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Presdiente do Sudão do Sul promete não "regressar à guerra"

O Presidente Salva Kiir Mayardit do Sudão do Sul prometeu hoje não "regressar à guerra" num discurso comemorativo do décimo aniversário da independência, e apelou ao "esforço conjunto" para colocar o país no caminho do desenvolvimento".

Presdiente do Sudão do Sul promete não "regressar à guerra"

Dois anos e meio após a independência, em 9 de Julho de 2011, o Sul do Sudão afundou-se numa guerra civil sangrenta entre as forças do Presidente Kiir e as do seu rival Riek Machar, que em cinco anos deixou cerca de 400 mil mortos, 2,2 milhões refugiados e 1,4 milhões de deslocados internos, segundo o Norwegian Refugee Council, mergulhando o país numa grave crise humanitária.

Um acordo de paz dito "revitalizado" com mais de 3.000 disposições foi assinado em setembro de 2018, retomando um texto semelhante aprovado dois anos antes, que resgata a solução de partilha do poder estabelecida no nascimento do mais jovem país do mundo: Os dois homens lideram o Sudão do Sul numa frágil coabitação, Kiir como Presidente e Machar como vice-presidente.

"Garanto-vos que não vamos regressar à guerra. Trabalhemos todos juntos para recuperar da última década e reconduzir o nosso país ao caminho do desenvolvimento nesta nova década", disse o presidente num discurso em inglês.

Salva Kiir saudou também "o novo espírito de diálogo entre as partes [signatárias do acordo de 2018], que reduziu o enorme défice de confiança que existia antes".

As prioridades do governo são "o sector da segurança e as reformas económicas", acrescentou o líder da maior etnia do país, os Dinka (agricultores, arquirrivais dos Nuer, pastores, a etnia de Machar), explicando que "estas duas áreas irão estabilizar" o Sudão do Sul, e "assegurar o crescimento económico através do aumento da produção, levando ao desenvolvimento socioeconómico".

Embora muitas áreas sejam flageladas localmente pela violência intercomunal, Kiir disse estar "plenamente consciente do longo caminho a percorrer para alcançar a segurança total no país".

Salva Kiir criticou ainda o embargo de armas, prorrogado pelas Nações Unidas até 31 de maio de 2022, que, segundo o Presidente, o impede de fornecer "as armas necessárias" às novas forças de segurança, um primeiro contingente de 53.000 efetivos que está "pronto" a terminar a formação.

Referindo-se às grandes reservas petrolíferas do país, Salva Kiir recordou que "foram abertos mais campos de petróleo nas áreas de produção" e afirmou que uma refinaria de petróleo "estará, em breve, plenamente operacional".

O Sudão do Sul é o país mais jovem do mundo, 193º estado-membro das Nações Unidas, mas onde mais trabalhadores de organizações humanitárias foram mortos nos últimos anos.

O país encontra-se espartilhado em fragmentos de território sob o controlo das forças leais a Kiir, das forças do chamado Exército de Libertação do Povo do Sudão na Oposição (SPLA-IO) leais ao vice-presidente Riek Machar, e ainda de uma quantidade grande de exércitos particulares, sob o comando de senhores da guerra, ou "generais", alinhados ou não com Kirr ou Machar, que exploram vastas zonas ricas de território por interesses pessoais e de poder político.

Estamos "muito longe da euforia" vivida no referendo de janeiro de 2011, em que 98,3% dos quase 12 milhões de sudaneses do sul votaram a favor da autodeterminação, assim como no dia 9 de julho desse ano, em que celebraram a consumação dessa escolha, disse à Lusa Mark Millar, analista de conflitos no Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC, na sigla em inglês).

"A situação piorou, de facto. Os ciclos de violência, que já tinham quatro décadas, foram renovados e exacerbados e tornaram-se ainda maiores. O processo de paz não correspondeu às expectativas do povo", acrescentou o analista britânico do NRC, que trabalha em Juba, capital do Sudão do Sul.

Leia Também: UE apela ao governo do Sudão do Sul a "fazer mais" pela paz

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