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Demissões no Governo ucraniano? São "medidas contra membros da elite"

As recentes demissões de altos responsáveis do Governo ucraniano por suspeitas de corrupção provocaram danos, mas é importante demonstrar que esse comportamento não será tolerado, disse à Lusa o investigador Arkady Moshes.

Demissões no Governo ucraniano? São "medidas contra membros da elite"

"O Governo demonstrou que está disposto a afastar essas pessoas e não em defendê-las, em julgá-las e não deixá-las sem punição, disposto a tomar medidas contra os membros da elite", indicou o académico numa entrevista à Lusa.

"Na Ucrânia existe um grupo designado o 'batalhão do Mónaco', gente rica que continua a gozar a vida na Riviera francesa, em vez de lutar", precisou o diretor do programa para a Europa de leste e Rússia do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais (FIIA), sediado em Helsínquia.

E vincou: "Se o Governo demonstrar que não vai tolerar este tipo de comportamento, isso será bom para a Ucrânia. Alguma reputação foi atingida, algum dano feito, mas se o Governo estiver disposto a reagir como reage um Governo democrático normal, que se preocupa com eleições, com o que pensa a população, ajudará a conter estes danos".

Numa referência a este recente escândalo, que se seguiu a investigações de diversos 'media', o investigador lamentou que durante uma guerra "ainda existam pessoas que pensam poder roubar o seu próprio povo".

No entanto, recordou que antes do início do conflito, motivado pela invasão militar russa de 24 de fevereiro de 2022, "a Ucrânia já tinha uma reputação que estava longe de ser a ideal, e isso não se altera do dia para a noite".

Arkady Moshes, 56 anos, também membro do Programa de Novas Abordagens sobre Pesquisa e Segurança na Eurásia (PONARS, Eurásia), considera que os danos terão sido contidos atempadamente, num contexto em que a guerra parece entrar numa fase decisiva.

Nesta perspetiva, o académico refere que a recente aprovação por Kyiv de novas normas para a incorporação de estrangeiros no exército ucraniano não constitui um sinal de escassez de recursos humanos, como foi sugerido por diversos analistas.

"Os ucranianos parecem ter o número de soldados suficientes, não têm é o número suficiente de armas para lhes fornecer", assinalou.

"Não é escassez de tropas, pode apenas aumentar as fileiras ucranianas, e quem o quer fazer provavelmente já está no terreno. Não considerei isso como um grande sinal, ainda têm gente suficiente, e armamento insuficiente", reforçou.

Os estrangeiros incorporados no lado ucraniano deverão ser contemplados com diversos direitos no final do conflito, como a atribuição de uma pensão, segundo Arkady Moshes.

"Será uma forma de tornar mais transparente o estatuto legal desses estrangeiros e mais fácil, porque quem ficasse seriamente ferido não tinha praticamente direitos na Ucrânia", concluiu.

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