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Emmett foi linchado aos 14 anos. Após 70 anos, poderá haver nova suspeita

O jovem, de 14 anos, foi atirado ao rio, no estado norte-americano do Mississipi, com uma ventoinha descaroçadora de algodão, que estava agarrada ao corpo com arame farpado. Mãe pediu para abrir o caixão para todos verem o que tinham feito.

Notícias ao Minuto

23:56 - 29/06/22 por Notícias ao Minuto

Mundo Estados Unidos

Um mandado de captura foi encontrado, na semana passada, nos arquivos de um tribunal do Mississipi. O que à primeira vista parece irrelevante, poderá tornar-se num momento de viragem para o caso de Emmett Till, um adolescente que morreu devido a motivações racistas, em 1955.

O cadáver do jovem, de 14 anos, foi resgatado de um rio dias depois de ter desaparecido de casa de um familiar. Os restos mortais foram retirados do fundo do rio, onde se mantinham devido ao peso de uma ventoinha descaroçadora de algodão, que estava agarrada ao corpo com arame farpado.

As buscas nas instalações jurídicas, que resultaram na descoberta do mandado não executado, foram iniciadas por familiares de Emmet Till, que quase 70 anos depois ainda procuram fazer justiça. As familiares - uma prima e a sua filha - querem agora que a mulher referida no documento como Mrs. Roy Bryant seja detida.

"Elas triaram pelas décadas de 50 e 60 e tiveram sorte", considerou um dos responsáveis acerca do achado.

A visada é Carolyn Bryant Donham, e era casada com um dos dois homens que foram detidos no âmbito deste processo. Apesar de num primeiro momento negarem as acusações, os dois homens, irmãos, acabaram por ser condenados pelo homicídio e rapto de Emmett Till.

Na altura, em que o Mississipi era um dos estados mais racistas dos Estados Unidos, Donham acusou o adolescente de ter tido comportamentos inadequados numa loja. Um primo que o acompanhava disse, em tribunal, que o jovem tinha assobiado a uma mulher.

Carolyn Donham foi identificada, mas mais tarde absolvida porque, de acordo com a Associated Press, o chefe da polícia não queria "incomodar" a mulher porque ela tinha dois filhos para cuidar. Donham, que ainda é viva, não quis comentar a possibilidade de o caso voltar aos tribunais. Terá sido ela a identificar Till ao marido e cunhado na altura enquanto o observava dentro de um carro.

De acordo com o que defendem as familiares, este mandado poderá servir como nova prova para que a mulher seja acusada de participar no rapto e, assim, julgada. "É atrás disto que o estado do Mississipi tem de ir", defendem.

O caso de Emmett Till foi um marco no movimento dos direitos civis, tendo a mãe do adolescente pedido para que o caixão ficasse aberto, por forma a verem o estado em que este ficou depois de ser agredido.

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