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Ataques à educação nos Camarões tem "impacto devastador"

Ataques sistemáticos e generalizados de grupos separatistas armados a estudantes, professores e escolas nas regiões anglófonas dos Camarões desde 2017 estão a ter "um impacto devastador" no acesso das crianças à educação, denunciou hoje a Human Rights Watch.

Ataques à educação nos Camarões tem "impacto devastador"

O organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos divulgou um relatório em que documenta dezenas de ataques relacionados com a educação por grupos separatistas armados nas regiões anglófonas do noroeste e sudoeste do país entre março de 2017 e novembro de 2021.

"Os líderes de grupos separatistas devem anunciar imediatamente o fim do boicote escolar e garantir que os seus combatentes acabem com todos os ataques a escolas, professores e estudantes", apela Ilaria Allegrozzi, investigadora sénior da HRW e autora de um texto de 131 páginas intitulado: "Eles estão a destruir o nosso futuro": Ataques separatistas armados a estudantes, professores e escolas nas regiões anglófonas dos Camarões".

"Estes ataques criminosos não causam apenas danos físicos e psicológicos imediatos às vítimas, põem em perigo o futuro de dezenas de milhares de estudantes", afirma Allegrozzi.

A crise da educação nas regiões anglófonas começou no final de 2016, quando as forças de segurança dos Camarões usaram de força excessiva contra manifestantes pacíficos liderados por professores e advogados, que protestavam contra a perceção de marginalização dos sistemas educacionais e legais anglófonos, minoritários do país, e a sua assimilação pelos sistemas francófonos.

Grupos separatistas armados, em luta pela independência ou maior autonomia das duas regiões de língua inglesa, emergiram por esta altura e cresceram desde então, fazendo da educação um campo de batalha preferencial.

A partir do início de 2017, estes combatentes separatistas começaram a ordenar e a impor um boicote escolar, alegando opor-se a uma educação francófona, imposta pelo Governo central.

"A estratégia faz parte de uma ambição perversa mais geral de pressionar o Governo no sentido de um reconhecimento político", explica Ilaria Allegrozzi.

Grupos separatistas começaram então a atacar dezenas de escolas em todas as regiões anglófonas. Estes ataques, o medo resultante e a deterioração da situação de segurança provocaram o encerramento de escolas - duas em cada três escolas foram fechadas em todas as regiões anglófonas -, negando o acesso à educação a mais de 700.000 estudantes, descreve-se no relatório.

Pelo menos 70 escolas foram atacadas desde 2017, de acordo com relatórios de várias agências das Nações Unidas, do Banco Mundial e de organizações da sociedade civil camaronesa e internacional, assim como pelos meios de comunicação social.

A Human Rights Watch alega ter documentado "em pormenor" 15 ataques durante os quais os combatentes separatistas ordenaram o encerramento e a destruição de infraestruturas e bens escolares. A ONG documentou igualmente os assassínios de 11 estudantes e cinco professores na região sudoeste.

Sete estudantes foram mortos num ataque à sua escola em Kumba, e três estudantes e um professor num ataque a uma escola em Ekondo Titi. Os outros foram mortos em casa, a caminho da escola, ou à saída dela.

Os grupos separatistas levaram ainda a cabo centenas de raptos. A HRW documentou 268 raptos de estudantes e profissionais da educação desde 2017. Só em dois incidentes, um em 2018 e outro em 2019, os combatentes raptaram 78 e 170 estudantes, respetivamente, de escolas na região noroeste do país.

Os grupos separatistas também utilizaram edifícios escolares como bases para armazenar armas e munições, bem como para manter e torturar reféns. A HRW alega ter documentado a utilização por combatentes destes grupos de, pelo menos, sete escolas nas duas regiões anglófonas.

"Isto pode levar à danificação ou destruição de infraestruturas vitais de educação", alerta-se no relatório.

A Human Rights Watch partilhou as conclusões preliminares deste estudo em 22 de setembro último com os líderes de grandes grupos separatistas que lutam pela independência da não reconhecida República Federal da Ambazonia, que contestam a responsabilidade pelos ataques.

A Human Rights Watch enviou igualmente uma carta, com um resumo das conclusões do relatório e perguntas, ao primeiro-ministro camaronês, Joseph Dion Ngute, no passado dia 21 de setembro, que ainda não respondeu.

Leia Também: Milhares fogem dos Camarões e refugiam-se no Chade devido a violência

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