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Pílula masculina? "Homens podem fazer algo para garantir equilíbrio"

Três homens contam como foi participar numa investigação para uma eventual pílula anticoncecional masculina, defendendo, inclusive, como esta é uma boa opção para contribuir para a mitigação dos efeitos das restrições que estão a ser colocadas no acesso ao aborto nos Estados Unidos.

Pílula masculina? "Homens podem fazer algo para garantir equilíbrio"

Quando se ouve falar em métodos contracetivos, na maioria das vezes a mulher tem uma lista bem mais extensa do que os homens. Enquanto o público feminino tem cerca de dez formas de tentar evitar uma gravidez, o masculino está, nos dias de hoje, reduzido a dois: o preservativo e a vasectomia.

Com mais realização de estudos e com um maior - ainda que reduzido -  investimento das farmacêuticas numa eventual pílula anticoncecional masculina, surgem também alguns testemunhos, que podem ser o 'ponto de viragem' nesta situação. Ao Insider, três homens falaram sobre as suas experiências na toma destes comprimidos, experiências estas que foram realizadas no âmbito dos estudos levados a cabo pelo Centro de Investigação em Reprodução e Contraceção da Universidade de Washington (University of Washington's Center for Research in Reproduction and Contraception, CRRC, na sigla em ingês), nos Estados Unidos.

De uma leve euforia a uma sensação de descontração

Storm Benjamin deparou-se com a possibilidade de participar no estudo da universidade norte-americana quando estava a fazer scroll no Facebook.

"O pensamento de que não havia uma opção hormonal masculina sempre esteve na minha cabeça", explicou à publicação, contando o que o levou a participar: "É algo que posso fazer para ajudar a que alguma coisa seja disponibilizada no mercado".

Apesar de os resultados não serem ainda públicos, Benjamin conta que o tratamento durou 12 semanas e que por ele recebeu 1.500 dólares, cerca de 1.400 euros.

Pelo que conta, não houve nenhum efeito adverso. "No máximo, tinha uma sensação depois de tomar os comprimidos que descrevo como uma espécie de leve euforia e descontração, o que era realmente estranho", notou. Ao Insider, os investigadores explicaram que esta podia ser uma reação às hormonas sintéticas dos comprimidos, cujo tamanho era "muito grande", segundo o que descreveu. 

Todos os meses ia à clínica para recolher amostras de esperma, o que era um momento estranho. "Toda as pessoas sabem o que se passa, e tentam ser profissionais sobre o que está a acontecer", lembrou.

Esta primeira experiência foi feita em 2018, e o homem inscreveu-se para outro estudo, que terminou em maio deste ano. Benjamin contou ainda que não quer ser pai e que a única coisa que o impede de fazer uma vasectomia é que seria impossibilitado de participar noutros estudos.

Menos pressão, mais contribuição

Rufaro Huggins apercebeu-se de que queria fazer algo pela saúde feminina quando, depois do parto traumático que trouxe o seu primeiro filho, a mulher foi a uma consulta durante a qual lhe disseram que havia riscos elevados caso houvesse uma 2.ª gravidez. "Percebi que as mulheres carregam com muita coisa" afirmou.

Descartada a hipótese de um segundo filho, o homem, de 41 anos, decidiu fazer parte dos estudos do CRRC para "contribuir, acima de tido, para as opções para as mulheres". Desde 2016, que Huggins tem sido submetido a alguns estudos, e, segundo ele, não notou nenhumas mudanças a nível emocional, e as únicas físicas estão relacionadas com o aumentos de peso. O homem, que é desportista, conseguiu perfeitamente manter a sua rotina.

As restrições que estão a ser colocadas no acesso ao aborto nos Estados Unidos são um dos motivos pelos quais Rufaro considera estes estudos cruciais. "Sinto que todos nós podíamos fazer alguma coisa pela sociedade, mas principalmente os homens poderiam fazer algo para garantir que há equilíbrio e estabilidade", defendeu ao Insider. De acordo com o desportista, os homens "deviam fazer o que fosse preciso para garantir que é exercida menos pressão numa mulher - seja porque dá à luz ou porque decide não o fazer".

Dos testemunhos ouvidos pelo Insider, Steve Owens é aquele que se sujeita a estudos há mais tempo, e a decisão parece ter sido tomada em casal - nenhum estava satisfeito com uma solução hormonal a longo prazo, e, segundo Owen, utilizar preservativo parecia "um retrocesso" quando se casaram.

O pioneiro

No início do milénio, Owen ouviu na rádio sobre a possibilidade de um contracetivo masculino, e tem marcado presença nos estudos da CRRC desde então. De acordo com o que contou ao Insider, experimentou gel, implante, injeções e, mais recentemente, os comprimidos hormonais que estão a ser estudados - durante os cerca de 20 anos, Owen fez uma pausa nestas investigações e teve dois filhos.

O gel foi o método de que menos gostou. "Eu nem uso creme hidratante, então foi doloroso para mim", contou Por sua vez, o implante foi o seu favorito, já que nem precisa de pensar nele enquanto o usava.

"Eu sou uma pessoa que funciona normalmente e que teve uma carreira, e não há nada para ter medo", referiu. "Apenas acho que se mais pessoas soubessem acerca disto, e soubessem quão seguro e eficaz isto é, talvez estivesse mais próximo de estar no mercado", rematou, referindo-se ao "estigma" que existe na possibilidade de serem os homens a tomar contracetivos.

De acordo com os resultados do estudo em que estes homens participaram, 3 em cada 4 homens recorreria novamente a este método.

Leia Também: OMS diz que decisão judicial dos EUA sobre o aborto é "um retrocesso"

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