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Reflorestação? "O Estado serve interesses minoritários das celuloses"

A historiadora Raquel Varela recorda plano de reflorestação elaborado pelo seu pai para Monchique, há 25 anos, e critica o Estado por "servir os interesses" da indústria do papel e da celulose.

Reflorestação? "O Estado serve interesses minoritários das celuloses"
Notícias ao Minuto

19:41 - 09/08/18 por Pedro Bastos Reis 

País Raquel Varela

Em 1993, o engenheiro florestal Fernando Varela, num artigo publicado no Diário de Notícias, alertava para os perigos do eucalipto em Monchique. Passados 25 anos, a historiadora e professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Raquel Varela, recorda esse artigo e considera que Portugal pouco aprendeu e que está a ceder aos interesses dos acionistas das celuloses.

“O que nós aprendemos foi que o Estado está disposto a servir interesses minoritários das celuloses, investindo todo o dinheiro em meios de combate inúteis e nenhum no ordenamento do território”, afirmou Raquel Varela ao Notícias ao Minuto, sublinhando que o plano de reflorestação de Monchique, elaborado pelo seu pai, “ficou na gaveta”.

Referindo-se a este plano de reflorestação, Raquel Varela adiantou que o “'plano de Monchique’, que (…) previa floresta mediterrânea autóctone para evitar os fogos”, ficou trancado “a sete chaves pelos interesses ultra minoritários da pasta de papel, um Estado dentro do Estado que faz este país arder e nós todos pagar para apagar fogos que não podem ser apagados nem controlados”.

Para além das críticas à indústria das celuloses, a historiadora apontou o dedo a António Costa que, na quarta-feira, afirmou que Monchique "será a exceção que confirma a regra do sucesso" no combate aos fogos. Declaração, aliás, que o primeiro-ministro veio esclarecer, considerando que foi "descontextualizada".

“Acho que [António Costa] foi extraordinariamente mal educado”, atirou Raquel Varela, entendendo que “no meio de um dos maiores fogos que Portugal teve, que vai destruir a vida, o trabalho, a casa e o sustento de centenas de pessoas”, e perante uma situação “que os bombeiros não conseguem controlar, em que há uma desorganização total na Proteção Civil e em que o fogo tem sete dias e não é extinto”, as declarações do primeiro-ministro não são aceitáveis. “Como é que António Costa ousa fazer este tipo de comentário?”, questiona.

O incêndio rural que começou em Monchique na passada sexta-feira, e que alastrou aos concelhos de Portimão e Silves, está a ser combatido por mais de mil operacionais e não dá descanso aos bombeiros e às populações. 

O último balanço dá conta de 39 feridos [entretanto revisto para 41], um em estado grave, e cerca de 300 deslocados. Pelo menos 50 casas foram destruídas por um incêndio que já queimou mais de 23 mil hectares, segundo os números do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

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