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Conflito com Hamas vai perdurar, considera analista João Henriques

Um analista português de assuntos internacionais, João Henriques, defendeu hoje em declarações à Lusa que o conflito entre Israel e a Palestina vai perdurar, pelo que não se pode ter a ilusão de que terminará em breve.

Conflito com Hamas vai perdurar, considera analista João Henriques
Notícias ao Minuto

13:39 - 04/04/24 por Lusa

Mundo Israel

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente do Observatório do Mundo Islâmico (OMI), João Henriques, lembrou que o conflito israelo-palestiniano e israelo-árabe tem raízes profundas na história de toda a região do Médio Oriente, marcada por motivos religiosos, persistentes disputas territoriais e até razões existenciais. 

"Trata-se pois, não tenhamos ilusões, de um conflito que perdurará no tempo, não sendo possível avançar com qualquer tipo de prognóstico relativamente ao seu final", sustentou.

Para João Henriques, a coexistência pacífica entre dois povos, o palestiniano e o israelita, configura um desafio bem provável de se concretizar alguma vez, uma vez que para uma considerável parte dos palestinianos e dos israelitas "só haverá paz quando um dos dois povos for banido da região". 

Por outro lado, prosseguiu, o reconhecimento do Estado da Palestina tem-se afigurado, desde 1988, ano da sua fundação, como um tema de enorme complexidade e até de controvérsia, que envolve uma vez mais questões de natureza histórica e até legal.

A esmagadora maioria dos países membros das Nações Unidas reconhece a Palestina e os seus territórios como um Estado, facto consubstanciado quarta-feira quando 120 o reconheceram na ONU.

"Há, no entanto, países, como os Estados Unidos, França e Reino Unido, que ainda não reconheceram a Palestina como um Estado, fazendo depender esse reconhecimento de uma solução para o conflito com Israel", referiu.

Mais recentemente, surgiram apelos ao reconhecimento da Palestina como Estado, por parte de alguns países, como a Espanha, a Noruega e a Irlanda, o que faz crer que, a breve trecho, outros países se juntarão a esse grupo.

Nesse sentido, acrescentou o vice-presidente do OMI, as pressões para a demissão de Netanyahu tem vindo a subir de tom, com milhares de pessoas a protestar contra o primeiro-ministro israelita e o seu governo, ao mesmo tempo que apelam um cessar-fogo imediato em Gaza e à libertação dos reféns israelitas.

Estas manifestações de protesto não estão a ocorrer apenas em Telavive, tendo já alastrado a outras cidades, como Haifa, a maior cidade no norte de Israel, e de Bersebá (também conhecida pela transliteração Beersheva), outra importante cidade do sul do país.

Para João Henriques, outras das razões são as reformas judiciais que o Governo de Netanyahu pretende fazer aprovar.

O vice-presidente do OMI lembrou que o Supremo Tribunal de Israel já se pronunciou contra as propostas, por considerar que limitariam os poderes do próprio STJ sobre o executivo. 

O Tribunal adiou mesmo uma lei que tornaria mais difícil a destituição de Netanyahu, tendo afirmado que a legislação foi claramente elaborada por razões pessoais, acrescentou.

Por outro lado, observou João Henriques, desde finais de janeiro, que os manifestantes antigovernamentais têm vindo a insistir na realização de eleições antecipadas e na destituição de Netanyahu, que continua a afirmar que a ação militar em Gaza é a única forma de libertar os prisioneiros, em vez de se comprometer com negociações.

"Na verdade, são ainda muitos os analistas que defendem que a maioria dos israelitas concorda com a abordagem de Netanyahu, que inclui a erradicação do Hamas.

Netanyahu tem rejeitado os apelos para eleições antecipadas que as sondagens sugerem, desde há muito, que perderia", admitiu, insistindo no problema da divisão da comunidade internacional quanto a uma solução para o conflito, subsistindo também dúvidas quanto ao futuro dos territórios ocupados.

"A aprovação, pelo Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução de cessar-fogo, na qual os Estados Unidos se abstiveram, deixa à vista de todos o permanente e desafiador alheamento das autoridades israelitas às determinações das Nações Unidas e às recomendações do seu mais fiel patrocinador, os Estados Unidos, que continuam a mostrar-se contrário às ações de Israel, ao mesmo tempo que farisaicamente fornece armamento a Israel", concluiu.

Leia Também: "Regresso" de palestinianos deslocados bloqueia trégua em Gaza

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