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Eritreia nega acusações "caluniosas" sobre crimes de guerra no Tigray

A Eritreia considerou hoje como "caluniosas" e "sem fundamento" as acusações de "crimes de guerra" e "crimes contra a humanidade" apontados por Washington ao seu exército, durante os dois anos de conflito na região etíope do Tigray.

Eritreia nega acusações "caluniosas" sobre crimes de guerra no Tigray
Notícias ao Minuto

18:20 - 21/03/23 por Lusa

Mundo Etiópia

"As acusações, que não são novas, não se baseiam em nenhuma evidência factual e incontestável", disse o Ministério das Relações Exteriores da Eritreia, sobre as alegações feitas no dia anterior pelo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken.

Estas acusações "manifestam a continuação da hostilidade injustificada e demonização que o governo norte-americano tem continuado a demonstrar em relação à Eritreia desde 2009 para promover a sua agenda política oculta", disse Asmara.

Na segunda-feira à noite, Antony Blinken acusou todos os beligerantes do conflito em Tigray - forças pró-governamentais e rebeldes - de terem cometido crimes de guerra, dizendo que muitos deles não foram "aleatórios" ou "uma consequência indireta da guerra", mas "calculados e deliberados".

Mas também acusou em particular o exército federal etíope e os seus aliados, referindo-se ao exército eritreu e às forças e milícias da região de Amhara de crimes contra a humanidade, incluindo "homicídios, violações e outras formas de violência sexual e perseguição".

Esta "campanha barata de demonização visa chantagear e intimidar a Eritreia e o governo federal etíope por meio de acusações espúrias", enquanto "fortalece" as autoridades rebeldes em Tigray para criar "mais caos" e "provocar pretextos e condições para buscar interferência e intervenção ilegais", continuou o ministério da Eritreia.

O regime eritreu apoiou militarmente o governo federal etíope do primeiro-ministro Abiy Ahmed, enviando tropas para Tigray - que faz fronteira com sua fronteira sul - para combater as forças da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

A TPLF, que governou a Etiópia por quase três décadas até Abiy chegar ao poder em 2018, é inimigo de Asmara desde uma guerra entre os dois países entre 1998 e 2000.

A "guerra devastadora" no Tigray foi provocada pela TPLF, cujos "crimes (...) são numerosos demais para serem lembrados, mas foram deliberadamente minimizados" por Washington, afirmou Asmara.

O Governo da Eritreia também observou que as acusações americanas surgem quando a política americana é "contestada em todo o mundo e particularmente no continente africano".

Adis Abeba e Asmara negaram durante meses qualquer envolvimento da Eritreia no Tigray. Em março de 2021, o primeiro-ministro etíope finalmente admitiu a presença militar da Eritreia.

Washington impôs sanções no final de 2021 contra o exército e o partido no poder na Eritreia, cujas tropas foram acusadas de múltiplos abusos ao longo do conflito.

Um acordo de paz, assinado em 02 de novembro de 2022 em Pretória, na África do Sul, encerrou dois anos de conflito brutal no Tigray.

No ano passado, uma comissão de inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) disse ter encontrado evidências de crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados por forças do Governo etíope, forças do Tigray e militares da Eritreia.

Em dois anos, o conflito matou cerca de meio milhão de civis apenas no Tigray, de acordo com investigadores da Universidade de Ghent, na Bélgica, um número de mortos repetido por autoridades norte-americanas.

O conflito em Tigray iniciou-se em novembro de 2020 na sequência de um ataque da TPLF à base principal do exército federal em Mekelle, após o qual o Governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed ordenou uma ofensiva contra o movimento.

Os combates seguirem-se a meses de tensões políticas e administrativas, incluindo a recusa da TPLF em reconhecer um adiamento das eleições e a sua decisão de realizar eleições regionais à margem de Adis Abeba.

Leia Também: Etiópia. Situação melhorou, mas violações de direitos humanos continuam

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