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Exportação de gado vivo pressiona desflorestação da Amazónia no Brasil

A exportação de gado vivo, do qual o Brasil é um dos líderes mundiais com 400 mil animais embarcados por ano, pressiona a desflorestação da Amazónia, segundo um estudo divulgado hoje pela organização Mercy for Animals (MFA).

Exportação de gado vivo pressiona desflorestação da Amazónia no Brasil

A maior parte dos navios com os quais o Brasil exporta gado vivo sai do porto de Vila do Conde, no estado amazónico do Pará, e é abastecida com animais de fazendas próximas, muitas localizadas em áreas com altos índices de exploração madeireira, segundo a organização não-governamental (ONG) dos Estados Unidos da América.

Os pesquisadores do MFA monitorizaram os portos de onde o Brasil embarca gado vivo, principalmente para países do Médio Oriente e Norte da África e as empresas que dominam este mercado no país sul-americano.

A vice-presidente de investigações da MFA, Luiza Schneider, explicou que os dados recolhidos destacam a relação da cadeia de exportação de animais vivos tanto com a desflorestação ilegal da Amazónia quanto com o trabalho escravo no Brasil.

"A prática dos dois crimes foi verificada em fornecedores indiretos, ou seja, em fazendas que enviam animais para as fazendas fornecedoras das empresas exportadoras", frisou Schneider, citada pela agência Efe.

O Brasil não é apenas dono do maior rebanho bovino do mundo, com 217 milhões de cabeças (14,3% do rebanho mundial) e o maior produtor e exportador de carne bovina, mas também o maior fornecedor de gado vivo, com 800 mil animais exportados pelo mar em 2019 e 2020.

Entre 2012 e 2020, o Brasil exportou 2,6 milhões de bovinos, principalmente para a Turquia, destino de 44,8% dos animais, mas também para Egito, Líbano, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

O estudo revelou que "a exportação de animais vivos oferece um risco de desflorestamento significativamente maior do que a exportação de carne bovina, pois está fortemente concentrada no estado amazónico do Pará".

De acordo com o estudo, entre 2015 e 2017, o Pará respondeu por 97,9% das exportações de gado da Amazónia brasileira e por 71,2% das exportações brasileiras de gado vivo.

A maior parte do gado exportado é proveniente de municípios paraenses, três dos quais figuram na lista das cidades que mais destruíram a floresta amazónica nos últimos dois anos.

"As fazendas paraenses que fornecem gado vivo para exportação para o Minerva estão localizadas em 81 municípios, dos quais 30 estão entre os 100 que mais desmataram a Amazónia desde 2008", informou a ONG.

Por meio da sua campanha "Exportação Vergonhosa", a MFA espera arrecadar um número maior de assinaturas para solicitar ao Congresso brasileiro que vote um projeto de lei em discussão desde 2018 que proíbe a exportação de gado vivo.

Leia Também: Desflorestação da Amazónia brasileira bate recorde em maio

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