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'Dr. Oz' apanhado a dizer que incesto "não é problema" com prima indireta

A antiga estrela de televisão é candidato ao senado norte-americano, mas a campanha tem sido recheada de gaffes e polémicas em torno do seu falso currículo.

'Dr. Oz' apanhado a dizer que incesto "não é problema" com prima indireta
Notícias ao Minuto

16:00 - 07/09/22 por Notícias ao Minuto

Mundo Estados Unidos

A campanha para senador de Mehmet Oz tem sido tudo menos perfeita. O antigo 'doutor de televisão', que ganhou fama a fazer recomendações de dieta em programas 'daytime', altamente contestadas por especialistas, é candidato pelo estado do Pensilvânia para as eleições intercalares de novembro, mas um novo áudio veio complicar ainda mais a sua campanha.

Num programa de rádio de 2014, divulgado pelo site 'Jezebel' - confirmado pelo Notícias ao Minuto e pela revista Rolling Stone -, Oz é questionado por um ouvinte, cuja pergunta é lida pela apresentadora, sobre uma relação incestuosa com uma prima.

Ora, Oz chegou a dar conselhos sobre educação sexual nos seus programas (algo que também foi alvo de várias críticas por especialistas na matéria, vincando que Oz não o é), mas a resposta do candidato é algo estranha. Primeiro, Mehmet Oz diz categoricamente que "se forem afastados mais do que uma prima em 2.º grau, não é um problema".

Quando o popular apresentador de rádio Charlamagne tha God goza com o assunto, sugerindo que um eventual filho poderia nascer com trissomia 21 caso a relação familiar fosse mais direta, Oz esclarece, com uma sugestão que motiva ainda mais confusão.

"Cada família tem genes fortes e fracos. E a razão pela qual as pessoas naturalmente procuram pessoas que não são como elas é para misturar os genes um pouco. Assim, se eu tiver um gene para, por exemplo, hemofilia, que é um exemplo clássico de uma doença em que, se te cortares, sangras muito, eu não quero casar com uma prima que tenha o mesmo gene, porque as probabilidades de a criança ter ambos os genes é muito grande", disse Oz, antes de continuar com uma comparação demasiado específica. "É por isso que as raparigas não gostam do cheiro dos seus pais. As suas feromonas na verdade afastam as filhas porque não é suposto estarem juntos. As minhas filhas odeiam o meu cheiro".

Primeiro, convém clarificar, mais uma vez, que Mehmet Oz tem formação médica, mas não é especialista em genética. Além de vários dos seus livros serem contestados por especialistas - um estudo do British Medical Journal concluiu que 54% das suas recomendações de dietas não são suportadas por factos científicos -, Oz chegou a ser investigado por recomendar produtos que o próprio vendia, em prol de conselhos médicos verídicos.

Segundo, devemos esclarecer que a questão da passagem de genes de doenças crónicas é bastante mais complexa do que Mehmet Oz procura transparecer, e muitos dos genes de pais não passam necessariamente de forma direta para os filhos, e o nosso código genético, ou ADN (ácido desoxirribonucleico) é composto por dezenas de milhares de características.

Finalmente, também a sugestão do cheiro dos pais ligados à transmissão de feromonas, e a relação das filhas do sexo feminino, é também demasiado complexa para a conclusão categórica e firme que Oz faz.

John Fetterman, o candidato democrata e adversário de Oz às eleições intercalares (ou 'Midterms'), partilhou a entrevista, salientando que a questão do incesto é "mais um assunto no qual Oz e eu discordamos".

No final da intervenção no programa de rádio, a apresentadora ainda tentou brincar com o assunto, sugerindo a Oz que ele é que, simplesmente, cheirava mal. "A minha mulher diz que gosta do meu cheiro", rematou Oz.

Campanha envolta em gaffes, falhas e contradições

O democrata John Fetterman também tem feito várias críticas ao facto de Mehmet Oz ter uma relação muito superficial com o estado da Pensilvânia. Oz só se registou para votar na Pensilvânia em outubro de 2020, um mês antes de anunciar a sua candidatura. Até então, a estrela de televisão viveu a vida toda em Nova Jérsia.

Numa entrevista recente, Oz tentou reafirmar a sua proximidade com o estado do Pensilvânia, dizendo que cresceu "a sul de Filadélfia" (a capital do estado). Fetterman aproveitou e publicou um mapa, que demonstra que, a sul de Filadélfia, fica... o estado de Nova Jérsia.

E depois chega a relação com Donald Trump. O antigo presidente norte-americano, envolto em processos e polémicas devido ao seu papel no ataque ao Capitólio, em janeiro de 2021, e nas tentativas de reverter o resultado das eleições de 2020, apoiou a candidatura de Mehmet Oz.

E em vários comícios, Oz foi visto a falar com eleitores, procurando saber as suas preocupações, mas as imagens captadas pela campanha do próprio mostraram os eleitores a afastarem-se do candidato, não querendo estar relacionados com ele.

Recentemente, uma entrevista de 2019 voltou a circular, na qual Oz defendia o direito ao aborto e reiterava os riscos de saúde para as mulheres se a prática fosse proibida. Agora, em 2022, o candidato juntou-se ao Partido Republicano em considerar o aborto um homicídio e a considerar que a vida começa na conceção - um volte-face muito criticado pelos seus opositores, ainda para mais quando Oz foi pouco claro nas exceções à regra (entre as quais a violação e, lá está, o incesto).

'Dr. Oz' consegui vencer uma renhida eleição primária para ser o candidato republicano ao cargo de senador pelo estado da Pensilvânia, uma eleição que terá lugar em novembro. Tendo em conta que os democratas têm a mais mínima das margens no Senado - 50-50, com o desempate garantido pela vice-presidente democrata Kamala Harris -, a corrida na Pensilvânia torna-se muito importante.

No entanto, os democratas têm muito mais esperança em Fetterman do que os republicanos têm em Oz - segundo os modelos do conceituado site FiveThirtyEight, Fetterman é o grande favorito nesta eleição, com o modelo a prever 79 vitórias em 100 possíveis e com as sondagens a mostrarem um distanciamento cada vez maior entre os dois candidatos.

Leia Também: EUA. McCormick dá vitória a Oz na primária republicana na Pensilvânia

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