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Minsk qualifica serviço de rádio financiada pelos EUA de extremista

O governo bielorrusso qualificou hoje como extremista o serviço da rádio financiada pelos Estados Unidos Radio Free Europe/Radio Liberty, tendo iniciado uma investigação criminal contra um dos jornalistas e detido outro.

Minsk qualifica serviço de rádio financiada pelos EUA de extremista

Trata-se do mais recente movimento de repressão da Bielorrússia contra a comunicação social independente do país.

O Ministério do Interior da Bielorrússia acrescentou a emissora, conhecida no país como Radio Svaboda (Radio Freedom), e os seus jornalistas à lista de organizações extremistas.

No início do mês, um tribunal da capital bielorrussa, Minsk, decidiu designar os conteúdos do 'site' na Internet da Radio Svaboda como extremistas.

Jornalistas e cidadãos comuns podem ser condenados até sete anos de prisão por disseminar conteúdos produzidos por veículos "extremistas".

Também hoje, as autoridades abriram um processo criminal contra Andrey Kuznechyk, um jornalista de 43 anos da Free Europe/Radio Liberty's (RFE/RL), disseram os seus familiares, mas sem clarificar as acusações.

O jornalista foi detido há um mês e condenado a uma pena de 10 dias de prisão. De acordo com o presidente da RFE/RL, Jamie Fly, o jornalista permanece sob custódia, embora já tenha cumprido duas sentenças.

"Andrey Kuznechyk cumpriu as suas sentenças. Tanto quanto sabemos, as autoridades bielorrussas continuam a detê-lo, como um refém sequestrado. Andrey deveria ter permissão para voltar para a sua família imediatamente. Jornalismo não é crime", disse Jamie Fly, citado em comunicado.

A principal organização para os direitos humanos bielorrussa, Viasna, adiantou que outro repórter da Radio Svaboda havia sido hoje detido.

Aleh Hruzdzilovich, de 63 anos, foi detido na sua casa em Minsk, indicou a Viasna, depois de policiais mascarados terem arrombado a porta do seu apartamento. O jornalista é acusado de se preparar para uma grave violação da ordem pública e pode ser preso até quatro anos, se for condenado.

Mais de 300 órgãos de comunicação social independentes e canais na aplicação de mensagens Telegram foram designados de "extremistas" na Bielorrússia, depois de cobrirem os protestos massivos que surgiram após as eleições presidenciais em agosto de 2020. Os resultados oficiais deram ao presidente autoritário Alexander Lukashenko um sexto mandato, mas foram denunciados pela oposição e pelo Ocidente como uma farsa.

Em resposta às manifestações antigovernamentais sem precedentes, o governo de Lukashenko desencadeou uma violenta repressão contra os manifestantes, prendendo mais de 35.000 e agredindo brutalmente milhares.

Todos os principais ativistas da oposição deixaram o país ou foram presos.

Depois de os protestos terem diminuído, as autoridades atacaram os órgãos de comunicação social independentes, organizações para os direitos humanos, jornalistas e ativistas.

Um total de 31 jornalistas bielorrussos estão presos atualmente, a cumprir ou a aguardar julgamento.

Na última quinta-feira, Ihar Losik, um importante 'blogger' e jornalista da RFE/RL, foi condenado a 15 anos de prisão por um tribunal da cidade de Gomel.

"O jornalismo da Bielorrússia foi considerado crime e dezenas de colegas foram colocados atrás das grades por cumprirem os deveres profissionais. Para a liberdade de expressão na Bielorrússia, foram estabelecidos os padrões da Coreia do Norte", contestou o presidente da Associação de Jornalistas da Bielorrússia, Andrei Bastunets.

Leia Também: Bielorrússia e Polónia negam acesso da ONU à fronteira

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