta e outras questões relacionadas com aquilo que aconteceu com o incêndio".

Em declarações aos jornalista, entretanto, o ministro voltou a defender esta quarta-feira que o combate ao incêndio de Mação "foi bem feito" e que ocorreu "uma articulação extremamente qualificada" dos meios no terreno.

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