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Tanques? Posição alemã não constitui "divisão estratégica" da Europa

A posição reservada da Alemanha sobre o envio dos seus tanques para a Ucrânia não constitui uma divisão estratégica da Europa e deve-se às fraturas existentes na opinião pública e Governo, afirmou à Lusa o investigador Arkady Moshes.

Tanques? Posição alemã não constitui "divisão estratégica" da Europa

"A coesão não está em causa, não é uma contradição permanente. A liderança alemã tenta encontrar o que será melhor para si, a nível interno e internacional. Mas não tenta bloquear o processo, já anuiu ao desejo de fornecer os tanques Leopard 2, e isso é agora mais importante", considerou em entrevista à agência Lusa o diretor do programa para a Europa de leste e Rússia do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais (FIIA), sediado em Helsínquia.

Horas depois de o académico ter falado à Lusa a imprensa alemã avançou, terça-feira à tarde, que a Alemanha tinha aprovado o envio de tanques Leopard 2 para a Ucrânia e que estava disposta a autorizar a transferência para aquele país de pelo menos uma companhia do modelo Leopard 2A6.

Na perspetiva do académico, a "renitência" alemã às crescentes pressões de diversos aliados da NATO para a autorização do envio deste sofisticado armamento, em particular da vizinha Polónia, não constitui uma "divisão estratégica".

"Mas existem obviamente desacordos relacionados com a posição alemã, que podem ser explicadas por uma conhecida fratura na opinião pública alemã, entre a opinião pública na antiga Alemanha de leste e o resto do país, mas também nos partidos", prosseguiu.

A nível europeu, recordou, os britânicos já tomaram essa decisão com os seus Challenger 2 e os franceses estão a discutir o envio de diversos tanques Leclerc.

"O processo segue na direção de que a Ucrânia irá receber os tanques. Haverá uma coligação de vontade que pode ser menor que no início, mas é um facto que os tanques serão enviados, incluindo os Leopard 2 que possui a Polónia", vaticinou Arkady Moshes, 56 anos, também membro do Programa de Novas Abordagens sobre Pesquisa e Segurança na Eurásia (PONARS, Eurásia).

"No início da invasão, os países ocidentais estavam muito hesitantes em enviar algo mais que capacetes e cobertores, mas tudo mudou quando os ucranianos começaram a receber mísseis Javelin, armas de topo tecnológico, e depois os sistemas de defesa antiaérea Patriot", indicou.

No entanto, o investigador considera que, em termos simbólicos, o envio dos tanques não são o fator mais importante no atual cenário do conflito, e quando já foram percorridos 11 meses desde o início da invasão militar russa, em 24 de fevereiro de 2022.

"A Ucrânia e o próprio Presidente [Volodymyr] Zelensky disseram que caso recebam 50 tanques isso não vai alterar estrategicamente a situação, em comparação com o número de tanques que o exército russo ainda possui", frisou.

Desta forma, Arkady Moshes considera que este novo armamento não significará uma "alteração substancial" na atual situação militar, apesar de politicamente ainda se caminhar nessa direção.

"Temos visto aquilo que a Ucrânia recebe diariamente, quer a nível militar quer em termos económicos. Nesse sentido, a coesão não está em causa porque existe o consenso de que a Ucrânia necessita ser ajudada, há apenas desacordos sobre o que exatamente é necessário e quando a Ucrânia necessitará dessa ajuda", concluiu.

Leia Também: NATO? Suécia e Finlândia farão o possível para aderir "em conjunto"

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