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Héli andou "horas às voltas". INEM diz ter "cumprido procedimentos"

O ferido grave dos incêndios de Vila de Rei e Mação foi helitransportado, mas o meio aéreo "andou quatro horas às voltas". O INEM já reagiu e defende ter cumprido "rigorosamente" os procedimentos.

Héli andou "horas às voltas". INEM diz ter "cumprido procedimentos"

O incêndio que no passado sábado teve início em Vila de Rei (Castelo Branco) e se estendeu depois a Mação (Santarém) foi dado como dominado pelas autoridades. Este fogo que lavrou durante três dias fez 17 feridos, um deles em estado grave - um homem que sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau mas que, de acordo com o Jornal de Notícias (JN), andou "quatro horas às voltas". O INEM já reagiu.

Revela o jornal, na edição desta terça-feira, que o INEM "demorou cerca de quatro horas a socorrer a vítima mais grave dos incêndios" de Vila de Rei. Segundo a cronologia do JN, o helicóptero do INEM, sediado em Santa Comba Dão, foi acionado pelas 22h59 de sábado, mas não pôde aterrar, dada a intensidade da cortina de fumo na região.

Foi então que o Cento de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) ordenou que o queimado fosse levado pela ambulância para o aeródromo das Moitas, que dista cinco quilómetros de Proença-a-Nova.

Porém, mais um problema se avizinhava. A pista que é gerida pela Câmara de Proença-a-Nova só acolhe voos durante o dia, podendo no entanto haver exceções. Estas são previstas pela Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), mas "o CODU está obrigado a perceber com a direção técnica da infraestrutura quais as capacidades para acolher um helitransporte".

A este propósito, dá conta o JN, o helicóptero de Santa Comba Dão foi aconselhado a permanecer no ar até haver resposta da direção da pista. Constata o meio de comunicação que "o CODU acionou a aeronave sem ter a garantia de que poderia aterrar ali. A pista não tem iluminação e era necessário alguém para ligar um holofote". Mas o diretor da pista, Daniel Farinha que é também responsável pela Proteção Civil de Proença-a-Nova, estava nos incêndios e incontactável. O héli acabou por ficar sem combustível e teve de regressar à base.

Foi depois acionado o helicóptero de Évora que se deparou com os mesmos problemas. Mais tarde, foi autorizada a aterragem do meio aéreo no campo de futebol Senhora das Neves. Enquanto tudo isto acontecia, o ferido grave permaneceu mais uma hora e meia dentro da ambulância de Suporte Imediato de Vida (SIV) para ser estabilizado e acabou por chegar ao Hospital de São José, em Lisboa, pelas 3h02, onde se esperava que chegasse... pela meia-noite e meia de domingo.

INEM garante que cumpriu "rigorosamente" os procedimentos

Em comunicado enviado às redações, o INEM explica que, pelas 21h55 de sábado, o CODU recebeu um pedido de ajuda para uma vítima que se encontrava no Vale da Urra, concelho de Vila de Rei, distrito de Castelo Branco.

Foi então acionada uma SIV de Tomar que estava mais próxima da localização do ferido. A equipa da SIV "iniciou a assistência médica pré-hospitalar ao doente às 22h01m, ou seja, apenas seis minutos após o pedido de ajuda ao CODU e não as cerca de quatro horas que têm sido referidas em algumas notícias. O CODU acionou, adicionalmente, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo/Abrantes".

Dada a gravidade da situação, e prevendo a necessidade de evacuação aérea do doente, "o CODU estabeleceu contacto com o comandante do helicóptero de Santa Comba Dão para saber se existiriam condições de voo para a operação. O CODU iniciou, em simultâneo, o processo de confirmação de vagas em unidades hospitalares, procedimento que é sempre realizado em missões de helitransporte".

Já pelas 23h43, explica ainda o INEM, "o comandante do helicóptero de Santa Comba Dão informou o CODU que não existiam condições de segurança para aterragem no Centro de Meios Aéreos (CMA)/Aeródromo das Moitas. Em função da informação recebida, o CODU questionou sobre a possibilidade de o helicóptero sobrevoar a zona, para tentar encontrar uma nova alternativa para aterragem. O comandante do helicóptero informou que a aeronave entretanto perdera autonomia para realizar a viagem até Lisboa, tendo que regressar à base, em Santa Comba Dão".

Considera, por isso, o INEM que "cumpriu, rigorosamente, com todos os procedimentos necessários para utilização deste Centro de Meios Aéreos". Destaca ainda o INEM que "não tem qualquer interferência na decisão na aterragem dos helicópteros, que compete exclusivamente ao comandante da aeronave".

Perante as circunstâncias, "pelas 23h56 o médico da VMER Médio Tejo/Abrantes e o Médico Regulador do CODU equacionam o transporte por via terrestre, tendo por base o estado de saúde do doente. Foi entendimento médico que o helitransporte serviria melhor as necessidades assistenciais do doente, que, reforça-se, se encontrava devidamente estabilizado e acompanhado pelas equipas médicas do INEM".

Pelas 00h05 "o CODU acionou o helicóptero de Évora e, cerca de 40 minutos depois, o helicóptero aterrou no Campo de Futebol de Proença-a-Nova, onde já se encontrava o doente, acompanhado pelas equipas médicas do INEM".

Para o INEM, importa ainda ressalvar que "a situação descrita teve lugar num cenário de incêndio de grandes dimensões, limitando naturalmente as condições de atuação das equipas de emergência médica pré-hospitalar". O critério 'tempo', justifica, "assume um carácter relativo quando se trata de doentes críticos, cuja estabilização clínica é prioritária e implica um conjunto de procedimentos morosos e delicados, sem os quais o helitransporte não pode ser efetivado. Refira-se que estes doentes têm que ser transportados em condições muito particulares", termina. 

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