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Eleitores em Madagáscar optaram pela "continuidade" e pela "estabilidade"

O povo malgaxe escolheu a "continuidade" e a "estabilidade", congratulou-se hoje o Presidente cessante de Madagáscar, Andry Rajoelina, depois de reivindicar a vitória à primeira volta das eleições presidenciais no país.

Eleitores em Madagáscar optaram pela "continuidade" e pela "estabilidade"
Notícias ao Minuto

11:12 - 25/11/23 por Lusa

Mundo Madagáscar

"O povo malgaxe escolheu o caminho da continuidade, da serenidade e da estabilidade", declarou Rajoelina, de 49 anos, que obteve 58,95% dos votos expressos nas eleições realizadas em 16 de novembro, num contexto de boicote por parte de dez candidatos da oposição, que afirmaram na sexta-feira não reconhecer os resultados apresentados pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI).

Os resultados finais têm de ser ainda homologados pelo Supremo Tribunal Constitucional malgaxe.

Rajoelina, um antigo DJ com um passado golpista, conquistou assim um segundo mandato de cinco anos, apoiado pelo Tanora Malagasy Vonona (TGV, Jovens Malgaxes Determinados), partido de que é líder.

Doze candidatos, entre eles os antigos presidentes Marc Ravalomanana e Hery Rajaonarimanpianina, que apelaram ao boicote das eleições, bem como oito outros candidatos, boicotaram a votação.

Rajoelina nasceu em 30 de maio de 1974 em Antsirabe, a terceira maior cidade do país, no seio de uma família abastada em que o seu pai, o coronel Roger Yves Rajoelina, atualmente reformado, combateu no exército francês na Argélia.

Depois de completar os estudos secundários, Rajoelina abandonou a escola e optou pela indústria do espetáculo. Destacou-se como DJ em espetáculos musicais na capital, Antananarivo, antes de entrar no mundo dos negócios por volta de 2000.

Em 2007, o jovem Rajoelina tornou-se proprietário das estações de rádio e televisão Viva e candidatou-se à presidência da câmara de Antananarivo, liderando pela primeira vez o partido TGV, um acrónimo que faz referência ao comboio francês de alta velocidade. Aos 33 anos, foi eleito presidente da câmara com cerca de 63% dos votos.

Um ano mais tarde, esteve na vanguarda de uma campanha contra o Presidente Marc Ravalomanana, a quem acusou de violar o direito à liberdade de expressão depois de ter encerrado a Viva por causa de uma entrevista com o antigo chefe de Estado Didier Ratsiraka.

O encerramento das duas estações pelo Governo, que considerou a entrevista um atentado à "paz e segurança" do país, levou a uma manifestação na capital malgaxe, em 26 de janeiro de 2009, liderada por Rajoelina, em que pelo menos 104 pessoas foram mortas em incidentes violentos.

Cinco dias mais tarde, o jovem empresário proclamou-se "responsável pelos assuntos do país", nomeou um gabinete de "transição" e, com a ajuda do exército, abandonou o cargo de presidente da câmara e derrubou Ravalomanana através de um golpe de Estado.

Ravalomanana exilou-se na África do Sul e regressou em 2014, depois de ter sido condenado em 2010 "in absentia" a prisão perpétua e trabalhos forçados pela repressão da manifestação que levou ao seu derrube.

Desde o golpe de Estado, o regime de Rajoelina tem sofrido o ostracismo internacional e foi suspenso da União Africana (UA) e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) até ao restabelecimento da ordem constitucional.

A SADC apelou a Ravalomanana e a Rajoelina para que renunciassem a participar nas eleições de 2013, a fim de pôr termo à crise política.

Hery Rajaonarimampianina, que foi ministro das Finanças de Rajoelina, venceu as eleições de 2013 e chegou ao poder em 2014, depois de o seu chefe se ter demitido do cargo de líder da autoridade de transição.

Nas eleições de 2018, Rajoelina derrotou Ravalomanana com 55,66% dos votos contra 44,34% do seu adversário.

Depois de um mandato marcado pela crise da covid-16 e pela queda das exportações de baunilha - o país é o primeiro produtor mundial deste produto - o presidente candidatou-se às últimas eleições com o lema "Madagáscar rumo a um desenvolvimento seguro".

A candidatura foi envolta em polémica, uma vez que a oposição argumentou que Rajoelina deveria ser desqualificado do escrutínio por ter adquirido a nacionalidade francesa em 2014, em violação da Constituição.

"Não sou o único que tem dupla nacionalidade. Veja-se o exemplo do general (Gabriel) Ramanantsoa (presidente de Madagáscar entre 1972 e 1975), que estava na mesma situação. O mais importante é o patriotismo que me move", respondeu Rajoelina.

O Supremo Tribunal Constitucional rejeitou vários pedidos de declaração de nulidade da sua candidatura com base na dupla nacionalidade.

Em setembro, após a confirmação da sua elegibilidade, Rajoelina demitiu-se do cargo de Presidente, como exigido constitucionalmente, para se candidatar à reeleição.

Dez candidatos da oposição uniram-se numa coligação contra Rajoelina, a quem acusaram de um plano para alterar os resultados eleitorais a seu favor, numa campanha marcada por protestos dos seus apoiantes, que foram violentamente dispersos pelas forças de segurança e apelaram ao boicote da votação.

Apesar da controvérsia sobre a dupla nacionalidade e dos apelos da oposição ao boicote, Rajoelina afirmou ser "o único homem que pode unir o povo malgaxe".

Leia Também: Madagáscar. Rajoelina reeleito em presidenciais boicotadas pela oposição

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