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Jovens portugueses querem igualdade e reforço do Estado de Direito

Jovens portugueses criticaram hoje o afastamento entre a União Europeia (UE) e os cidadãos e apelaram para a promoção de políticas de igualdade, de acesso à habitação e de reforço do Estado de direito na Europa.

Jovens portugueses querem igualdade e reforço do Estado de Direito
Notícias ao Minuto

20:17 - 16/06/21 por Lusa

Mundo UE/Presidência

Cerca de 30 jovens portugueses manifestaram hoje as suas opiniões e preocupações no evento "Os Jovens e a Conferência sobre o Futuro da Europa", que contou com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias, e da vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Dubravkca Suica.

Entre as preocupações manifestadas pelos jovens presentes no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, destaca-se um apelo para uma maior "proximidade" das instituições europeias com os cidadãos europeus, em particular com os mais jovens, que criticam "o fosso criado pela globalização e pela europeização" nas sociedades, promotor de desigualdade de oportunidades.

Um estudante residente na Polónia, que participou no evento remotamente, pediu "uma Europa com uma mão mais pesada para quem for contra o Estado de direito", aludindo precisamente à Polónia e à Hungria, países que, disse, "colocam todos esses valores em causa constantemente e não sofrem consequências".

O mesmo jovem criticou o que designou por "hipocrisia" da UE, ao exigir o respeito pelo Estado de direito como critério de adesão ao bloco, ao mesmo tempo que deixa que os Estados-membros "depois venham colocar esse Estado de Direito em causa".

"Eu quero uma Europa que tenha honra naquilo que assina e naquilo que propõe", defendeu.

Já um representante da Associação Académica de Lisboa apelou para a "equidade na mobilidade" dos estudantes na UE, referindo-se ao programa Erasmus e apontando a dificuldade dos jovens no acesso a esse programa por incapacidade financeira.

É necessário, por isso, "um reforço dos apoios financeiros para essa mobilidade", defendeu o representante da academia de Lisboa.

O acesso à habitação figurou também entre as preocupações manifestadas pelos jovens presentes, particularmente por uma jovem que interveio também remotamente para criticar a situação "incomportável" dos custos de arrendamento habitacional.

Apontando que o acesso à habitação não só está mencionado no Pilar Europeu dos Direitos Sociais, cujo plano de ação foi endossado na Cimeira Social do Porto, em maio, como também é um "direito fundamental", a jovem frisou que, "como muitas decisões europeias sem impacto real", este direito "não se verifica na vida de nenhum cidadão europeu".

Sobre esta questão do acesso à habitação, Augusto Santos Silva encorajou os jovens a "não deixarem o destino nas mãos dos outros, do Estado ou dos governos", apontando o combate ao "enfraquecimento do movimento cooperativo e designadamente das cooperativas de habitação".

Estes movimentos "foram muito importantes para assegurar o direito à habitação em Portugal, nos anos 70 e 80", vincou o ministro, admitindo não ver "razões para declarar que deixaram de ser importantes".

Augusto Santos Silva, Ana Paula Zacarias e Dubravka Suica concordaram em larga medida com as críticas, os apelos e preocupações manifestados pelos jovens presentes na sala e apelaram para a participação de todos na Conferência sobre o Futuro da Europa, partilhando, desde logo, todas estas posições na plataforma digital dedicada a este evento, que pretende precisamente ouvir os cidadãos europeus quanto ao futuro da União Europeia.

"Apelo para que todos vocês vão à plataforma, organizem eventos e coloquem as respetivas conclusões na plataforma (...) Vocês têm uma voz, vocês podem expressar a vossa voz", vincou a secretária de Estado.

"Queremos que as pessoas sejam ouvidas, queremos aproximar-nos dos cidadãos, queremos saber como melhorar o nosso projeto europeu. É muito importante termos os jovens junto a nós, pois queremos preparar a Europa para a próxima geração convosco", disse também a comissária europeia com a pasta da Democracia e Demografia e vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Dubravka Suica.

A Conferência sobre o Futuro da Europa, que arrancou no passado dia 09 de maio e que se prolonga até à primavera do próximo ano, é uma iniciativa promovida pelo Parlamento Europeu, Conselho e Comissão Europeia, com o objetivo de envolver os cidadãos europeus no debate sobre o futuro da UE.

Leia Também: Preços das comunicações cá "são muito mais elevados que no resto" da UE

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