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Arguidos declaram-se inocentes no julgamento de subversão na Jordânia

Um ex-conselheiro do Rei Abdullah II da Jordânia e um parente do monarca declararam-se hoje inocentes face às acusações de sedição e incitamento, indicou hoje o advogado de defesa num julgamento que envolve indiretamente o príncipe Hamzah.

Arguidos declaram-se inocentes no julgamento de subversão na Jordânia
Notícias ao Minuto

14:58 - 21/06/21 por Lusa

Mundo Justiça

A sedição é uma conduta aberta, como discurso e organização, que tende à rebelião contra a ordem estabelecida e inclui a subversão de uma Constituição e o incitamento ao descontentamento ou à insurreição contra a autoridade estabelecida.

As acusações giram em torno de uma rixa pública sem precedentes na família real tradicionalmente discreta e foram defendidas hoje no julgamento, realizado sob forte segurança e fechado à imprensa.

Os arguidos são acusados de conspirar com um membro sénior da Casa Real -- o príncipe Hamzah, meio-irmão do Rei -- para fomentar a agitação contra Abdullah II.

Hamzah não é alvo de qualquer acusação, depois de o Rei ter indicado que a família real está a tratar do assunto de forma privada. 

Mesmo assim, o príncipe é a figura central do caso e os advogados de defesa já referiram que planeiam chamá-lo para depor.

Desde que o conflito surgiu abertamente no início de abril, com Hamzah a ficar em prisão domiciliária, as narrativas conflituantes giraram em torno do príncipe, muito popular na Jordânia. 

Para muitos jordanos, Hamzah é um líder que apoia os que acusam o Rei de má administração económica e de corrupção, enquanto para outros trata-se de um membro da família real descontente porque nunca perdoou Abdullah II por este lhe ter retirado o título de príncipe herdeiro, em 2004.

A acusação, lida hoje no tribunal, alega que Hamzah foi movido pela ambição pessoal e pela determinação em conquistar o trono, tendo salientado que o príncipe e os dois arguidos - Sharif Hassan bin Zaid, um membro da realeza e primo distante do Rei, e Bassem Awadallah, um ex-conselheiro real -- conspiraram para agitar o descontentamento. 

Awadallah, que tem cidadania jordana, norte-americana e saudita, ocupou cargos importantes na Jordânia, incluindo o de chefe da Casa Real e ministro do Planeamento. Mais tarde, serviu como enviado oficial do Rei à Arábia Saudita e tem laços estreitos com o poderoso príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. 

Os dois são as figuras mais importantes do sistema político jordano a comparecer num tribunal, que normalmente julga casos ligados ao tráfico de droga.

Mohammad Afeef, que representa Awadallah como advogado de defesa, disse aos jornalistas que esperaram horas do lado de fora do tribunal que os dois arguidos se declararam "inocentes. 

Afeef acrescentou que o tribunal ouviu duas testemunhas de acusação e que, terça-feira, será realizada nova sessão.

Ao serem tornadas públicas, as divergências na Casa Real quebraram tabus na Jordânia e geraram grande nervosismo nas capitais estrangeiras, com as potências ocidentais a defenderem Abdullah II, que o consideram um aliado indispensável numa região instável.

O caso também expôs rivalidades na dinastia Hachemita da Jordânia e gerou críticas públicas sem precedentes ao monarca.

Leia Também: Jordânia envia para tribunal dois colaboradores do príncipe Hamzah

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