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Ex-governador insinua que milícias atuam em hospitais do Rio de Janeiro

O ex-governador do Rio de Janeiro criticou hoje a atuação do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no combate à pandemia e insinuou que milícias atuam em hospitais federais no estado que governava até ser afastado do cargo, em 2020.

Ex-governador insinua que milícias atuam em hospitais do Rio de Janeiro
Notícias ao Minuto

20:07 - 16/06/21 por Lusa

Mundo Covid-19

"Quem é responsável por esse processo trágico que se viveu e se viveu no Rio de Janeiro é o Governo federal, é o Presidente da República, são aqueles que durante todo esse processo sabotaram as medidas de afastamento", disse Wilson Witzel, na comissão parlamentar de inquérito (CPI), que investiga a resposta das autoridades brasileiras à pandemia de covid-19.

"Foi uma narrativa pensada, estrategicamente pensada. Os governos estaduais ficariam em situação de fragilidade, porque não teriam condições de comprar os consumíveis, respiradores", acrescentou.

Para Witzel, "ficou claro que a narrativa construída pelo Governo federal foi para colocar os governadores numa situação de fragilidade, porque os governadores tomaram as medidas necessárias de isolamento social" e "isso tem repercussões económicas".

O antigo governador "fluminense" foi destituído oficialmente do cargo em abril, meses depois que ter sido acusado de corrupção e desvio de dinheiro público destinado à área da saúde.

Witzel, que foi alvo de investigações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República que detetaram um alegado esquema criminoso durante a sua gestão na pandemia e ainda responde a inquéritos na justiça, disse que corre risco de vida porque desagradou à "máfia da saúde no Rio de Janeiro e quem está envolvido por trás dela".

"Tenho certeza de que tem miliciano envolvido por trás disso, eu corro risco de vida e a minha família", afirmou Witzel à comissão parlamentar.

O ex-governador também sugeriu que as milícias do estado teriam influência na gestão de hospitais federais do Rio de Janeiro, estimularam desfiles motorizados contra medidas de isolamento social e até obrigaram o comércio a reabrir durante a pandemia.

Segundo o político, se a CPI quebrar o sigilo fiscal de organizações sociais que administram os hospitais federais no estado vão descobrir quem seriam os alegados "donos" destas instituições.

Durante o seu depoimento, Witzel protagonizou uma discussão com o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do Presidente brasileiro.

Witzel foi aliado da família Bolsonaro durante as eleições de 2018, mas acabou se tornando rival político do chefe de Estado brasileiro em 2019, depois de demonstrar interesse em concorrer à Presidência da República, em 2022.

O ex-governador também se ofereceu para prestar um novo depoimento à CPI da covid-19 e prometeu apresentar elementos para comprovar as suas acusações sobre alegada interferência federal em investigações contra si, presença de milícias na gestão de hospitais federais e outros temas de interesse da investigação parlamentar.

O vice-presidente da CPI da covid-19, Randolfe Rodrigues, anunciou nas redes sociais que vai solicitar "um novo depoimento do ex-governador Wilson Witzel".

"Acreditamos que o ex-governador ainda tem muito a falar e não podemos deixar o relatório da CPI ser atingido por interferência e intimidações externas", reforçou.

Após responder às perguntas do relator da investigação, o senador Renan Calheiros, e de alguns senadores da oposição ao Governo, Witzel decidiu interromper o seu depoimento, valendo-se de uma decisão da véspera pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe garantiu o direito de ficar em silêncio, não comparecer para prestar depoimento ou interromper a sua declaração se considerasse necessário, já que responde a processos criminais e tem o direito Constitucional de não produzir provas contra si.

"Agradeço a oportunidade, agradeço as perguntas, e tenho certeza que muito temos a contribuir futuramente", disse o ex-governador ao encerrar o depoimento.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar 490.696 mortos e mais de 17,5 milhões de casos de covid-19.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.824.885 mortos no mundo, resultantes de mais de 176,5 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Leia Também: Bolsonaro diz que vetará lei sobre certificado de vacinação

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