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Do desaparecimento ao desfecho trágico. A cronologia das buscas por Émile

O crânio e os dentes do menino foram encontrados por uma pessoa que caminhava perto de Haut-Vernet, no dia 30 de março. Análises genéticas confirmaram o desfecho trágico: o ADN correspondia ao de Émile. Mas como é que chegámos aqui?

Do desaparecimento ao desfecho trágico. A cronologia das buscas por Émile
Notícias ao Minuto

08:59 - 01/04/24 por Notícias ao Minuto

Mundo Émile

Quase nove meses depois, os restos mortais de Émile, o menino de dois anos e meio que desapareceu a 8 de julho do ano passado, foram encontrados perto de Haut-Vernet, aldeia onde passava férias com os avós, em França.

O crânio e os dentes do menino foram encontrados por uma pessoa que caminhava a cerca de dois quilómetros de Vernet, no dia 30 de março. Análises genéticas confirmaram o desfecho trágico: o ADN correspondia ao de Émile. No entanto, a causa da morte da criança continua um mistério.

As autoridades têm várias hipóteses em cima da mesa. Ainda que a possibilidade de um deslizamento de terra tenha sido descartada pelos investigadores, segundo o jornal Le Figaro, é necessário apurar se a morte de Émile ocorreu naquele local, ou se os restos mortais da criança foram, de alguma forma, ali deixados.

É que, recorde-se, aquela área já tinha sido revistada. De acordo com a coronel Marie-Laure Pezant, os restos mortais do menino podem ter sido ali deixados “depois das buscas”.

“Pode ter sido por intervenção humana, um fenómeno climático que provocasse alterações no terreno, ou até mesmo um animal. Todas as pistas estão a ser exploradas”, disse, tendo adiantado que as operações continuarão esta segunda-feira.

Por seu turno, o autarca de Vernet, François Balique, que interditou o acesso à aldeia até ao meio-dia de 7 de abril, salientou que a área entre a igreja e a capela, onde o menino foi encontrado, “foi revistada exaustivamente”. É, além disso, “um local por onde passam diariamente os caçadores e os seus cães, residentes, e onde, no outono, foram realizados trabalhos florestais”.

Mas como é que chegámos aqui?

O pequeno Émile tinha acabado de chegar a casa dos avós maternos para as férias verão. Naquele dia, os pais da criança não estavam presentes. Depois de se prepararem para dar um passeio, os avós do menino não conseguiram encontrá-lo. De facto, Émile terá sido visto pela última vez por dois vizinhos, às 17h15.

As autoridades foram alertadas pelas 18h00, e as buscas arrancaram no dia seguinte. Ao longo de dois dias, a pequena aldeia foi assolada por helicópteros, drones e centenas de pessoas que procuravam por Émile. Os residentes foram interrogados, 97 hectares de campos, matas e terrenos íngremes foram revistados, sem sucesso.

A “complexidade do caso” fez com que o Ministério Público de Aix-en-Provence abrisse uma investigação, a 18 de julho, que ficou a cargo de dois juízes. No final de agosto, e apesar de todas as hipóteses estarem a ser exploradas, a possibilidade de sequestro entrou oficialmente na equação.

Entretanto, as buscas por Émile prosseguiram com escavações, em setembro, e, em outubro, a propriedade de um agricultor foi revistada com drones e cães, sem sucesso.

Dezenas de buscas foram também realizadas em novembro. Nesse mês, Émile faria três anos, a 24 de novembro. Na véspera do aniversário do menino, os pais da criança apelaram a que os informassem quanto ao paradeiro do filho.

“Entendam a nossa angústia, digam-nos onde está Émile. Por favor, se estiver vivo, não nos deixem viver sem ele. Se estiver morto, digam-nos onde está”, lia-se no semanário Famille Chrétienne.

A família assegurou ainda que não tinha “nada a esconder” e, apesar de temer o pior, não perderia a “esperança”.

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As autoridades lançaram um apelo para que qualquer pessoa que possa ter visto o menino entre em contacto com a polícia.

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Já em janeiro de 2024, o Ministério Público de Aix-en-Provence anunciou que a unidade de investigação dedicada ao caso “ainda [estava] muito ativa”, tendo assumido apenas uma “forma mais técnica”, já que as buscas no terreno não surtiram resultados.

Depois, a 28 de março, foi organizada uma reconstrução do desaparecimento do menino na presença da família, vizinhos e testemunhas na área onde Émile tinha sido visto pela última vez. No total, 17 pessoas foram convocadas pelo juiz de instrução, numa ação que durou cerca de oito horas. Dois dias depois, os restos mortais da criança foram localizados.

Pais de Émile reagem: “É tempo de fazer o luto”

Num comunicado divulgado pelo advogado da família, e citado pela imprensa francesa, os pais do menino encararam a descoberta das ossadas do filho como "um sinal de que o Émile está a olhar por eles na companhia de Deus", neste "Domingo de Ressureição".

"É tempo de fazer o luto", apontaram, ao mesmo tempo que apelaram aos jornalistas a que "respeitem o seu luto" e não tentem contactar a família.

"Marie e Colomban gostariam de agradecer a todos os que os ajudaram e apoiaram, bem como aos juízes de instrução e aos investigadores, pelo seu trabalho, pelo seu profissionalismo, pelo seu empenhamento pessoal e pela sua humanidade, que os confortaram muito nestes últimos meses e, em particular, neste dia", explicou o advogado, Me Triomphe.

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